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TIPOS DE PROJETOS DE P&D QUE APARECEM EM TODAS AS EMPRESAS

Quais são os tipos de projetos de P&D? Será que é possível agrupar os projetos de P&D em algumas categorias comuns, por mais diferentes que sejam as indústrias de alimentos que os desenvolvam?

Vou me arriscar a escrever o que você está pensando agora:

“Desenvolvimento de novos produtos, redução de custos, extensões de linhas, melhorias, ajustes de processo…”

Sim, esta é uma forma de categorizar os lindos projetos superimportantes que o P&D recebe dos amigos de Marketing, Vendas, ou do Ser Iluminado por aí, que tem um canal especial mental com o mercado (Tipicamente, o dono. Menos tipicamente, a dona. Interpretem as you wish)

Neste post, entretanto, a gente vai falar de outras categorias. Outros tipos de projeto que parecem ser comuns a TODAS as empresas. Impressionantemente, sejam elas minúsculas, dois funcionários, ou multinacionais, há projetos de P&D que parecem voar de galho em galho.

Na minha experiência, muitas coisas mudam entre as P&D das empresas de alimentos – até já abordamos este assunto aqui, quando falamos das funções que P&D cumpre em cada uma delas. Mas há coisas… que todos nós, ricos e pobres, minúsculos ou pequenos, passamos juntos.

Veja se você concorda comigo.

 

O PROJETO INFINDÁVEL

Aposto que você já passou por um destes aí: aquele projeto que você não pode nem pensar em fechar. Quando sonha que chegou a uma solução, acontecem uma ou mais das situações abaixo:

  • Alguém resolve adicionar mais um requerimento ao produto;
  • Um fornecedor aparece acenando com uma solução miraculosa ou redução de custos inacreditável – obviamente, não para você. Para Compras, que vai querer levar ainda o crédito pela solução;
  • O chefe descobre que você fechou o projeto-mais-importante-da-empresa-mas-que-ninguém-apoia, justamente no dia seguinte ao cancelamento devido aos resultados não alcançados. Ele apenas navega até a sua mesa e sibila: por que você não está mais trabalhando naquele projeto fantástico?

Difícil. Normalmente é um projeto que ninguém apoia e cheio de requerimentos não alcançáveis com a nossa tecnologia atual. Se ainda por cima for daqueles que ficam no radar do alto escalão da empresa, ferrou-se.

Projetos infindáveis, aqueles que quando são finalmente sepultados arruínam o nosso indicador de tempo para lançamento de produtos.

 

O PROJETO DE REDUÇÃO DE CUSTO IMPOSSÍVEL

Seu alimento já está quase líquido, de tanta água adicionada. A bebida bem dizer é água – e se houvesse um líquido mais barato, seria este que estaria sendo usado.

Não importa. Para algumas empresas, não há limite na redução de custos, e dane-se o consumidor com suas expectativas. O que a gente precisa mesmo é preço baixo.

Então você recebe o grande projeto, de imensa visibilidade interna, para reduzir AINDA MAIS o custo do produto de MENOR MARGEM da empresa. Aquele que, bem… nem atende mais à legislação (mas não falemos sobre isso agora, shall we?).

Vai lá você reduzir o custo de açúcar. De sal. De água. De ar.

Boa sorte, visionário e visionária: aposto que vocês recebem uma ideia “fantástica” dessas por mês do pessoal de Vendas, não?

Talvez possam começar por estas técnicas para evitar continuar a poda da formulação. Ou então simplesmente sentar e chorar. Porque amigo, amiga… há produtos que já chegaram ao seu mínimo possível, e toda alteração só aumenta o seu custo.

(Para quem está pensando, há sim projetos infindáveis de redução de custo impossível. Ou seja, vão ser seu fantasma eterno – ao menos enquanto você ficar aí.)

 

O PROJETO SÓ PARA SE APARECER

Chega executivo ou executiva na empresa e a pessoa só que se amostrar, como dizem meus amigos cearenses lindos.

Diz o vivente:

Eu fazia algo muito fantástico, maravilhoso, que mudou tudo na vida da minha ex-empresa, não acredito que vocês ainda não tentaram aqui, é a solução de todos os males (não ecxiste)”

E joga lá um projeto sem pé nem cabeça no P&D, para o qual a Produção, a Qualidade, Vendas, Marketing, Trade, até o cara que emite notas fiscais na empresa não está preparado. Só o P&D se joga no projeto, fica até altas horas trabalhando, e desenvolve o tal dito-cujo-produto que queria o Poderoso Chefão.

Aí P&D se lasca. Porque descobre que a tal Poderosa Mestra das Magas só queria um protótipo para mostrar ao que veio, e não um desenvolvimento 100% pronto com teste industrial. Esse polvo da Diretoria, sempre correndo, esqueceu de avisar que era apenas para uma reunião com a Presidência.

Cuidados com esses projetos visionários. Difícil desviar dessa bola, no final das contas tem que fazer, e que possamos aprender o máximo possível com eles. Porém saibam distinguir bem o que é o apoio da Alta Liderança da empresa a um projeto, do que é um capricho desta mesma Alta Liderança.

O tempo me mostrou que, quando mais Alta ela é, mas caprichosa. 😉

 

O PROJETO E SE

Recebeu o briefing, planejou o desenvolvimento na Planilha de Gerenciamento de Projetos, e já está com duas opções de testes planejada…

Em alguém bate na porta: E se a gente tivesse mais esta função?

Pior ainda se, ao invés de alguém, for Alguém – the Big Boss querendo que você teste apenas mais esta “ideia fantástica que tive na noite anterior”, enquanto bebia espumante no jantar.

(Estudos científicos indicam que o consumo de espumante é a causa de 74,3% das ideias infundadas lançadas por empresas de alimentos.)

Se o projeto ainda está no início, ossos do ofício. Podemos argumentar que todo projeto de desenvolvimento de produto deveria mesmo ter uma fase inicial exploratória, para averiguar possibilidades ainda não percebidas pela equipe de Inovação. Projetos que já começam deveras delimitados são – normalmente – muito incrementais, e só servem à função “Manter o Mercado”. Dificilmente abrem portar de novos mercados para a empresa.

Contudo, empresas com Projetos E Se tendem a não se limitar à etapa preliminar: sempre é hora de adicionar mais uma característica. Mais uma funcionalidade. Mais um teste. O projeto se arrasta por meses e anos, nunca é finalizado. P&D nunca mais se livra do filho na barriga, e o timing do lançamento é perdido.

Ah, vale lembrar que o E SE não necessariamente vem de fora. Tá cheio de Visionário e Visionária por aí recheando os testes de etapas desnecessárias e funcionalidades bonitinhas mas ordinárias.

(Para correr na direção oposta e acelerar projetos de P&D, temos dois artigos massudos aqui no site: um se você é gestor, e outro se você é pesquisador. Corre lá!)

 

O PROJETO MAIS DO MESMO

O projeto mais comum da indústria de alimentos do Brasil. Para citar alguns exemplos, aqui vão produtos mais do mesmo que continuam sendo lançados todos os dias:

  • Salsicha vendida a granel
  • Biscoito recheado sabor chocolate e morango
  • Néctar de laranja
  • Bolo sabor baunilha ou chocolate
  • Cream cracker água e sal
  • Feijão, arroz, lentilha e farofa em sacos de 500g
  • Refrigerante sabor guaraná
  • Queijo mussarela

Eu vejo esta lista e penso: booooring. Mesmo assim, vários dinheiros são gastos no desenvolvimento de novas marcas destes mesmos produtos, Brasil afora.

Normalmente é o caso de “temos que encher a linha de produtos”: “se meu concorrente fabrica salsicha, eu preciso ter uma salsicha para contra-atacar”.

(momento meme²³

)

Quem é P&D nesta briga entre o rochedo e o mar?

Alguém lúcido: não só faça o que lhe pedem – coloque essa criatividade para funcionar e descubra uma forma de colocar no mercado algo que ainda não exista.

Vamos aumentar a estatística de produtos novos no Brasil – entre 2009 e 2011, apenas 0,5% dos nossos lançamentos eram novos para mundo. ZERO VÍRGULA CINCO PORCENTO.

Depois as empresas reclamam que os investimentos em P&D não são diretamente relacionados à expansão do faturamento.

Por que será, não?

 

O PROJETO SALVA-VIDAS

Esse é o projeto de sonhos da Big Food – e quanto mais BIG, mais solucionador tal projeto tem que ser. Parece que todo mundo está atrás daquela “uma única ideia” que irá aumentar o faturamento da empresa em 25% (ou mais, se possível). Ou aquela “uma única ideia” que irá tirar a empresa do vermelho que vem amargando há 6 meses.

Muitas vezes essa “grande ideia” é um novo produto. Outras vezes é uma redução de custo justamente no produto de maior venda. Não importa: para aumentar o faturamento, ou reduzir custos, volta e meio pintam projetos em P&D que solucionam todos os problemas.

Se os problemas fossem um navio pirata, era como se uma única bala de canhão o pudesse afundar.

É porque às vezes tais estratégias funcionam que projetos salva-vidas continuam sendo perseguidos e desenvolvidos na indústria. Com um pouquinho, bem tiquinho, de visão sistêmica, o colega e a colega poderá entender que não é o lançamento de um único produto que irá fazer com que a empresa saia do atoleiro.

Alguém pode dizer: e as start-ups unicórnio? E os Uber, Spotfy, Airbnb, Impossible Foods da vida – elas não são empresas de um único produto? Até pode ser: mas nenhuma delas depende apenas do produto para ter sucesso. É o conjunto do contexto, mercado, marketing, visibilidade, qualidade e proatividade que engrossa (e permite) o caldo.

Apostar todas as fichas no produto dificilmente é sinal de maturidade estratégica. A maior parte dos Executivos e Executivas sabe bem disso.

Mesmo assim… volta e meia projetos salva-vidas aparecem no P&D.

 

O PROJETO PAGAR A BOCA

É, colega, você disse não milhares de vezes a projetos muito disruptivos, malucos e “coisa do marketing”, até o dia que The Big Boss falou: “prova que não dá certo, então”.

Você foi lá, fez o dever de casa, testou, re-testou, explorou os limites da formulação, fez de tudo para desestabilizar o bicho, e nada.

O produto segue estável, fresquinho, saboroso e cheio de bossa.

O famoso projeto paga a boca. Visionários e visionárias com tempo de cancha já se viram voltar humildemente para a mesa de reuniões para dizer: “pois é, eu não esperava, mas era possível”, para um sorriso orgulhoso de Big Boss.

Como não sabemos previamente quais serão os projetos “Só para se Aparecer” e quais serão os “Pagar a Boca”, acabamos tocando todos e deixando o destino – e a ciência – decidir por nós.

Aqui cabe um conselho importante da Tia: saiba diferenciar o que não existe ou é impossível do que você não sabe. Já vi muita gente dizendo que certas tecnologias não existem, ou são impossíveis, meramente por desconhecimento.

Visionários espertos pesquisam antes de colocar a barreira do não.

(Não só no Google, dear. Usem também o Science Direct e a Wiley)

E pagam menos a boca conforme vão dizendo mais sim às ideias revolucionárias que não saem da sua cabeça.

 

O PROJETO OVELHA NEGRA

Tadinho deste projeto, tão marginalizado. Alvo de algum tipo de disputa ou tabu interno, o Projeto Ovelha Negra é quase mantido em segredo dentro do P&D. Quem toca nele, corre o risco de para sempre ter a sua imagem manchada por ter ousado desafiar o status quo.

Nem sempre é claro, nos porões do P&D, que um projeto é alvo de tanta discórdia – mas, pasmem: projetos de desenvolvimento são razões para brigas homéricas na Alta Direção. É só um Executivo apoiar um projeto que vá de encontro às apostas feitas por uma Executiva. Ou que gere conflito com uma das áreas da empresa, que pensam que o negócio é commodities, e não especialidades.

Ai de você de não apenas tocar tal projeto. Mas ter a audácia de o liderar.

Projetos Ovelha Negra também podem nascer no seio do P&D – sem apoio de lado nenhum da empresa, uma cruzada pessoal de um pesquisador cabeça dura ( = você) frente a um mar gigantesco com “nãos” e “nuncas” flutuando.

Pobre Projeto Ovelha Negra, não é bem quisto. Ele pode até ser um superprojeto, poderia vir a ser um Projeto Salva Vidas. Mas sem apoio e cheio de controvérsias, seu destino é rumar em direção ao Mar dos Projetos Abandonados.

Nem a Deusa Ajudadora dos Novos Produtos poderá ajudá-lo.

 

O PROJETO OH, MY PRECIOUS

Como me disse uma das visionárias em um curso, “tem projetos que parecem que não são da empresa, são da pessoa”.

Típico Projeto Oh, My Precious.

Imagina que alguém pode falar do rebento. Imagina que alguém pode colaborar. Imagina que algo será compartilhado. Todos os louros são da pessoa, e as críticas que fiquem com você!

O Projeto Oh My Precious é muito comum em empresa altamente politizadas, onde o Mito do Herói corre solto. Alimentados pela crença de que se tornarão o Herói que Salvou a Empresa, Visionários e Visionárias desavisados (e um tanto quanto antiquados) desenvolvem seus projetos sozinhos, escondidos, sem mostrar para ninguém, sem pedir ajuda e sem nenhuma colaboração externa. Todos competem para ser o próximo Herói ou Heroína.

Em tempos de Inovação Colaborativa, lutar contra a tendência humana, demasiadamente humana, de se sentir dono de um projeto deveria ser uma tarefa diária. Líder de projeto é diferente de dono de projeto, concordam?

Contudo, por mais que os valores das sociedades evoluam, meu pitaco é que Projetos Oh, My Precious continuarão existindo por um bom tempo (se não, para sempre). E não é para o outro que devemos olhar, mas para nós mesmos.

Quais são os projetos que não deixamos ninguém tocar?


É, só entende o mar corporativo bravio que P&D tem que navegar quem já andou por esta águas. Mas vocês já escutaram, não é?

Mar calmo nunca fez bom marinheiro.

(Só não precisava ser tãããão bravio assim, não é, colegas?)


Qual é o projeto mais comum na sua empresa? (não vale redução de custos!)

Ah, e aceito contribuições! Tem outros tipos de projetos de P&D que vocês encontram na rotina?

Escreve para mim nos comentários!

Este post foi inspirado num capítulo do livro Food Industry R&D: A New Approach – escrito por Helmut Traitler, profissional com vastíssima experiência no assunto, muito mais do que essa que vos fala. O livro está à venda na Amazon.

😉


gestão de P&D
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Em julho, começa a Formação em Gestão de P&D em São Paulo e em agosto é a turma de Maringá que inicia suas atividades.

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Sobre Cristina Leonhardt

Mãe, viajante, escritora e apaixonada por inovação. Fundadora do site Sra Inovadeira e co-fundadora da Tacta Food School, onde atua como Diretora de Inovação para projetos de Gestão Estratégica de P&D e Desenvolvimento de Produtos. Mentora da Terra Accelerator. Eu quero que você alcance todo o potencial de inovação que existe dentro da sua empresa de alimentos. Se conseguirmos criar um produto diferenciado, não teremos mais consumidores. Teremos uma legião de fãs. Quer me conhecer melhor: pode me adicionar no Linkedin
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8 Comments

  1. Muito boa leitura! Abraços!

  2. E aumentar shelf life? Hahahahaha de 30 dias pra 365 dias hahahaah…

  3. Mauricio Esteller

    Olá Cristina

    Tenho um projeto Jornada nas Estrelas Discovery em andamento.

    Mas é tão cabeludo que só será possível na data estelar 2334.7 rs.

    Abraços!

  4. Mauricio Esteller

    Olá Cristina

    Tenho um projeto Jornada nas Estrelas Discovery em andamento.

    Mas é tão cabeludo que só será possível na data estelar 2334.7 rs.

    Abraços!

  5. Maria Alice Narloch

    E se… Ai meu coração!!!

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