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9 INICIATIVAS DE TRANSPARÊNCIA EM ALIMENTOS EM EMPRESAS BRASILEIRAS

A transparência em alimentos é uma das grandes bandeiras aqui do site. Eu acredito que, se quisermos sobreviver como indústria de alimentos, temos que reduzir os muros de proteção que criamos ao redor das nossas lindas empresas e entrar no Uber Pool com a galera.

Em breve, conforme a escolaridade e acesso à informação aumentam, não fará mais sentido esconder formulação, processo, contaminantes. Sensores portáteis irão escancaram o que você não informa no rótulo ou através do SAC.

Tudo será transparente – queira a sua empresa ou não. Se você não abrir o jogo, alguém o fará por você: e não será ensolarado o dia em que descobrirem as falcatruas ações questionáveis que você tentava esconder.

A transparência de alimentos pode parecer distante, tão distante, para quem lida com a parcela mais tradicional da indústria de alimentos. Pode parecer que em terras de Macunaíma, ai que preguiça, pensar que existem empresas que estão pensando em algo além da sobrevivência do mês seguinte e da redução de custos seja utopia.

Mas não é.

A transparência em alimentos está sim acontecendo. No Brasil. Para alegria geral da nação.

Como me disse o Fernando de Jesus: o futuro está acontecendo agora – é só observar. Ele não acontece ao mesmo tempo para todos, mas os visionários já sinalizam, muito antes dos demais, que caminhos que o mundo tomará. Basta observá-los.

Vamos então a exemplos das iniciativas que trazem transparência ao mercado de alimentos brasileiro:

 

COOPERATIVA LANGUIRU

Tenho que começar com a Cooperativa Languiru, sediada em Teutônia, RS. Este ano, a empresa criou um sistema de informações com o uso de QR Code, que dá acesso a informações sobre o recebimento, produção e análises realizadas para o lote de leite em questão.

languiru, transparência em alimentos

Basta escanear a caixa de leite com o celular, para ter acesso a um relatório bastante informativo, além de informações gerais sobre a produção do leite UHT. O projeto Qualidade do Início ao Fim hoje está implantado na linha de leite UHT da empresa.

Considerando que o leite é uma das cadeias de produção que mais sofreu nos últimos anos com questionamentos a respeito de sua integridade, a divulgação destas análises lote a lote pode ser um fator decisivo de compra para o consumidor mais atento.

A empresa me informa que a ampliação deste projeto para suas linhas de carnes processadas está em estudo. Infelizmente, não relatou dados sobre o acesso da página da campanha, muito menos sobre o impacto da companha sobre suas vendas.

A transparência se resume às análises por enquanto.

 

 

BROWNIE DO LUIZ

Luiz já vendia brownies desde 2005 no Rio de Janeiro, mas ficou famoso em 2011 quando foi ao programa da Ana Maria Braga mostrar ao Brasil como fazia brownie. E quando apareceu no Instagram da Tacta, claro.

Como o negócio começou justamente compartilhando sua receita (percebem a distinção de receita e formulação?), nada mais natural de que seguisse a linha conforme crescesse. Além da receita do brownie de chocolate, o site mostra o próprio Luiz compartilhando o modo de preparo (caseiro), e algumas informações a respeito de como os produtos são criados.

Além desta iniciativa, a fábrica abre as portas uma vez por mês para visitantes. No canal do Youtube da marca, a empresa também compartilha o processo produtivo do brownie branco, trazendo uma experiência real da fábrica para quem não pode visitar.

Muito bacana!

Fazemos votos de que a ideia de compartilhar as receitas e modos de preparo se estenda aos demais produtos da marca, que hoje já tem mistura para preparo de brownie, brigadeiro, brownie orgânico, picolés e brownies tradicionais nos sabores doce de leite, limão, chocolate branco, creme de avelã e maracujá.

(#ficadica: a gente aconselha uma revisão da indicação de alergênicos nos rótulos e no site 😉 A transparência deve ser homogênea e contemplar a todos os públicos interessados.)

 

UNILEVER

A multinacional Unilever causou um grande alvoroço este ano entre técnicos da área de alimentos, ao desafiar o consumidor avesso aos produtos industrializados a lhe conhecer melhor. Caso o visionário ou a visionária não tenha visto a peça publicitária, aqui vai.
nbsp;

Não tem como fazer esta lista sem mencionar o programa #meconheçamelhor.

É um ponto realmente excelente, que a meu ver toca no que falta para a indústria de alimentos ser menos atacada: derrubar essas barreiras e falar mais sobre seus ingredientes, receitas, modo de produção, sustentabilidade, processos decisórios, e tudo o mais que circunda as dúvidas de quem consome alimentos.

(Façamos aqui também já uma grande distinção: não é toda a indústria de alimentos que sofre com a desconfiança do seu público.

O pessoal do Brownie do Luiz e a fábrica de massas frescas que fica na frente da minha casa são dois exemplos que contrariam esta noção de que “ninguém me entende” e “estamos sob ataque”. Quem de fato está na mira da desconfiança é a Big Food, categoria da qual a Unilever – 103ª maior companhia de capital aberto do mundo – faz parte.)

Sigamos: belo vídeo, que faz um apelo emocional importantíssimo para a abertura e empatia das pessoas, umas com as outras. É compreensível que engenheiros, cientistas e tecnologistas de alimentos Brasil afora o tenham compartilhado em suas redes sociais – reverberando o texto que diz ao mundo “olha só, ninguém na indústria de alimentos quer matar você”.

Mas… que informação realmente encontramos no site da campanha?

Algumas informações sobre o programa de sustentabilidade da empresa:

  • de 2011 até hoje, a empresa custeou 70 projetos de apoio à agricultura sustentável;
  • 30 fazendas ganharam o título Fazenda Sustentável Knorr;
  • logo da Parceria da Sustentabilidade em Produtos que contém pelo menos 50% de produtos que foram cultivados de maneira sustentável, ou 100% do ingrediente principal cultivado de maneira sustentável
  • iniciativas de nutrição na África e doação de refeições no World Food Day.

Qual é o problema desta informação toda sobre sustentabilidade?

Não encontrei indicação alguma de que esteja falando sobre algo realizado no Brasil. Você pode ver que as únicas fazendas sustentáveis da empresa na América Latina ficam na Argentina.

Pontos para a transparência, porém a pessoa tem que ser o ninja da pesquisa até encontrar a informação.

Além das informações obrigatórias de rotulagem, o site não fala nada sobre o processo produtivo ou os ingredientes que a empresa usa – a não ser de forma bastante genérica (ou aqui). Não encontrei explicação sobre os aditivos, nem sobre como um caldo em cubo é feito.

Este vídeo, que começa bem, mostrando a plantação e o início do processo produtivo, dá ao final a impressão de que vegetais desidratados, de alguma forma mágica, se transformam num cubo dentro de uma caixinha.

Fiquei com aquela sensação de ter conhecido a minha amiga Knorr pelas fotos que posta no Facebook: só a parte boa. Para conhecer melhor a moça, ela precisa se abrir mais. 😉

E lembrando: a gente não quer só Marketing melhor. A gente quer comida melhor mesmo.

(#ficadica: a gente continua aconselhando aquela revisão básica da indicação de alergênicos no site ;))

 

BRF

A BRF testou durante o ano o uso de blockchain para aumentar a confiabilidade da rastreabilidade dos produtos – e fornecer algumas informações para os consumidores na ponta de gôndola. A preocupação aqui é mais com a questão de “food defense”, e não há informações de quando o projeto sairá na fase beta, mas é promissor que uma das nossas gigantes de alimentos esteja já em fase de testes para um projeto assim.

 

PREFEITURA DE SÃO PAULO

Por incrível que pareça, São Paulo não divulgava até este ano o cardápio das escolas municipais. (Sério isso? Alguém com filhos nas escolas públicas pode me confirmar esta informação da Prefeitura?) Pois bem, este ano a Prefs lançou o site Prato Aberto, onde os interessados podem consultar o cardápio das escolas.

O site ainda está bastante vazio e a informação do cardápio (que traz apenas o nome das preparações) ainda é muito aquém do que se espera para uma informação completa e transparente em alimentos, apesar de já ser um avanço . Fazemos votos de que a ferramenta se aprofunde em 2018, para atender às mais de 900 mil crianças e adolescentes alimentados pela Prefeitura.

 

NESTLÉ

Era de se esperar que uma companhia que se propõe a alimentar a primeira infância fosse deveras transparente: não há momento em que o ser humano se preocupe mais com a alimentação do que quando tem filhos. A consciência sobre o impacto da alimentação no desenvolvimento e saúde nunca são tão claro como quando você alimenta a um outro ser que depende exclusivamente dos seus cuidados.

O empreendedorismo materno é fato, e muitas vezes permeia a área de alimentos. Exemplos bem conhecidos dessa nova consciência sobre a comida são a Mandala Alimentos Especiais e o movimento coletivo Põe no Rótulo.

A página Nestlé Começar Saudável tem informações sobre cuidados na alimentação de bebês e crianças para mães, pais e cuidadores. O acesso é gratuito, mediante cadastro. É uma troca bastante significativa, que sem dúvida contribui para melhorar o acesso à informação de qualidade a respeito da alimentação na primeira infância.

Transparência: interpretação literal + alguma informação de processo. As @papinhasnestle mudaram o rótulo e aproveitaram para entrar na onda da transparência 🌊 Mas será que transparência é isso? Ser transparente é natural: será? Podemos argumentar que natural seria algo que segue as regras básicas da natureza - por exemplo, a de que os processos tendem espontaneamente aos estados de equilíbrio energético mais baixo. Bom, se fizermos uma analogia, seria o mesmo que dizer que toda a indústria está rumando à maior transparência (desde sempre), sem que nenhuma pressão tenha que ser feita para que isso aconteça. Ser transparente é espontâneo. #sqn Eu falo de como ser transparente na cadeia de alimentos no ebook: Abra a sua Caixa Preta, que você pode receber gratuitamente se cadastrando neste post: https://srainovadeira.com.br/abra-essa-caixa-preta-ideias-para-quem-quer-inovar-em-transparencia/ #transparência #srainovadeira #inovaçãodealimentos #papinha #visionáriosdealimentos #innovation #foodinnovation #inovação #consumidor #ebook #engenhariadealimentos #marketingdealimentos #ciênciadealimentos #tecnologiadealimentos #vamospensar

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Em Nossas Marcas, há informações sobre a produção das Papinhas: textos bem ilustrados falam sobre entrega, análise, seleção, pesagem e esterilização. Três vídeos explicativos desmistificam muitos dos mitos (tem conservantes, é tudo artificial) que circundam alimentos shelf-stable (primeira, segunda e terceira partes).

O que me incomoda: os três vídeos são reais até a hora em que a papinha é esterilizada. Veja como, na terceira parte, o vídeo traz uma representação artística aos 44s. Veja o tamanho do aviso, e quão realista é a representação.

Tão realista que, quando consultei a opinião de uma profissional da área, ela não encontrou. Site porrudo, cheio de informações, bastante transparência, para então uma derrapada dessas?

(Surpreende-me, também, que a recomendação de produtos com açúcar continua ocorrendo para crianças menores do que 1 ano, apesar das recomendações para redução de consumo de açúcar vindas da OMS.)

 

BRAHMA

A AMBEV também entrou na onda da transparência com o programa Brahma Aberta, que responde perguntas do público em geral. É um programa muito bacana, que inclui respostas em texto e vídeo, para muitas das perguntas que temos a respeito de ingredientes, processo, conservação, aditivos, alergênicos e outros.

Tenho dúvidas, contudo, sobre como as perguntas são selecionadas para serem agraciadas com respostas. Afinal, uma visionária próxima aguarda, há cerca de 1 ano, pela resposta a uma pergunta muito justa:

“Vocês mudaram a formulação e realizaram alguma redução de custo nos últimos dois anos?”

Perguntas similares, contudo, foram respondidas. Uma das respostas dá a entender que a receita da Brahma padrão tem 129 anos. Outra confirma: a Brahma é a mesma desde 1888.

Sério, Brahma? Há 129 anos você já usava cereais não malteados?

A minha pergunta então:

Podemos ver uma evidência da fórmula de 1888?

 

 

MCDONALDS

A rede mantém o programa Portas Abertas, com informações na internet a respeito de ingredientes e a promessa de visita em qualquer unidade do país (quem já fez o tour aí?).

Não está muito claro como agendar a visita, mas parece ser diretamente na loja desejada. Ela tem a previsão de durar 20 min, e contemplar higienização de mãos, armazenamento, chapa e fritura de batata frita.

Será que o programa também poderia abranger a produção do hambúrguer, para acabar de vez com a lenda do hambúrguer de minhoca?

(Eu conheço!)

 

ALMAÚNICA

Quem acompanha o Instagram da Sra Inovadeira deve ter visto: em janeiro deste ano, estivemos na Almaúnica, vinícola situada nos Vales dos Vinhedos. Uma das fundadoras nos atendeu ao balcão, e lhe perguntamos: “podemos conhecer a vinícola?”.

Lotada, com diversos outros enoturistas para atender, ela apenas indicou a porta que dava acesso aos tanques e à cave e nos pediu: “Poderiam conhecer por si mesmos? Não temos como acompanha-los agora.”

A Almaúnica entra para esta lista não por ter um projeto ou campanha de transparência. Mas por incorporar, na sua essência, este princípio básico da nova indústria de alimentos e bebidas. Simplesmente. Na rotina.

Sem página no Facebook, sem outdoor, sem alarde.

 


 

Deste round de iniciativas, fico com a sincera impressão de que a maior parte é feita única e exclusivamente para gerar publicidade positiva – e não com um propósito sincero de se aproximar do seu público consumidor.

Nada contra a publicidade em si: atitudes positivas merecem sim receber destaque na mídia. Programas como o da Languiru e do McDonald’s, e a postura da Almaúnica, merecem todo o destaque.

Contudo, permeia estas iniciativas uma certa timidez e um pouco de medo.

Nenhuma resposta é de fato profunda e completa.

Nenhum programa é de fato abrangente.

Estamos a caminho, mas ainda não chegamos lá, não é, indústria?

Mas eu vejo que você está tentando.

Parabéns!

transparência, inovação, sra inovadeira, P&D, R&D, pesquisa, desenvolvimento, indústria, alimentos, caixa preta, abra essa caixa preta, transparência em alimentosSe quiser, eu dou um helps: o nosso ebook “Abra esta Caixa Preta – Ideias para quem quer Inovar em Transparência” está recheado de exemplos e programas da indústria de alimentos mundo afora.

Bem dizer, uma consultoria.

Grátis. 😉

Sobre Cristina Leonhardt

Eu quero que você alcance todo o potencial de inovação que existe dentro da sua empresa de alimentos. Se conseguirmos criar um produto diferenciado, não teremos mais consumidores. Teremos uma legião de fãs. Quer me conhecer melhor - pode me adicionar no Linkedin: www.linkedin.com/in/cristina-leonhardt/
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2 Comments

  1. Daiana Censi Leripio

    Adoro o seu blog! Conheci por meio do grupo de Exponential Food. Trabalho com agricultura familiar. Posts lúcidos e muita clareza! Parabéns!

    • Cristina Leonhardt

      Obrigada, Daiana! Por aqui também somos muito fãs da agricultura familiar, arranjos produtivos e outras formas de manter o homem e a mulher ligados ao campo. Sigamos juntas inovando <3

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