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SRA INOVADEIRA RESPONDE: COMO ENTRAR EM P&D DE ALIMENTOS?

Após muito tempo sem escrever para esta coluna, o Linkedin me obriga: o volume de pessoas que me pede a mesma coisa me fez (finalmente) enxergar que estava faltando um texto bastante óbvio aqui no canal.

Afinal, eu falo falo falo de P&D, mas raramente falo com quem quer entrar no setor. Já falei como é bom, e como é o inferno, já me dei conselhos, lhe dei conselhos, já disse que o polvo de P&D tem que saber cozinhar e tem que comer o que desenvolve.

Mas até agora, nada, nadica de nada, nem uma única palavra com quem quer entrar em P&D de alimentos.

Às vezes o óbvio não é tão óbvio assim, não é?

Pois bem. Esta semana, na coluna Sra Inovadeira Responde, vamos a uma pergunta que só faltava pular na minha frente, fazendo a dança da chuva.

 

COMO EU FAÇO PARA ENTRAR EM P&D DE ALIMENTOS?

 

 

SRA INOVADEIRA RESPONDE

Ah, caros visionários, estimadas visionárias: o (nada) glamoroso mundo de P&D. Cheio de criatividade, pozinhos mágicos, frascos brilhantes e coloridos para todos os lados.

QUEM não gostaria de entrar nesse laboratório de imaginação?

Bom sujeito, não é.

Natural que tanta gente vislumbre P&D como uma área para continuar a carreira após a faculdade – principalmente aqueles, entre nós, dados à iniciação científica, mestrados e doutorados da vida. Nada mais esperado do que continuar a carreira de pesquisa, agora na iniciativa privada.

Quem já fez esta transição sabe que não é nada fácil. Pesquisa acadêmica e pesquisa privada não poderiam ser coisas mais diferentes. Ainda mais no Brasil. Ainda mais no Brasil, em alimentos. Mas isso é coisa para outro texto.

Neste, vamos falar sobre alguns caminhos que vossa senhoria pode querer testar para entrar no maravilhoso mundo mágico de P&D. Vamos a sugestões da pessoa aqui, baseadas na minha própria experiência quando entrei, nas pessoas que contratei ao longo da vida, e em todo mundo que observo hoje em dia na nossa rede de visionários de alimentos.

 

  • Tudo começa com o entendimento que contatos são tudo neste mundo. Quando comparado com outros setores, P&D é um setor pequeno, que recebe pouco investimento. Pouco investimento = equipes menores = menos vagas (uma conta simples). Portanto, você tem que conhecer pessoas, ser visto ou vista, dar as caras.
  • Para conversar com as pessoas que já trabalham em P&D, você precisa entender e ter uma opinião sobre os principais temas que estão rolando no setor. Se você está lendo este texto, já sabe que aqui no Sra Inovadeira somos devotados ao P&D – mas nem só de sites vive a informação. Para surpresa de muitos, coisas como livros e revistas ainda existem e carregam em si muita informação útil a ser compartilhada e fazer parte de uma conversa interessante, que ficará marcada na memória do indivíduo que você abordou. Você pode ver algumas referências aqui.
  • Formação: quem trabalha com P&D trabalha com PESQUISA e DESENVOLVIMENTO – ou seja, gosta de estudar, pesquisa, é curioso, tem fortes competências técnicas. Quanto mais você dominar uma tecnologia da área de alimentos, melhor. Então seja expert no seu ramo de atuação, estude bastante, inclusive aos finais de semana. A área de P&D é responsável pela construção de novo conhecimento técnico numa empresa, então sempre se beneficia de pesquisadores que dominem suas áreas. Seja forte em algo, e você encontrará um lugar ao Sol em P&D.
    • No que ser forte? Depende das suas inclinações: você gosta de processos? Ingredientes? Contato com o cliente? Tecnologias de fabricação? Embalagens? P&D é como uma mini-fábrica do futuro dentro de uma fábrica do presente – quase todas as competências técnicas podem ser acomodadas no setor e usadas positivamente. Quer um exemplo? Eu já trouxe para P&D uma engenheira que trabalhava no SAC – precisava de alguém que soubesse atender nos inúmeros clientes que a área de Vendas trazia para visitar a empresa. Saiba colocar a sua experiência numa ótica de P&D.
  • Você pode acompanhar a nossa coluna de Vagas em P&D, mas se apenas enviar currículos, sem de fato entender como este mundo se movimenta, e começar a conhecer algumas pessoas que trabalham nele, será muito esforço para pouco resultado.
  • Tendo dito isso, há formas gratuitas de vosmecê aparecer neste mundo:
    1. Visite feiras do setor, entre nos stands, apresente-se e entenda o que está acontecendo por ali. Aqui tem um manual de boas práticas para visitas em feiras que pode ser útil.
    2. Participe dos nossos Encontros de Visionários, que são abertos e gratuitos e ocorrem geralmente em feiras. Fique ligado no nosso Facebook para saber a próxima data.
    3. Mantenha um perfil atualizado no Linkedin – com foto. É o mínimo. Adicione todas as pessoas que você conheceu na feira.
    4. Faça postagens no Linkedin, comente nas postagens que lhe interessam ( = as minhas 😛 ), dê a sua opinião e diga a que veio ao mundo. Não tenha vergonha de mostrar a cara: estamos todos ali passando vergonha diariamente. É a função das redes sociais expor o polvo: vá fundo e diga o que pensa. Sem medo.
    5. Quando você começar a receber convites de conexão de pessoas do setor: ACEITE. O Linkedin é para você conhecer pessoas novas mesmo, se fosse só para aceitar os amiguinhos, a gente ficava no play.
    6. Tem inclinação para criação de conteúdo e um pensamento original? Você pode criar um site para você, publicar artigos no Linkedin ou virar nosso ou nossa colunista. Ou fazer tudo isso, ao mesmo tempo.
    7. Mapeie quais empresas admiráveis na sua região possuem o setor de P&D, e entre em contato para dizer que gostaria de trabalhar lá. Como faz isso:
      1. Fácil: o Linkedin ajuda a saber se há profissionais destas empresas trabalhando em P&D.
      2. Alternativamente, o telefone faz o mesmo: ligue na portaria e peça para falar com alguém do setor. (ter #caradepau é importante quando se tem um objetivo. Olho no gol!)
  • Conecte-se com a pessoa. Converse com ela. Fale de você, diga que gostaria de trabalhar lá, que admira a empresa, mas principalmente, escute o que a pessoa tem a dizer (sem stalkear, please: lembre-se de ser humano, sempre).

 

Até o momento, investimento zero (a não ser o deslocamento para as feiras), e você já pode até ter conseguido um emprego nazOROPA.

Vamos dizer que vosmecê queira dar um passo a mais. Vosmecê que desbravar mesmo este mundo de P&D.

  • Procure workshops voltados à indústria que lhe interessa e se inscreva. Mas não fique só anotando (apesar de que é importante aprender): tenha cartões de visita e peça os cartões de quem conhecer. Converse com as pessoas, sobre assuntos de P&D. NO DIA SEGUINTE AO EVENTO, mande e-mails individualmente para todos com quem conversou, agradecendo o contato, citando algo que vocês conversaram no evento e oferecendo alguma coisa que possa interessar ao seu novo contato: um link para uma matéria bacana que você citou na conversa, um vídeo que se relaciona com o assunto, ou a informação sobre o evento. (#ficadica: escreva no verso do cartão o que você deve enviar).

A regra aqui: DÊ ALGO ANTES DE PEDIR ALGO EM TROCA.

  • Invista na sua carreira e faça um curso de extensão na área de P&D em que gostaria de atuar. Sensorial, chocolate, rotulagem, gestão de projetos: você escolhe qual é a sua inclinação, procura um curso, se inscreve e participa. ATIVAMENTE. Aprendendo, fazendo perguntas, contribuindo com os colegas, conversando com todo mundo na hora do coffee-break.

Por que um curso de extensão? Porque são geralmente cursos de curta duração pensados em quem trabalha – ou seja, os seus futuros colegas. Entendeu? Você aprende e faz networking ao mesmo tempo, num ambiente neutro, em que todo mundo se despe dos títulos que usa nas feiras e Linkedin, e senta nas mesmas classes.

Sem querer puxar brasa para o meu assado (já puxando): a Tacta Food School oferece cursos voltados a P&D em Campinas, São Paulo e Curitiba. Em Lajeado e Fortaleza, muitos dos nossos alunos também são de P&D – afinal, tem que conhecer de Qualidade para fazer P&D (talvez não tenham te contado isso ainda: a tia conta).

Há outros, e você pode buscar informações aqui.

 

A era de disparar currículos para todos os lados nunca existiu já passou. Se você deseja entrar em P&D, tem que buscar ativamente esta posição – mesmo que tenha trabalhado até agora apenas em Qualidade, Produção ou Vendas. Caso você não se mostre ao mundo, dizendo em alto e bom som “olha eu aqui, sou um visionário ou visionária de alimentos”, ninguém vai lhe ligar, oferecendo uma vaga fantástica de P&D.

Você tem que se amostrar.

Sendo isso o que eu tinha para o momento, subscrevo-me.

Atenciosamente.

Tenho dito.

Boa sorte 😉

 


Como você sabe, aqui no Sra Inovadeira Responde a gente tira dúvidas técnicas –  ou não técnicas – dos leitores. Olha o que já saiu por aqui:

Tem uma pergunta que gostaria de ver respondida na coluna Sra Inovadeira Responde? Deixa ela aqui para mim nos comentários!

 

Sobre Cristina Leonhardt

Mãe, viajante, escritora e apaixonada por inovação. Fundadora do site Sra Inovadeira e co-fundadora da Tacta Food School, onde atua como Diretora de Inovação para projetos de Gestão Estratégica de P&D e Desenvolvimento de Produtos. Mentora da Terra Accelerator. Eu quero que você alcance todo o potencial de inovação que existe dentro da sua empresa de alimentos. Se conseguirmos criar um produto diferenciado, não teremos mais consumidores. Teremos uma legião de fãs. Quer me conhecer melhor: pode me adicionar no Linkedin
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Um Comentário

  1. Carla Daniela Nascimento

    Cristina, adorei a publicação! Confesso que muitas dúvidas minhas foram elucidadas e agora já sei como planejar meu futuro profissional.Que emoção, estou empolgadissima. Atualmente, estou cursando o último semestre de engenharia de Alimentos, mas também sou técnica, e nesses quase 10 anos de estudo eu amei bastante a parte de ciências e tecnologia de alimentos e análise sensorial. Mas também gosto muito de conversar com o consumidor,no estágio que eu fiz em um serviço de alimentação, os consumidores foram os maiores guias sobre absolutamente tudo. Parabéns, continue com essa trabalho!

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