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SEJA A MUDANÇA QUE VOCÊ ESPERA NA INDÚSTRIA DE ALIMENTOS

Reclamar da indústria de alimentos é a nova modinha. Muito mais do que o veganismo, do que a alimentação consciente, do que a nutrigenômica – apontar o dedo para a indústria é tópico certeiro para angariar consenso.

De dentro da indústria, assistimos a este debate meio estupefatos. “Como assim? A indústria está aí para viabilizar a alimentação em larga escala!” Em evento da Tacta, falando a respeito da rotulagem nutricional frontal, uma colega declarou que “está assustada com o que acontece no Chile”. A indústria não é culpada pela má escolha que as pessoas fazem no consumo.

Será mesmo?

Tenho cá minhas dúvidas.

São mais de 2 anos de relacionamento direto com os visionários de alimentos do Brasil todo (e alguns, de fora). 2 anos perguntando: que testes você tem feito? Que ingredientes tem testado? Você consome os alimentos que desenvolve? Quantas reduções de custo compõe o seu portfólio de projetos?

A principal pergunta: qual é o maior objetivo dos seus projetos? Um alimento gostoso ou um alimento saudável?

O que é mais importante: ser gostoso ou ser nutritivo? Se tiver que escolher entre uma destas características, qual será?

Qual é a resposta que está na sua cabeça agora?

Não precisa dizer para mim, você qual ela é. A resposta vem acompanhada de uma justificativa. Normalmente algo na linha “é a diretriz da empresa. Sou pago para segui-la”.

Assistimos estupefatos às críticas à indústria de alimentos, e isso é quase tudo o que fazemos. Assistimos. Seguimos diretrizes, me dizem.

Eu penso que podemos muito mais. Que podemos mudar a indústria de alimentos, de dentro.

mudança na indústria de alimentos

Bom, se não pensasse assim, não havia criado este site, no final das contas. Falando desde o primeiro texto que não importa muito o que a indústria pensa a respeito dos produtos que produz.

Importa apenas o que o consumidor pensa deles.

Demora um pouco para uma pessoa entender que ela não precisa fazer tudo o que lhe pedem numa empresa.

 

Ouso dizer que, para uns, tal entendimento nunca chega. Demora um pouco para nos vermos como os possíveis agentes de mudanças que somos – e não como engrenagens de uma máquina muito maior do que nós mesmos, que só quer continuar a ser o que já é.

De fato, quando pensamos nas empresas mastodônticas em que trabalhamos, é quase impossível nos vermos como agentes de mudança.

É muito difícil.

São estruturas antigas, complexas e ramificadas, cheias de políticos internos prontos para retornar ao conforto do conformismo e do “sempre foi assim, por que mudar?”. Deixe de ser encrenqueiro, moleque.

Realmente, é difícil mudar estruturas e, muitas vezes, a complexidade da tarefa nos desestimula até de começar.

Fácil, e muito mais confortável, é sentar vendo o mundo passar, cumprindo o desejo dos outros, sem pensar em planos próprios para onde trabalhamos. Quando algo nos desagrada, reclamar. Dar em seguida de ombros e reconhecer que nem adianta o esforço de começar.

Eu vejo isso todos os dias: tanto nos cursos, quanto nos e-mails, mensagens das mídias sociais. Numa postagem de novo produto, um menino reclamou: “eu falo isso desde meus 9 anos, por que não lançaram antes?”. A pergunta que não quer calar, para alguém que já sabia há tanto tempo que tal ideia seria sucesso: por que você não lançou antes?

A ele, juntam milhares que não gostam de suas empresas, de seus líderes, de seus colegas. Que reclamam – muitas vezes, com toda razão – destas estruturas mastodônticas em que se meteram. Há também quem precisa entrar, se recolocar, que não encontra chances. Há descrença do lado de dentro. Há descrença do lado de fora.

Há muita gente, mesmo, reclamando da indústria de alimentos.

Eu, contudo, sigo acreditando que uma andorinha faz verão. Que tem poder na minha mão, no teclado (antiga pena), na sala de aula. No que eu posso fazer para esta mudança acontecer, ao jogar luz sobre os temas tão diversos como os que tratamos aqui no Sra Inovadeira.

Só consigo acreditar nisso, caro visionário, estimada visionária, porque eu também acredito que você tem muito poder. Você é capaz de movimentar esta estrutura gigantesca e mastodôntica em que se meteu.

Você, visionário de alimentos, tem MUITO mais poder do que pensa.

 

Decisões muito importantes sobre formulações, embalagens e processos são tomadas, todos os dias, em todos os níveis de P&D. Por mais júnior que seja a sua posição, apenas por estar na área você tem um impacto sobre os alimentos que a indústria colocará à disposição do consumidor.

Basta você se perguntar mais. Sair do óbvio e buscar suas próprias respostas.

Para aumentar o shelf-life, há diversas rotas tradicionais: a maioria delas passando por conservantes de nome estranho, não reconhecidos pelo consumidor. Você tem acompanhado a pesquisa acadêmica sobre conservantes de origem natural? Tem feito seus próprios estudos? Qual ingrediente você testará esta semana? O que todo mundo usa, cujo resultado você já conhece (vai testar para que mesmo)?

Para reduzir custos, a gente já sabe bem onde ir: enche o produto de água e dá um jeito de manter aquela água presa ali. Será que é a única rota? Não há ganhos mais significativos esperando por um trabalho conjunto entre o P&D, a Qualidade, a Engenharia e a Produção?

De quantas embalagens o seu produto precisa mesmo? E elas precisam de tantas camadas – daquelas que são praticamente impossíveis de serem separadas e recicladas? Qual é o melhor, mais barato e mais sustentável material de embalagem adequado ao seu produto? Você tem acompanhado as pesquisas acadêmicas do setor?

Será que só corantes artificiais funcionam? Você tem testado as propostas naturais que batem à sua porta? Quão naturais são os ingredientes que se dizem naturais?

Você só usa ingredientes e aditivos aprovados pela Anvisa ou MAPA. Louvável. Mas já se interessou em saber por que alguns deles tem dosagens máximas permitidas? O que aquilo quer dizer? Será que poderiam ser substituídos por outros, sem limites?

Ah, e a rotulagem? Este campo ilimitado de opções de uma indústria mais transparente: como você tem determinado o rótulo dos seus produtos?

É realmente caseiro o produto produzido na sua fábrica? Artesanal, feito a mão, da fazenda: o seu rótulo é confiável? Ele fala a verdade? É integral mesmo, ou “meio” integral?

Intoxicação alimentar para você é só Salmonella ou Staphylococcus? O resto é nicho?

Importa para você se a formulação traz novos alergênicos para a fábrica? O problema são todos os demais rótulos que terão que ser alterados, ou os alérgicos terem ainda menos opções de consumo?

Tem glúten na sua fábrica, mas é tão pouco que não precisa rotular? O que você aprendeu nos últimos anos sobre a doença celíaca? Você tem convivido com celíacos, intolerantes e alérgicos? Como isso tem impactado as suas decisões?

Que resíduos gera o seu novo produto? Como a nova embalagem pode ser reciclada? Ela pode ser reutilizada? O que você tem lido a respeito de sustentabilidade? Como o desenvolvimento de produtos pode impactar o uso de recursos naturais? Qual é o rastro que os seus ingredientes e embalagens deixam no processo?

O que é alimento saudável para você? E para a sua empresa – existe uma definição clara e bem disseminada por aí?

Se o objetivo dos desenvolvimentos é quase sempre único (produto gostoso), como o consumidor tem liberdade de escolha? Será que há escolha entre diversos produtos que não foram desenvolvidos para serem saudáveis?

Qual é o seu papel nesse enredo?

O que você sabe sobre como são tomadas decisões sobre o consumo de alimentos? O que tem lido sobre antropologia? Sobre psicologia do consumo e o comportamento do consumidor?

Quando alguém pergunta a você se ovo, leite, soja, abacate, manteiga, (insira aqui o alimento da moda), é saudável: com base em que você responde? Na disciplina de 1 semestre que viu na faculdade, há 10 anos atrás? Você é nutricionista? Se não é, como pode ter tanta certeza do impacto do alimento sobre a saúde humana?

 

Procure suas próprias perguntas, visionário. Talvez elas sejam estas – talvez sejam outras.

 

Quem é pago para seguir diretrizes é máquina. Quem só faz o que lhe pedem, sem questionar, sem inferir, sem alterar o curso das coisas, é robô.

Num futuro não muito distante, será substituído pela inteligência artificial.

Visionários de alimentos nunca serão substituídos: somos seres criativos, pensantes, corajosos. Estamos mudando o mundo, de qualquer posição em que interagimos com ele.

Não vivemos num universo de diretrizes e certezas: para responder às grandes questões da alimentação humana, temos na verdade uma bússola, não um mapa. Não há roteiro certo que nos leve lá.

Ser curioso é a chave desta mudança.

Se compreendermos bem o nosso papel, e executarmo-lo com ética e consciência, traremos ao mundo alimentos mais nutritivos, sustentáveis, inclusivos e empáticos.

Sim, dá um pouco mais de trabalho.

Sim, talvez leve mais tempo.

Sim, muitas vezes o custo é maior.

É mais fácil a gente reclamar.

 

Sejamos diferentes.

 

Seja a mudança que você espera na indústria de alimentos.

We can be heroes for more than just one day! 


Quer saber quais são as mudanças que eu espero na indústria de alimentos? leia o artigo que eu escrevi para a Época Negócios.

 

Sobre Cristina Leonhardt

Eu quero que você alcance todo o potencial de inovação que existe dentro da sua empresa de alimentos. Se conseguirmos criar um produto diferenciado, não teremos mais consumidores. Teremos uma legião de fãs. Quer me conhecer melhor - pode me adicionar no Linkedin: www.linkedin.com/in/cristina-leonhardt/
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4 Comments

  1. Carolina Assumpção

    Parabéns pelo texto, Cristina! Adorei!!!

    • Cristina Leonhardt

      Oi, Carol, muito obrigada! Espero que tenha lhe inspirado a iniciar as mudanças que estão a seu alcance e a fazer esta roda girar 😉

  2. Juliana Frey Weege

    Sinto que essa é uma das minhas missões! Já tentei muito mudar várias coisas, na maioria das vezes eu recebi um “não”, mas também já recebi vários “sim”.
    Nunca desisto de tentar melhorar. Onde eu ponho a minha mão, eu tento deixar essa marca.

    • Cristina Leonhardt

      isso aí, Ju! coração aberto e corajoso, mão na massa e ideia própria na cabeça – podemos mudar o mundo!

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