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POR QUE TRABALHAR COM P&D É O MELHOR E O PIOR DOS MUNDOS?

Volta e meia, ao compartilhar as vagas de P&D nas minhas redes, acabo me rendendo e denunciando minha adoração por esta área – para ofensa de alguns, que trabalham com Produção, Qualidade ou Vendas, e se espantam quando falo que trabalhar com P&D é a melhor função em uma empresa.

O que posso fazer se sou completamente enfeitiçada por este mundo mágico da criação? Eu sou, não posso negar.

 

Trabalhar com P&D é o melhor dos mundos.

 

Ser capaz de transformar algo abstrato como um conceito em um produto real é, sem dúvida, a melhor parte. A partir de um conceito, um sem número de respostas são possíveis – mas apenas uma delas virá ao mundo, pelas nossas mãos. Somos compositores desta nova sinfonia e, se fizermos bem nosso papel, haverá uma linha escrita e bem planejada para cada instrumento.

Teremos de certa forma desenhado o papel da Produção, da Qualidade, de Vendas, do Faturamento, de Marketing.

Aqueles que entregam um projeto bem acabado transformaram em ações, para toda a fábrica, para cada pedacinho dela, o que meses antes era apenas um punhado de ideias numa sala de reuniões. É um exercício de criatividade e visão sistêmica, que exige todas as partes do cérebro (e alguns músculos também!).

Podemos usar um briefing detalhado e completo: mesmo assim, muitas das decisões sobre como o novo produto será produzido são nossas – e este superpoder é também uma das nossas armas secretas.

Durante um projeto, podemos escolher fornecedores, decidir quantos e quais ingredientes usaremos, quais funcionalidades serão testadas e quais (mesmo que solicitadas) serão oportunamente “impossíveis de serem alcançadas”  ;).

Exageros à parte: durante o desenvolvimento de um novo produto, temos um superpoder nas mãos – o poder da decisão.

Quem é o líder do projeto decide muita coisa a respeito dele, sem ter que consultar ninguém (mesmo que tenha que aprovar o projeto por alguns critérios, há sempre poder de decisão nas mãos do líder do projeto).

(Uma dica aqui aos gestores de P&D: o líder do projeto NÃO NECESSARIAMENTE é você. Permita que sua equipe de fato lidere projetos, e você terá uma equipe mais forte em alguns meses. Para mais dicas sobre como ser um bom Gestor de P&D, leia este artigo.)

O que me leva ao tiro derradeiro: olhando de uma perspectiva mais ampla, quando desenvolvemos um produto, estamos de certa forma criando uma nova empresa. Somos empreendedores dentro de uma organização – somos intraempreendedores.

Se você sair do automático de abre-projeto, fecha-projeto, reduz-custo, tira-férias, verá que cada novo produto é um novo impacto potencial para a empresa, e para o mercado de alimentos como um todo. Feito com cuidado e atenção, desde a sua ideação até o lançamento, criar um novo produto é o mesmo que se aventura na abertura de uma nova empresa.

Tanto é que, derivado do sucesso de lançamentos, fábricas são construídas, divisões e spin-offs são criadas. Cada líder de projeto é um empreendedor e tem nas mãos o nascimento de uma mini-empresa que produz o alimento que desenvolve.

Duas áreas são capazes de trazer novo faturamento para uma empresa: elas se chamam Vendas e P&D. Sem novos clientes e sem novos produtos, a empresa se mantém no mercado, mas não cresce. Ela acaba sendo abocanhada por ele. Ser capaz de capturar mais mercado para uma empresa em que acreditamos, estar envolvido nos projetos de longo prazo, sonhar alto com as novas linhas, participar de decisões estratégicas: um visionário de alimentos pode mudar o jogo para a empresa em que atua.

Trabalhar com P&D é o melhor dos mundos porque há muita criatividade, visão sistêmica, poder de decisão, empreendedorismo e estratégia envolvidos.

O que eu não conto, e que fique como uma história secreta, apenas para os iniciados entre nós, é que tanto quanto é o céu, é o inferno. Trabalhar com P&D de alimentos pode ser o inferno de Dante, o Bad Place, a curva de rio, o raio que o parta (onde ninguém quer ir).
 
trabalhar com p&D
 
 

Trabalhar com P&D é o pior dos mundos.

 

Começando pelo famigerado projeto mais comum, com que a grande maioria de nós trabalha.

Preciso dizer o nome?

Sim, preciso: o óbvio precisa ser dito.

Começando pela redução de custo.

O sorvete é bem-dizer uma nuvem, o biscoito, puro açúcar, a bebida láctea, nem soro mais tem, e a mentalidade de curto prazo e avessa à inovação (frequente em Diretorias da área de alimentos) estimula ainda mais os projetos de redução de custo. Eles irão consumir milhares de horas de desenvolvimento, trarão resultados questionáveis e, por vezes, simplesmente não reprodutíveis em larga escala, mas hey! Temos que reduzir o custo, porque a concorrência está terrível este mês.

O que ninguém percebe é que este é um jogo de gato e rato, e quem entra nele estará para sempre preso. Como Bill Murray em O Feitiço do Tempo. Ou o Tom Hanks em O Terminal.

(Não viu o Feitiço do Tempo? O filme mais icônico dos anos 90?

Como assim?

Esses jovens…)

Em muitas equipes de P&D, o trabalho de redução de custos é tão dominante, que ele é quase o único realizado. Não me espanta, neste caso, que a empresa volta e meia decida pela redução do próprio quadro de P&D: afinal, a única lógica é a da excelência operacional através de custos enxutos, e a área que deveria agregar faturamento, não o faz.

Equipes de P&D que só reduzem custos fazem apenas a manutenção do mercado (sobre as demais funções que P&D pode cumprir para a empresa, veja este vídeo). Estar preso neste ciclo vicioso (por vontade própria ou imposição) e ainda ficar na corda-bamba por sua causa não é a melhor parte do trabalho em P&D.

É claro que uma parcela infernal do trabalho de P&D é lidar com as expectativas. Principalmente dos nossos amigos do Marketing e Vendas que desejariam que a nossa área se chamasse, ao invés de Pesquisa e Desenvolvimento, Pesquisado e Desenvolvido.

No passado.

Surge o conceito, e o P&D já tem a solução pronta e validada na fábrica.

(É o famoso projeto de gaveta, a que alguns líderes se aventuram, para depois dar com os burros n’água, quando descobrem que a empresa irá desinvestir daquela linha de produção. Ou então, fazem sucesso com a Diretoria, quando tais projetos são enfim aplicados para algum uso prático). Atender a prazos, quando há tanta incerteza e riscos envolvidos, não é tarefa fácil.

O que me leva ao maior frio na barriga para ansiosos de plantão (eu): aquele momento em que lhe designam um projeto cuja tecnologia é desconhecida. Por você. Por qualquer pessoa na empresa. Por qualquer pessoa no Brasil. Ou no mundo.

Você, que se formou faz 5 anos, terá que transformar em produto a ideia louca maravilhosa do pessoal de Inovação. Sim, porque a sua empresa é modernex, criou a área de Inovação e agora está mandando ver. E sobrou para a visionária de alimentos aí resolver a parte técnica.

Pânico, terror e aflição, como diria Elba (entendedores, entenderão).

Não é fácil lidar com as expectativas, ansiedades e riscos envolvidos em um projeto disruptivo – mais ainda quando a Diretoria não sabe lhufas de inovação. Como a maior parte das Diretorias de Alimentos por aí, compostas por membros predominantemente oriundos das áreas de Produção, Vendas e Finanças.

(Quer confirmar a tendência? Facinho: veja o currículo dos diretores das empresas nacionais de alimentos com ações na BOVESPA – JBS, Ambev, Marfrig, M Dias Branco, Minerva, Camil, com louvável exceção à BRF, que conta com um executivo com experiência em P&D.)

Quem trabalha com projetos disruptivos em empresas que estão apenas surfando na onda da Inovação porque o Conselho lhe deu um puxão de orelhas tem que ser um Mestre dos Magos do Gerenciamento de Risco.

Porque é lindo se lançar em um projeto disruptivo, quando ele dá certo e sai na capa da revista.

Outra coisa é admitir que o projeto, altamente envolvido em risco, naufragou. Aí é que são elas: administrar a aversão ao risco de Diretorias que estão se expondo a ele pela primeira vez em suas carreiras não é fácil.

Trabalhar com P&D é o pior dos mundos porque às vezes só tem redução de cursos, gerenciamento de expectativas, projetos mirabolantes e diretorias avessas ao risco envolvidos.

Mas, quer saber?

Não troco esta área por nada.

Saber que o meu esforço contribui para o acesso do povo brasileiro a uma alimentação mais saudável e mais segura, que eu crio comida para seres humanos, e que posso revolucionar o mercado de alimentos são os meus motores.

 

Trabalhar com P&D, com todos os seus desafios, é o que me movimenta.

 


ps.: Minupar e Josapar também estão na Bolsa, porém o currículo de seus diretores não está disponível para consulta.

ps. 2: Trabalhar em P&D não é a única forma de ter experiência em Inovação – mas é uma das mais prováveis, junto ao pessoal de Marketing. Trabalhar com Produção, Vendas e Finanças pode levar a esta experiência – mas é bastante improvável que a inovação seja o foco da atuação destas cadeiras.


 

Desde que o Sra Inovadeira foi criado, muita gente me pede uma forma de entrar em Pesquisa e Desenvolvimento. Muita gente mesmo, que até então nem se dava conta de que existia este maravilhoso mundo mágico de P&D (nem toda empresa tem área de P&D, não é, visionários?).

Quer trabalhar com P&D?

 

 

A minha fórmula é quase sempre a mesma:

  1. Leia tudo o que você encontrar sobre o assunto, tanto aqui, quanto nas referências. Esteja preparado para conversar sobre os temas que circundam este mundo.
  2. Estude, aprofunde-se na sua área. P&D sempre precisa de pessoas que entendem bem da tecnologia de alimentos.
  3. Faça contatos. O Linkedin é uma excelente oportunidade de você fazer contatos e conhecer pessoas de P&D (já me adicionou?). Fazer contatos não é apenas se conectar: é conversar com as pessoas com quem você se conectou. Faça-se conhecer por quem trabalha nesta área e acompanhe as vagas que pipocam no Brasil inteiro.
  4.  Visite feiras que agregam pessoas de P&D: a principal, no Brasil, gratuita, é a FISA. Para saber como funciona a feira, você pode ver a minha cobertura de 2016 e 2017.
  5. Assista webinars sobre temas relacionados – e participe do chat, fazendo perguntas e mostrando a cara. A série de Webinars Tacta 2018 já começou, e você pode se inscrever para participar gratuitamente aqui.
  6. Faça cursos que lhe preparem para assumir uma posição em P&D – não apenas caindo de para-quedas neste mundo. A Tacta Food School este ano está levando a Formação em Gestão de P&D para Campinas, Curitiba e São Paulo. Para quem já é um líder de P&D, estamos ofertando com exclusividade a Formação Avançada em P&D.

Sobre Cristina Leonhardt

Eu quero que você alcance todo o potencial de inovação que existe dentro da sua empresa de alimentos. Se conseguirmos criar um produto diferenciado, não teremos mais consumidores. Teremos uma legião de fãs. Quer me conhecer melhor - pode me adicionar no Linkedin: www.linkedin.com/in/cristina-leonhardt/
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Um Comentário

  1. Eu sempre leio e nunca comento, hoje vim falar haha
    Eu to no curso de Engenharia de Alimentos a 3 anos, e desde que entrei meu sonho sempre foi trabalhar no p&d, atualmente faço parte da empresa júnior, e um dos meus amigos disse que eu deveria fazer administração e não Eng de Alimentos, ler que o trabalho depois é comparado com de abrir uma nova empresa a cada produto me fez ficar meia hora sorrindo, por saber que estou no caminho certo para um dia alcançar minha vaga!

    Muito obrigada por todo conteúdo sempre disponibilizado

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