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ISTO É DE P&D OU DE QUALIDADE? 14 ATIVIDADES NA INTERFACE ENTRE AS ÁREAS

Sra Inovadeira, esta atividade é de P&D ou de Qualidade? Entrei nesta empresa e querem que eu faça isso, mas não concordo! Isso é de Qualidade! Por que o P&D tem que fazer? Na empresa anterior não fazíamos.

Sentiu aquela identificação à primeira vista? Por aí a briga entre o que é de Qualidade e o que é de P&D corre solta também? Uma sugestão: não se irrite (demais) com isso. Como as áreas da empresa trabalham em um processo que busca transformar informações e insumos em produtos, serviços e informações para o mercado, é normal que haja alguma fricção nas interfaces.

Ao invés de reclamar, melhor sentar todo mundo junto numa mesa e definir qual é a área que melhor pode realizar cada uma das atividades de interface.

Vale lembrar que definições de áreas em empresas são convenções humanas. Como uma empresa convenciona que suas áreas serão segmentadas e distribuídas não guarda qualquer relação com como a empresa vizinha o faz. Tirando coisas óbvias (a etapa de moagem fica no setor Produção), eu já vi de tudo um pouco.

Já vi até gente de P&D que era responsável por fazer auditoria de novos fornecedores, uma atividade que é típica de Qualidade.

Tudo depende do mercado em que a empresa atua e do jeitão com que se fazem as coisas por ali. Também depende da função que P&D exerce para a empresa (você pode lembrar destas funções aqui e aprender como elas se refletem nos processos da área no nosso módulo de Gestão de Processos de P&D).

Se pensarmos numa escala da participação de P&D nos processos de Qualidade conforme a função, temos:

 

Manter o Mercado

Empresas que buscam apenas manter o mercado existente, sem grandes expectativas de lançar produtos inovadores, normalmente têm um P&D bem chão de fábrica, preocupado com melhoria de produtividade, aumento de rendimento, acompanhando PDCAs e fazendo redução de custo (a rodo, porque é o que temos para o momento). Boa parte da indústria B2C tem P&Ds assim.

 

Servir o Mercado

Empresas que atendem requisitos explícitos de cliente têm um P&D mais focado na área Comercial e/ou Marketing. Para dar conta rapidamente deste atendimento, o P&D normalmente se foca nos processos mais centrais de desenvolvimento de produtos e precisa que a área de Qualidade assuma seu posto nas interfaces. A grande maioria das empresas do mercado B2B (ingredientes, embalagens, equipamentos) tem P&Ds assim – com times de Qualidade fortes e atuantes para acompanhar os requisitos de qualidade de seus exigentes clientes.

 

Moldar o Mercado

Empresas que buscam criar soluções únicas e criativas no mercado têm um P&D focado em inovação. Enquanto que as atividades centrais de desenvolvimento de produtos têm uma grande participação nos processos de P&D, como estamos falando de produtos e processos novos para a empresa, é comum que atividades típicas de Qualidade sejam desempenhadas no início por P&D (por exemplo, análise de perigos e homologação de novos fornecedores) –  afinal, é o processo de aprendizagem organizacional acontecendo. Enquanto Qualidade está cuidando da rotina atual, P&D está aprendendo sobre os produtos e processos novos, para então trazer este conhecimento para a empresa.

Empresas que possuem times de Qualidade voltados a novos processos, mais integrados com P&D, podem não proceder desta forma. São raras.

 

Explorar o Mercado

 

Empresas que querem ser líderes na inovação tecnológica geralmente têm um P&D destacado para explorar as futuras necessidades tecnológicas do negócio. Neste escopo, temos um P&D trabalhando de 5 a 10 anos à frente do que o negócio faz hoje, o que normalmente implica em avaliar também as necessidades da Qualidade, para decidir inclusive se a tecnologia em questão se aplica à empresa.

Novamente, empresas que possuem times de Qualidade voltados a novos processos, mais integrados com P&D, podem não proceder desta forma

 

ISTO É DE P&D OU QUALIDADE?

Vamos então a atividades mais específicas que ficam na zona cinza de interface entre P&D e Qualidade. Algumas destas atividades foram contribuições de visionários de alimentos dos grupos de alunos da Tacta 😉

 

1. Criação da Especificação Técnica (de produto, de matéria-prima, interna ou externa)

A atividade de criação de uma especificação técnica é típica de P&D e faz parte das entregas do processo de desenvolvimento de produtos. Apesar de ser muito salutar que a Qualidade participe deste processo, é o P&D quem deve especificar o que é um produto acabado ou matéria-prima padrão. O papel da Qualidade, recebendo este documento, é garantir que o padrão seja atendido pela empresa.

Enquanto que a criação da especificação técnica é processo de P&D, a sua revisão normalmente é responsabilidade da Qualidade. Esta revisão pode ou não ter início em processos que começam em P&D (como melhorias de processo/produto ou redução de custo).

 

2. Rotulagem de novos produtos

Criar dizeres de rotulagem para novos produtos é atividade típica de P&D e também faz parte das entregas do processo de desenvolvimento de produtos. Apesar disso, é bem frequente a participação da área de Qualidade – mais especificamente, Regulatórios – neste processo. Afinal é muito mais barato revisar um rótulo antes dele ser impresso.

Não é à toa que a Formação em Gestão de P&D tem um módulo de Rotulagem de Alimentos: P&D tem boa parte da responsabilidade neste processo.

 

3.Homologação de novos fornecedores para insumos novos

Aqui caímos numa questão da função que o P&D cumpre para a empresa e, principalmente, do domínio que Qualidade tem sobre produtos e processos. Se o P&D é considerado o oráculo dos deuses na empresa, o receptáculo de todo o conhecimento técnico, é muito comum que a homologação de fornecedores de novos insumos caia sobre o seu colo, 100%.

(Veja que não estou falando da homologação de novos insumos – que está enquadrado no item 1 acima – mas sim de seus fornecedores.)

Homologação de fornecedores, contudo, é atividade típica de Qualidade – porém ela pode (e deve) ser acompanhada por P&D para produtos críticos. Para definir o que é um produto crítico, as áreas podem listar aqueles insumos cuja variação pode comprometer significativamente o alcance de conformidade no processo e/ou produto acabado.

Quando estamos falando da homologação de um fornecedor para um insumo novo, a participação de P&D tende a ser maior, afinal é uma das entregas necessárias para o desenvolvimento de um novo produto. (Partimos da lógica que um projeto só pode ser considerado completo caso o produto seja passível de ser produzido – o que não é verdade se Compras não tiver a informação de que fornecedor comprar.)

 

4.Homologação de Novos Fornecedores para Insumos existentes

 

Partindo do pressuposto que a especificação de insumos foi estabelecida, a homologação de novos fornecedores para insumos existentes pode recair completamente no colo da Qualidade, ou ser feita a mais mãos nos casos de insumos críticos.

Por exemplo, um insumo pode ser tão crítico que sua homologação exija um teste industrial com acompanhamento de P&D (ou não, caso a Qualidade domine muito bem este processo tecnicamente e não precise deste apoio).

 

5. Treinamento na Produção sobre novos produtos

É uma das saídas mais importantes de novos produtos, portanto é atividade típica de P&D.

Ponto.

Final.

 

6.Correção de desvios de processo

 

É comum que P&D tenha uma linha direta com a Produção para estes casos – o famoso telefone de Batman. P&D não para de apagar incêndios de desvios de processo ocasionados por erros, variações de matéria-prima ou outros.

Se este é o seu caso, visionário ou visionária, considere ler este artigo aqui para cortar o cordão umbilical que ainda o liga com os seus projetos antigos. Pense também em formatos de transferência de aprendizado que realmente promovam o conhecimento organizacional.

Correção de desvios de processo é atividade de Qualidade – ela cai sobre o colo de P&D quando a Qualidade não se sente segura ou não tem permissão para fazer tais correções. Se todas as vezes que a Produção lhe liga para corrigir o pH do produto você usa uma fórmula, é hora de passar a responsabilidade adiante.

 

(Aí vossa senhoria pode refletir por que não consegue tocar projetos novos, pois os antigos ficam lhe perseguindo ad aeternum, como fantasmas.)

 

Medidas corretivas que podem ser previstas durante a etapa de desenvolvimento podem muito bem compor a Ficha de Produção do produto, dando liberdade e permissão à Qualidade.

É claro que temos desvios e desvios: há variações imprevistas que acontecem na linha de produção para as quais ninguém está preparado. Nestes casos, vale até abrir um projeto (com briefing e tudo) para investigar o assunto no P&D.

 

7.Correção de fórmula para compensar desvios de matérias-primas

Num mundo ideal, as matérias-primas são sempre recebidas dentro da especificação e esta é estreita o suficiente para não causar qualquer desvio no processo/produto final.

No mundo real, trabalhamos com alimentos. A grande maioria das nossas matérias-primas vem da produção primária, o que significa ter que conviver com variações de cor, sabor, acidez, pH, brix, umidade, sabor, entre outros.

Aqui temos duas possibilidades: a ideal e a mais comum.

A ideal é uma Qualidade com grande competência técnica sobre os processos/produto final, que define estas correções conforme os desvios aparecem.

A mais comum é o telefone de Batman do item 6.

 

8.Avaliação para liberação de lote de produtos acabados

 

Avaliações de liberação de produção são atividades típicas de Qualidade.

Ponto.

Final.

(Especificação de produto acabado bem definida, o papel da Qualidade é fazer a avaliação cara-crachá para liberação. Caso nem isso ela faça por aí, o que exatamente ela faz?)

 

9.Avaliação para liberação de lote de insumos

 

Avaliações de liberação de insumos são atividades típicas de Qualidade.

Ponto.

Final.

(Especificação de insumos acabado bem definida, o papel da Qualidade é fazer a avaliação cara-crachá para liberação. Caso nem isso ela faça por aí, o que exatamente ela faz?)

 

10.Avaliação de produtos que tiveram reclamação via SAC e montagem da resposta

 

Houve um dia em que Qualidade de Alimentos não se resumia a Segurança de Alimentos – ela envolvia Satisfação de Clientes. Nos áureos tempos em que empresas de alimentos se certificavam em ISO 9001, e não apenas em FSSC 22000 ou outras normas aprovadas pelo GFSI, o maior objetivo da Qualidade era ser a Voz do Cliente.

Era garantir que os clientes daquela empresa tivessem seus requisitos atendidos – e isso envolvia atender ao SAC, receber e tratar não conformidades e dar os retornos adequados.

Responder reclamações de clientes é atividade típica da Qualidade. P&D pode ser acionado como área de apoio, para investigar, fortalecer ou ampliar a resposta de alguma forma, ou para alterar produtos/processos que estejam recebendo reclamações significativas – mas não é típico da área de P&D ser o responsável primário pelo SAC.

 

11.Acompanhamento da linha de produção para identificar problemas de produto/processo

 

Problemas em processos e produtos bem estabelecidos, com baixa variabilidade, são tipicamente acompanhados por Qualidade. Para isso, as entregas daquele projeto devem ter sido bem completas, com fluxogramas, parâmetros de processo e de liberação de produto bem detalhados. Para entender mais sobre isso, volte ao ponto 6 acima.

Já processos e produtos em fase de estabelecimento – por exemplo, ainda nas suas primeiras 10 produções – são tipicamente ainda acompanhados pelo P&D. Por mais testes industriais que tenhamos feito durante o projeto, muitas variações somente serão percebidas no volume de produção. Portanto, é uma atividade compartilhada com a Qualidade durante um bom tempo.

Vale lembrar que muitos produtos levam meses para alcançarem um número significativo de produções que permita a construção de cartas de controle, então este acompanhamento de P&D pode durar bastante tempo.

 

12.Definição e atualização de metodologias de análise

 

Metodologias de análise de liberação e de processo fazem parte da especificação de produto acabado e de insumos que, como o ponto 1 fala, é atividade típica de P&D. Portanto, definir quais metodologias serão empregadas é sim função de P&D.

Não tem como colocar na especificação apenas

 

pH = 5,0 – 7,0,

 

sem informar se o método é de leitura direta, a 1% ou 10%, por exemplo.

Agora, esta definição, até por experiência e conhecimento mais específico, é normalmente feita em conjunto com os colegas da Qualidade.

Atualizações de metodologias de análise são atividades típicas de Qualidade.

 

13.Análise de perigos de novos insumos, materiais de contato ou processos

 

Desenvolveu um novo produto, uma nova embalagem ou um novo processo: faz parte do processo de desenvolvimento entregar o produto seguro. É por isso que segurança de alimentos tem que ser incorporada nos projetos de P&D.

E também o motivo pelo qual análise de perigos para produtos, processos ou materiais de contato novos é atividade típica de P&D (apesar de que o mais comum é que caia no colo da Qualidade).

 

14.Registro de produtos no MAPA ou Anvisa

 

Apesar de que esta atividade é muito comumente realizada pela Qualidade ou pelo pessoal de Assuntos Regulatórios das empresas, ela é mais uma no rol de entregas de um novo produto – então também poderia ser executada pelo P&D.

Talvez seja um momento para relembrar que o P&D desenvolve produtos, mas quem lança é a empresa: então a área mais competente deveria executar a atividade. Neste caso, é bem provável que esta área mais competente seja mesmo Qualidade ou Regulatórios.

 

Percebeu que boa parte das atividades listadas ficam no meio termo entre P&D e Qualidade? Faz parte da questão da interface que as empresas aloquem tais atividades de acordo com a competência de cada setor em resolvê-las.

Portanto, novamente: distribuição de áreas e atividades são convenções humanas. Importa mais quem sabe fazer do que o nome da área em que está pessoa está.


Se você é de Qualidade, pode estar pensando: tem um monte de atividades aí que eu realizo, como assim são de P&D?

Bem lembrado, caro visionário de alimentos – Qualidade pode assumir muitos destes chapéus com louvor. Ainda mais em empresas que não possuem um departamento de P&D para chamar de seu: aí mesmo que é a Qualidade que fica responsável por realizar estas atividades.

Talvez seja o seu caso 😉


Agora, conta para mim: tem mais atividades na interface entre P&D e Qualidade que lhe deixam em dúvida? Deixa para mim nos comentários aqui abaixo!

 

 

 

 

 


Uma das coisas importantes que o Gestor de P&D deve ter em mente é que o processo de desenvolvimento de produtos não começa e acaba em P&D – o desenvolvimento e lançamento de um produto começa muito antes da criação do briefing e termina muito depois da primeira produção industrial.

Planejar bem as interfaces de P&D com as demais áreas e os processos que se dão para que as entradas e saídas seja adequadas é uma das funções mais importantes desta gestão.

Para jogar luz sobre o processo de Gestão de P&D, a Tacta Food School traz a Formação em Gestão de P&D – este ano acontecendo em Campinas, Lajeado, Fortaleza, São Paulo e Maringá.

Se liga na programação e garanta a sua vaga!

Sobre Cristina Leonhardt

Eu quero que você alcance todo o potencial de inovação que existe dentro da sua empresa de alimentos. Se conseguirmos criar um produto diferenciado, não teremos mais consumidores. Teremos uma legião de fãs. Quer me conhecer melhor - pode me adicionar no Linkedin: www.linkedin.com/in/cristina-leonhardt/
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2 Comments

  1. Marcela Duarte

    Post M A R A V I L H O S O Cris! E FISPQ?

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