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QUEM ME CHAMA PARA INOVAR NÃO É P&D

Postado em 23/03/2023 por Cristina Leonhardt
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Minha tese ao criar a Sra Inovadeira: vou compartilhar conteúdo sobre gestão de P&D e Inovação e isso vai me fazer ser chamada pelas áreas de P&D que precisam elevar o nível de inovação de seus projetos.

A realidade¹: as áreas de P&D estão preocupadas em melhorarem seus processos de desenvolvimento de produtos.

A realidade²: quem está preocupado em ser mais inovadora é a Alta Gestão.

Essa chave caiu apenas recentemente para mim.

Até pouco tempo atrás, eu pensava que P&D queria inovar, mas não conseguia, porque a cultura da empresa impedia essa inovação de acontecer. No cenário que eu tinha na cabeça, os projetos de inovação realmente significativos não apareciam em P&D porque a empresa era avessa ao risco, a Alta Gestão não entendia de inovação e estava preocupada apenas com o curto prazo.

(Tudo isso continua sendo verdade. Em boa parte das vezes.)

O problema é que este cenário colocava P&D em um lugar de completa abertura à inovação. Só não inovava porque a empresa não permitia.

E isso: não é verdade.

Mais de 7 anos interagindo diretamente com todas as equipes de P&D de alimentos do Brasil – seja em cursos, palestras, consultorias, inúmeras mensagens nas mídias sociais ou, benza a Deusa, ligações (que ainda existem) – eu percebi que o buraco era um pouco mais embaixo.

Bem mais embaixo.

Aliás, bem, bem mais embaixo.

Você vê, as áreas de P&D são dominadas pela Engenharia. Pesquisa que fiz em 2020 mostra que mais de 51% dos profissionais da área de P&D são Engenheiros de Alimentos. E a engenharia, da qual posso falar sentada numa cadeira de engenheira, mas tendo andado pela Gestão e o Design, não é o mundo da Inovação.

É o mundo dos padrões.

Para produzir bem industrialmente, há que se padronizar. Não há discussão. A engenharia é o terreno da redução da variabilidade. Não à toa é daqui que metodologias como Lean e Seis Sigma se originam.

Certa vez, um professor do mestrado me falou: a gente deve evitar encaixar um fenômeno em uma teoria que a ela não pertence. Inovação é um fenômeno humano e social – mas a Engenharia tem um pouco de dificuldade de ver isso. Ela vê a Inovação como um fenômeno somente tecnológico – e aí, a tentativa de encaixe abrupto do Lean e do Seis Sigma na inovação.

Uma aberração.

(E o que falar da norma ISO para inovação? Meus sais.)

Então, o cenário foi se tornando mais nítido na minha mente.

A maior parte das equipes de P&D do Brasil não está interessada em inovar.

Inovar só traz problema. Alonga os projetos. Traz mais dúvidas a serem respondidas.

Não.

A maior parte das equipes de P&D está interessada em entregar projetos.

Projetos bem entregues, projetos que não deem retrabalho, projetos que gerem vendas e lucro.

Um nobre objetivo, sem questionamentos.

Mas uma coisa que todos os visionários de alimentos que estão por aqui há tempo suficiente sabem:

Novos produtos que geram vendas e dão lucro logo no lançamento não são inovadores.

Lançou, ganhou dinheiro, não inovou (o suficiente).

A inovação é um processo essencialmente social.

Quem vem da Engenharia (ou outras áreas ligadas às Ciências Exatas) e trabalha com inovação deveria precisa virar uma chavinha. Inovação é um processo essencialmente social, que depende de gente.

A coleta de insights é um processo social.

A geração de novos conceitos é um processo social.

Todo o contexto do projeto é um processo social.

A difusão da inovação é um processo social.

Tudo, do início ao fim, na inovação é social.

Tá, vou deixar ali uma caixinha para a parte do desenvolvimento tecnológico e atendimento às mil restrições que um projeto pode ter (regulatórias, custos, fabricação, etc.).

Mas, no fundo, quando se trabalha com inovação, se trabalha com gente.

E entender de gente, convenhamos, não é o forte das Engenharias.

A inovação é um mundo de perspectivas.

Quando se migra da Engenharia (ou outras áreas ligadas às Ciências Exatas) para o mundo da Inovação, a gente precisa abrir a cabeça para um monte de gente que nunca havia estado lá. Para começar, autores e autoras importam na Inovação.

Aliás, é novidade o simples fato de existirem autores e autoras. A Ciência pretende-se “neutra”, o que não é, então pouco se discutem autores, autoras e epistemologias na Engenharia. Se você vem deste mundo, faça-se a pergunta: qual é a visão sobre a engenharia à qual você adere?

Ao contrário, o mundo da Inovação, dentro das Ciências Sociais Aplicadas, é personalíssimo – para usar uma rica palavra do momento. É bom você logo saber quem é Simon, Rogers, Schön, Nonaka, Verganti, Ouden, Webb, se quiser ter um lugar neste universo. Pragmatismo, Estruturalismo, Complexidade: qual é a lente pela qual você enxerga o mundo? É bom saber para deixar de replicar conceitos com os quais nem concorda.

A perspectiva da Engenharia é relevante para P&D, certamente. Sem esta perspectiva, a caixinha técnica não se resolve no projeto. O conhecimento específico e profundo das tecnologias pode elevar o potencial de inovação de um projeto – evitando que se faça um novo produto mais do mesmo, igual à tantos outros que já existem.

Foco no pode.

Porque se P&D está interessado apenas em entregar os projetos, ele não está trazendo esse frescor tecnológico para eles.

Porque dá trabalho e leva tempo.

Para ser essa área estratégica que insufla ar fresco de tecnologia na empresa, P&D tem que ter a 4ª função incorporada (Monitorar o Mercado) – coisa que poucas empresas fazem como atividade contínua.

A inovação é dominada pelo Marketing.

Não é surpresa então que a inovação no Brasil seja dominada pelo Marketing.

Marketing é líder dos briefings, das pesquisas de mercado, dos projetos de longo prazo. Marketing é o líder dos lançamentos, das campanhas, dos indicadores de inovação. P&D é um prestador de serviços do Marketing.

(Para minha tristeza.)

E esse é um dos motivos pelos quais a inovação no Brasil não tem base tecnológica. Poucas empresas se lançam em desafios tecnológicos (com medo do risco, mas também) pelas lideranças do projeto não terem uma fundação sólida em tecnologia.

Eu amo Marketing, não me confundam. Estou há 7 anos sentada em uma cadeira de Direção de Marketing.

O que me incomoda, meus queridos visionários e minhas queridas visionárias, é a apatia de P&D quando se fala de inovação.

Entregar projetos é coisa para equipes pouco experientes de P&D. Se este é o seu caso, tudo certo – cada equipe tem que percorrer uma trajetória de aprendizado para aprender a inovar. Faz parte.

Agora, se a sua equipe já está no jogo há mais de 5 anos e vocês ainda só entregam projeto, está na hora de deixar o Tinder e propor um compromisso sério para a inovação. ?

Para quem a inovação importa?

Quando eu criei este site, a minha tese estava errada. Achei que P&D não inovava porque não deixavam.

Mas isso é apenas parte do cenário.

Quem está interessado em inovação (finalmente) é a Alta Gestão.

Que descobriu, recentemente, que suas áreas de P&D – que pensava serem um laboratório fervilhante de criatividade – não têm processos que levam à inovação. Os processos de P&D levam à padronização. E entrega de projetos.

Então, quem me chama para inovar nunca é P&D.

Sempre é o Marketing.

Ou a Alta Gestão.

Ou ambos.

Porque o Marketing, por saber inovar, senta na mesa da Alta Gestão, e P&D não.

Na Manbu, a empresa da qual a Sra Inovadeira faz parte, trabalhamos todos os dias, e apenas, com Estratégia de Inovação. Isso quer dizer que podemos ajudar a sua empresa em várias etapas da jornada de inovação:

seja mapeando tecnologias emergentes que serão o futuro do seu mercado e ajudando a desenvolver uma estratégia de adoção;

seja estimulando a cultura da inovação através de workshops, mentorias e palestras;

seja modelando novos negócios de maior impacto para a sua organização.

Quer inovar no mercado de alimentos? Vamos bater um papo e trazer esse futuro mais para perto.

Clique no botão abaixo e fale com o Fernando Pedroso, nosso Gestor de Contas, sobre os projetos que podemos fazer juntos.

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Uma resposta para “QUEM ME CHAMA PARA INOVAR NÃO É P&D”

  1. Leonardo Valzachi Rocha disse:

    Interessante isso. Eu não estou nessa pegada de servir a marketing ou alto escalão; apenas estou criando sketchs e projetos de P&D , para -quando tudo funcionar – soltar as máquinas na net e viralizar….não acredito que vender comida GMO seja o futuro; o futuro vai ser vender comida sintética com estruturas bioquímicas idÊnticas às naturais…nisto se baseia meu projeto; não quero grana nem fama, quero ver todas as pessoas do mundo sendo alimentadas 5x/dia gratuitamente e por período infinito de tempo “pra sempre”. Comida deve ser grátis , bonita, deliciosa, de aparência irresistível e com ótimo sabor, ainda que sintética….

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