INDICADORES DE P&D: CÁLCULO E IMPACTOS PARA A ESTRATÉGIA DE INOVAÇÃO

Postado em 01/03/2017 por Cristina Leonhardt
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Uma organização nasce do desejo de transformar uma ideia em um produto ou serviço. Quando alguém cria uma empresa, está criando um modo único de resolver os problemas de um usuário, uma forma própria para solucionar um dilema.
No início, um ou dois produtos são lançados, testados no mercado, e permanecem ou não no catálogo conforme forem os pedidos. Neste momento, os fundadores são a empresa: quando ainda é uma start-up, os desafios da empresa se confundem com os desafios dos fundadores. Os desejos da empresa são os desejos dos fundadores – e o aprendizado da empresa é o que os próprios fundadores estão aprendendo.
É fácil saber como as coisas estão indo. Afinal, os fundadores estão todos os dias se transformando em empresa, em todas as suas atribuições. A cadeia de valor inteira sãos os próprios fundadores e eles, a qualquer momento, sabem em que pé está cada um dos seus processos.
Essa cadeia se torna mais complexa conforme a empresa cresce. Com a adição de mais pessoas, os processos se ramificam e desafios, desejos e aprendizados se distanciam dos fundadores. Em determinado ponto, é difícil para qualquer fundador saber com exatidão se os processos desejados e planejados são executados como tal.
Nesta hora, a maior parte das empresas implementa uma forma de saber se as coisas estão andando como planejado: indicadores de processo. Afinal, é senso comum que “o que não pode ser medido, não pode ser gerenciado”¹. Assim, seguindo o bom senso, vamos colocando indicadores para Produção, Qualidade, Vendas, Contas a Receber… “ah, esse pessoal do P&D tem que ter um indicador também”.
P&D recebe um indicador também, e segue o baile para o RH.
2 reuniões depois, a empresa detém um mapa de indicadores para chamar de seu, que é analisado a cada reunião gerencial, e permite que seus fundadores (presidentes/diretores/whatever) vejam, numa projeção de slides, o que antes sentiam na pele: como andam as coisas.
Bom, acontece que há muito o que se falar sobre Indicadores de P&D – sobre o que medem, sobre o que não medem, e sobre o impacto que eles têm nas decisões estratégicas da empresa.
Para começar a conversa, é vital que o Gestor de P&D e a Alta Direção tenham total entendimento do que querem medir, da fórmula empregada, e das consequências daquele indicador. Inclusive, da inter-relação dos indicadores de P&D com os demais indicadores da empresa.
Cada indicador leva a uma consequência (ou mais) – e esta deve ser cuidadosamente alinhada aos objetivos estratégicos da empresa. Já vi muitos casos em que o indicador analisado em reuniões mensais levava a empresa a resultados diferentes do que ela esperaria inicialmente.
 


Para citar uma situação, determinada empresa tinha estratégia de aumentar a participação de especialidades no seu faturamento – derivado disso, a área de P&D tinha como indicador “vendas (em ton) de especialidades desenvolvidas nos últimos 12 meses”. Contudo, a área de Vendas tinha um indicador ligeiramente diferente: “vendas (ton) de produtos”.
Consequência: Vendas conseguia alcançar facilmente suas metas vendendo os produtos mais commoditizados – enquanto que o P&D ficava incentivado (de dentro da empresa) que fossem selecionadas as especialidades para os novos projetos de clientes. Como os visionários podem prever, vender commodities é um processo razoavelmente mais simples e rápido do que vender especialidades. Com isso, nem a área de P&D, nem a empresa como um todo, atingiam seus objetivos estratégico.


 
Para ajudar os visionários a determinar quais indicadores são mais relevantes para o processo de P&D e os objetivos estratégicos de suas empresas, vamos analisar cada um dos indicadores mais usados. Veremos fórmula, o que mede e quais são as ressalvas que devemos ter em cada um deles.
 
 

INDICADORES DE PRODUTIVIDADE

 
 

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INDICADORES DE INOVAÇÃO

 
 

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A semente deste post foi gerada quando fui ao 4º Fórum de Inovação do IEL/RS e fiz a seguinte pergunta à mesa redonda final.

Anunciei a pergunta via Facebook e fiquei aguardando a resposta do painel, para então ser surpreendida por uma resposta do tipo “inovação não se mede”. OK, entendo e até apoio – mas, e nós, reles mortais, que trabalhamos com P&D?
Eu gosto MUITO do indicador de falhas para responder à pergunta feita no Fórum. É uma resposta bem direta, não? 😉
Como os visionários puderam ver, existem diversos indicadores que podem ser usados este processo. O mais importante aqui é selecionar com atenção e entender bem o que ele mede e quais impactos são possíveis – para comparar com os objetivos estratégicos da organização.

Agora quero saber dos visionários: quais indicadores vocês usam para acompanhar o processo de P&D e de Inovação das suas empresas?

 
 
Ps 1.: A frase “o que não é medido, não pode ser gerenciado” é erroneamente atribuída a Deming, o pai da Qualidade. De fato, Deming escreveu, em seu livro A Nova Economia, algo “ligeiramente” diferente:

É errado supor que se não é possível medir, não se consegue gerenciar

Coisas muito importantes para o sucesso de qualquer empresa, como criatividade, engajamento, energia, clima e coragem de assumir riscos, são impossível de serem medidas. Por isso que o papel da liderança é tão importante, sentindo e vendo as coisas acontecerem, construindo uma relação sincera com seu time e criando um ambiente em que a confiança, e não o medo, seja a norma. Faça seu papel, gestor, e fique próximo ao seu time!
Ps 2..: Quer ver uma métrica completamente diferente, usada pela Forbes na sua lista das empresas mais inovadoras de 2016? Acesse este artigo (e descubra qual é a única empresa brasileira entre as 100 mais inovadoras do mundo).
Ps. 3: Você pode conferir o webinar sobre Indicadores de P&D no Youtube!


Quer ler mais a respeito? A Harvard Business Review tem um artigo muito interessante sobre ferramentas financeiras usadas em Inovação (e como elas matam a inovaçã0, que inclusive diz que as empresas continuam usando processos de stage-gate porque não sabem fazer de outra forma.


Indicadores de P&D é tema que eu trato no módulo de Gestão do Processo de P&D, na Formação em Gestão de P&D da Tacta Food School. Neste módulo, também falamos sobre briefing, entregas, revisão pós-projeto, seleção e ranqueamento de projetos e fluxograma de Pesquisa e Desenvolvimento.
Veja as próximas datas do módulo de Gestão do Processo de P&D aqui e venha conhecer as melhores práticas deste processo.
 

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Uma resposta para “INDICADORES DE P&D: CÁLCULO E IMPACTOS PARA A ESTRATÉGIA DE INOVAÇÃO”

  1. Daniela Conceição disse:

    Adorei o artigo…como sempre retratando a nossa realidade. Me encontro exatamente neste momento de seleção e “venda” dos indicadores do setor de P&D. Obrigada por mais esta contribuição.

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