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A NOVA LEGISLAÇÃO DE ALERGÊNICOS: PROBLEMA OU OPORTUNIDADE PARA O DESENVOLVIMENTO?

Existe uma lei no mercado: ou você ajusta as velas, ou seu barco para. O vento muda, a maré muda, o dia se transforma em noite, e você tem duas opções – mudar de acordo com isso, ou perecer no meio do mar, onde é bem mais calmo, mas também não tem movimento nenhum. Com as mudanças de legislação, é a mesma coisa. A mudança mais recente na área de alimentos, que vem trazendo complexidade para o mundo das indústrias de alimentos, é a RDC 26/2015, que trata da rotulagem de alergênicos. Na sua opinião, ela cria um problema ou abre uma oportunidade?

alergênicos - problema ou oportunidade

 

Esses dias fui a um evento da área técnica de alimentos sobre alergênicos, no qual um profissional presente fez a seguinte colocação (e os leitores e leitoras irão me perdoar o abandono na normal culta, em prol da exatidão das palavras mencionadas):

“Quem inventou essa merda de legislação?”

Eu entendo de onde vem a indignação.

Se você está numa pequena ou média empresa, dificilmente consegue se atualizar a tempo no emaranhado de legislações brasileiras. A não ser que você tenha em seu quadro alguém como o meu colega Dafne, da Alimentus Consultoria, que lê o Diário Oficial da União todos os dias quando acorda, é provável que você seja pego de calças curtas aqui e ali.

E estamos falando apenas de legislações sanitárias – pois existem legislações fiscais, tributárias, cíveis, ambientais, trabalhistas que você também terá que acompanhar. É legislação à beça.

Então, eu me compadeço da sua dor.

É muita legislação para pouco índio, poderia pensar o caro colega que se indignou acima.

Porém, vamos falar aqui da legislação de alergênicos, que vem tirando os cabelos de boa parte dos colegas que trabalham na área de Qualidade. O que esta legislação tem a ver com você, amigo e amiga que faz Pesquisa e Desenvolvimento?

Nada?

Vamos repensar isso?

QUANTAS PESSOAS TÊM ALERGIA NO BRASIL?

 

Não existem pesquisas epidemiológicas sobre este assunto no Brasil, mas a contar pela média mundial, temos em torno de 1 a 3% da população com alergia alimentar – num país com cerca de 200 milhões de habitantes, isso equivale a dizer que de 2 a 6 milhões de pessoas têm alergias alimentares.

Considere que, deste número, algumas alergias são notadamente localizadas na infância (porque o corpo humano parece se ajustar com o tempo). Quando uma criança tem alergia, a sua família inteira tem alergia – afinal, ela consome o que os pais compram. A tendência é que a família inteira passe por um processo de ajuste da alimentação (principalmente nos casos mais severos).

Podemos então, pensando numa família de 2,5 pessoas, ampliar este número para 5 milhões? Ou 15 milhões?

Fiquemos com os 5 milhões.

5 milhões de pessoas que são, de alguma forma, afetadas por alergias.

5 milhões de pessoas que somente compram produtos lendo atentamente o rótulo e, tendo dúvidas, ligando para os SACs das empresas.

5 milhões de pessoas que criam uma relação de fidelidade com as marcas que conseguem atender às suas restrições alimentares.

5 milhões de consumidores com necessidades especiais, que podem ser atendidos pela sua empresa.

 

Então vamos aqui pensar. Será que esta legislação é um problema, ou é uma oportunidade?

 

VAMOS A UM EXEMPLO PRÁTICO

 

Façamos um exercício: digamos que a sua empresa se chame INOVA e produza sorvete. Porém há um diferencial: a INOVA não usa leite na formulação, nem tem leite na fábrica, pois ela é voltada para o público vegano.

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A partir de julho deste ano, quase a totalidade dos seus concorrentes passarão a declarar leite entre os seus alergênicos – mesmo quem não possui leite na formulação. Mas não você.

A lei impede que você faça um ressalto da ausência, mas o consumidor alérgico é bem diferente do consumidor padrão. O alérgico lê rótulos. Se o seu produto estiver disponível em algum dos canais de vendas – e a sua empresa tem um site para se comunicar com o público, não? – o alérgico irá encontrá-lo.

Quer outra diferença do alérgico para o consumidor padrão?

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Ele é organizado. Foi por conta desta organização que a campanha Põe no Rótulo levou cuidadores para a Anvisa, para falar das dificuldades que tinham ao comprar e consumir produtos. (Esta campanha também evidenciou como somos frágeis em atendimento ao consumidor nos nossos famosos SACs, mas isso é tema para outro post.)

Então, o consumidor alérgico (ou o seu cuidador) encontrará o seu produto, e usará as suas redes pessoais para disseminar a informação. Será mais ou menos assim:

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Viu?

Você não tem mais um consumidor. Tem um fã ardoroso.

Talvez a Sorvetes Inova nem tenha inovado tanto assim. Talvez ela tenha feito uma coisa bem simples, lançado uma linha para o público vegano. Ao fazer isso, ela também atendeu ao público que é APLV – alérgico à proteína do leite de vaca.

(Não acredita no que eu estou falando? Então, vamos aos exemplos: aqui, aqui, aqui e aqui.)

 

UMA LEGISLAÇÃO CRIA REGRAS CLARAS

E você, que é uma pessoa esperta, vai usar estas regras a seu favor, não é?

Quando uma legislação é publicada, ela cria imediatamente uma linha a ser seguida. O mercado inteiro vai se modificar para atendê-la, uniformemente. O que significa que o que antes era uma iniciativa de algumas poucas empresas (e um cada um por si), agora é unificado, padronizado e facilmente disponível.

A partir de julho, teremos novas regras claras para rotulagem.

Você pode acertar neste novo mercado por tabela, como no caso da Sorvetes Inova, ou você pode acertar conscientemente. Você pode usar esta legislação DENTRO DA ESTRATÉGIA da sua empresa. Uma empresa moderna já se deu conta disso.

Vá lá, aproxime-se do público alérgico, participe dos fóruns de discussão, encontre o grupo de pais e mães da sua cidade. Descubra o que faz falta no cardápio.

Você já conhece estas redes, não?

Tem o pessoal da SOS Alergia. Tem a Gluten Free Box. Tem o pessoal do Põe no Rótulo. Tem o pessoal da associação da Síndrome Látex Alimentos. Tem os exemplos que citei mais acima. Tem muitas outras redes que estão em constante criação e crescimento.

Pense de que forma a sua empresa poderia atender a este público que não é apenas relevante em termos de número, mas também em consciência e organização.

Vai lá, caríssimo e caríssima colega. Inove. Mude o modelo da sua empresa – atenda a este consumidor.

Aposto que você tem em mãos recursos de que nem tinha se dado conta, não é?

Tem uma grande oportunidade que já se abriu para você.

Ou você não tinha ainda percebido?

 

Quer exemplos de empresas no Brasil e fora dele que estão jogando bonito?

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Minha Arte: empresa de uma das leitoras do Sra Inovadeira, faz produtos sem glúten em São José dos Pinhais, no Paraná.

 

 

 

 

 

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Dona Mesa: refeições prontas, cozidas em sous vide. Tem a linha Mandala, sem glúten e os principais alergênicos, elaboradas em uma cozinha central e distribuídas em dois pontos do estado de São Paulo.

 

 

 

 

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Daiya Foods: linha completa de substitutos de produtos lácteos, sem os oito alergênicos principais (contempla a legislação americana no assunto). Estados Unidos.

 

 

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Enjoy Life Foods: snacks sem alergênicos, em diversas categorias. Estados Unidos.

 

 

 

 

A Sra Inovadeira quer saber: tem uma empresa aí na sua região que está aproveitando esse momento para se destacar? Coloca o link para ela aí nos comentários: aqui a gente adora quem pensa fora da caixinha e faz diferente!

 

Sobre Cristina Leonhardt

Mãe, viajante, escritora e apaixonada por inovação. Fundadora do site Sra Inovadeira e co-fundadora da Tacta Food School, onde atua como Diretora de Inovação para projetos de Gestão Estratégica de P&D e Desenvolvimento de Produtos. Mentora da Terra Accelerator. Eu quero que você alcance todo o potencial de inovação que existe dentro da sua empresa de alimentos. Se conseguirmos criar um produto diferenciado, não teremos mais consumidores. Teremos uma legião de fãs. Quer me conhecer melhor: pode me adicionar no Linkedin
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