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BARRY CALPINO: GRANDES EMPRESAS FAZEM INOVAÇÃO DE ALIMENTOS?

Uma das maiores dúvidas deste canal, também foi a pergunta de abertura da palestra de Barry Calpino, atual Vice-Presidente de Inovação da Conagra Brands. A palestra focou principalmente na experiência de 20 anos de Barry como líder de times de inovação de empresas de consumo nos EUA.

Usando como metáfora a feira de produtos naturais Expo West, que tem mais de 28 mil empreendedores, Barry começou mostrando a inovação de alimentos hoje é marcada pela atuação de milhares de pequenas empresas. Algumas com ideias “loucas”, mas que talvez sejam o grande sucesso de amanhã.

Por exemplo, ele cita uma empresa que combina manteiga com café – “a nova definição de saudável”, segundo Barry. Nestes pequenos expositores há muita energia, muito entusiasmo e muita esperança de que serão a próxima empresa do futuro, o que contrasta com o nível de energia que normalmente encontramos em stands de grandes empresas (vale citar aqui a minha experiência durante a APAS 2017, que ecoa exatamente isso).

Contudo, o palestrante também acredita que grandes empresas são capazes de inovar – apesar de que a narrativa atual da indústria de alimentos seja justamente a oposta. É como se as grandes empresas estivessem do Lado Negro da Força – para descrever seus processos de inovação, usa-se termos como falta de ambição dos projetos e mentalidade de curto prazo.

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“Entregue-se ao lado negro”

Para ilustrar a falta de ambição, ele cita o exemplo da Kraft, onde os projetos pequenos eram chamados de “Campo dos Sonhos”, numa tentativa de chamar a atenção a eles conforme o slogan do filme: “construa e eles virão”. Eram projetos lançados com pouco ou nenhum apoio da liderança da empresa, e fadados a serem esquecidos.

Já a mentalidade de curto prazo – algo com que os visionários devem se familiarizar – foi ilustrada pelos lançamentos de final de trimestre, chamados de “Plasma Sanguíneo”. Uma singela homenagem pessoal que doarem sangue por dinheiro na sexta-feira para conseguir a cerveja do final de semana.

Quantos de nós não vimos a Gerência Comercial na porta do P&D, pedindo pelos lançamentos para conseguir bater a sua meta de faturamento? Barry diz que estes lançamentos que aparecem apenas para conseguir fechar os números do trimestre normalmente fazem o senso de propósito ir para o espaço.

Um terceiro termo do lado negro de grandes empresas é a inexperiência – grandes empresas têm executivos extremamente experientes em uma serie de disciplinas de negócios, mas raramente com experiência em inovação. Inovação é uma disciplina em si, e a falta de experiência no assunto faz com que tais executivos e executivas a tratem de forma inadequada.

Além destes, Barry cita ainda a baixa tolerância ao risco, falta de coragem, política, silos, baixa velocidade de decisão, foco apenas interno, proteção à alta margem, alto volume e escala, rotatividade e muita burocracia como os principais empecilhos para grandes empresas inovarem, quando comparado com empresas menores.

Ele também cita o foco de grandes empresas no uso de palavras e números, que não é a forma com que o ser humano opera – nós pensamos mais em termos de sons, odores, imagens. Em pequenas empresas, principalmente as que estão rompendo o mercado, ele percebe uma orientação para o design thinking e uma preocupação grande com a embalagem e a forma dos produtos (algo que a ProperCorn acredita muito).

Como o grande símbolo do lado negro de grandes empresas, Barry fala da visão de espelho retrovisor: grandes companhias se animam com categorias apenas depois de elas serem grandes. De acordo com ele, é frequente que se analise os dados vendas para, entre as categorias que mais cresceram nos últimos 5 anos, selecionar as mais promissoras.

É comum que estas sejam justamente as categorias onde o crescimento aconteceu”, alerta o executivo.

Por outro lado, Barry compartilhou alguns dos sucessos de inovação que ele acompanhou em sua vida, como:

    • o lançamento da linha Mio, que criou uma nova categoria o mercado de refrescos e foi o lançamento de maior sucesso da Kraft em 20 anos;
    • a linha Belvita, que explorou o conceito de biscoito para o café da manhã;
    • o P3 da Oscar Mayer, um snack portátil com três tipos de proteínas;

 

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Inovação no setor de carnes processadas: ela existe!

  • a goma de mascar Five, líder da categoria por muitos anos e
  • o McCafé, um dos 3 maiores lançamentos de produtos de 2016.

Todos ganhadores do Nielsen Breakthrough Innovation Awards. Segundo ele, essas histórias mostram que quando grandes empresas usam a mentalidade de inovação, elas podem fazer coisas grandiosas.

Como então grandes empresas podem ter um lado negro tão grande e mesmo assim trazer ao mercado lançamentos tão empolgantes como estes? O palestrante começa a traçar a trilha do sucesso dizendo que “a primeira coisa é que as empresas precisam estar comprometidas e cheias de propósito desde o início, sem apoio [a inovação] nunca irá acontecer”, diz Barry.

Barry Calpino foi líder de um pequeno time destacado de inovação dentro da Mondelēz, o Projeto Viking. Seu desafio era lançar uma nova marca global de produtos, como Oreo e Belvita – em contrapartida, a empresa deu ao time autonomia e proteção para trabalhar.

Principalmente, o time recebeu liberdade para escolher que produto lançar – a ambição era grande, assim como o escopo do projeto. Quando o time foi formado, o conceito ainda não tinha sido definido pela empresa.

Grandes empresas têm grande foco em qualidade – têm grandes time de sensorial, sistemas robustos de segurança de alimentos, colocam muito esforço para manter os produtos dentro da sua identidade, o que é um fator positivo. Contudo, sem um produto e um design excelentes, dificilmente estes produtos poderão ter sucesso no mercado. Por isso, o Projeto Viking procurou colocar o mesmo peso nos dois aspectos do projeto. Barry chama esta atenção ao produto em si de “mentalidade de start-up”.

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O time está lançando no próximo mês a linha de biscoitos salgados Véa, clean label, sem corantes ou ingredientes artificiais, e com sabores regionais como coco tailandês e batata doce peruana. Apesar de ter sido um desenvolvimento global, com times trabalhando em vários países ao mesmo tempo, o custo do projeto foi apenas uma fração do investimento que seria a aquisição de uma nova empresa (ele usa o exemplo da venda de 1,7 bilhões de dólares da Bai Brands pela Dr Pepper’s em 2016).

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Concluindo a palestra, Barry faz uma recomendação para mudar o discurso às grandes empresas na audiência:
 

Tirem o máximo do fato de serem grandes: vocês têm os melhores talentos, muitos recursos – têm capacidades extraordinárias quando aplicadas com ambição”.

 
O que todas essas histórias de sucesso e inovação em grandes empresas têm em comum? De acordo com o executivo, ao longo dos seus 20 anos de experiência:

  • Todas contaram com o apoio da liderança sênior da empresa, o fator singular mais importante para o sucesso da inovação, na sua opinião;
  • Em consequência, todos os times tinham alta coragem e tolerância ao risco;

O seu conselho aos executivos e executivas presentes é: apoiem os seus times de inovação. Sem apoio, eles com certeza irão falhar.

 

Você pode baixar as palestras do evento aqui. As fotos oficiais do evento estão disponíveis aqui.


Quem acompanha o canal sabe que por aqui a gente também acredita que é possível inovar em grandes empresas, apesar de que o caminho parece não ser tão simples quanto em pequenas. A inovação mais radical parece estar associada a uma certa flexibilidade, capacidade de adaptação e mentalidade de longo prazo que não são comuns em empresas grandes.

Uma das questões aí é que grandes empresas contratam executivos e executivas de alto escalão, que precisam fazer valer o seu alto salário – derivado são comuns objetivos de curtíssimo prazo, para mostrar a que veio. Como disse Barry, o apoio da liderança sênior é crucial para que a inovação aconteça e tenha sucesso – e a falta de experiência dos executivos e executivas com esta disciplina parece ser outro grande entrave.

Pensem sobre isso, visionários e visionárias. Até que ponto a sua liderança está comprometida com a inovação? Se são líderes, até que ponto vocês estão comprometidos com a inovação?

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Lembrando do básico

Eu mostro um caminho inicial para alcançar a excelência na liderança de inovação neste post. Vale a leitura.


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Sobre Cristina Leonhardt

Eu quero que você alcance todo o potencial de inovação que existe dentro da sua empresa de alimentos. Se conseguirmos criar um produto diferenciado, não teremos mais consumidores. Teremos uma legião de fãs. Quer me conhecer melhor - pode me adicionar no Linkedin: www.linkedin.com/in/cristina-leonhardt/
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3 Comments

  1. Can you send me this article in English?

    • Cristina Leonhardt

      Hi, Jenna, how are you?

      So far, our website is portuguese only, so unfortunately I would not have an english translation on hand for you now. If you can wait a while, I can translate the article.

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