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UPCYCLED FOODS NA FANCY FOOD SHOW 2018

Nos dias 30 de junho, 1 e 2 de julho aconteceu em Nova York a Fancy Food Show, edição de verão da maior feira de alimentos especiais da América do Norte. A feira é um misto de tudo o que está acontecendo no setor alimentício americano: desde as grandes empresas tradicionais deste mercado até os pequenos novos entrantes, vindos de todas as partes do mundo.

Durante três dias, se encontram no Javit Center cerca de 34 mil visitantes, com mais de 2400 expositores, em busca dos novos – e antigos – alimentos que podem estourar nas gôndolas nos meses seguintes.

Sendo um grande encontro entre mercados tradicionais – como chás, queijos e carnes – com alguns recém-nascidos – como os alimentos upcycled – a Fancy Food Show é uma excelente oportunidade para ter um panorama do setor de alimentos. Eu estive os três dias na feira, conhecendo os produtos e fazendo entrevistas com representantes das empresas expositoras (na maioria delas, com o próprio fundador ou fundadora).

É uma feira de varejo – então quem circula por ali são principalmente atacadistas, varejistas e distribuidores, em busca de novos alimentos para colocar nas gôndolas. Parece haver uma dinâmica oposta à forma de entrada no varejo brasileiro: ao menos quem estava na feira parecia bastante ávido por colocar novos produtos na sua loja. Uma empreendedora comenta comigo que o varejista americano tem orgulho de ter sido a primeira loja em que determinado novo alimento de sucesso foi introduzido no varejo.

Nesta série de posts, vamos buscar agrupar os alimentos mais interessantes que apareceram na feira, começando pelos alimentos Upcycled.

Mas antes…

O QUE É UPCYCLING?

O upcycling é um termo ainda não traduzido para o português, que está ligado ao termo RECYCLING (reciclagem). Ambos representam formas de re-utilizar resíduos de alguma cadeia de consumo, contudo há uma diferença fundamental.

Enquanto que na reciclagem normalmente temos produtos de resíduos que têm menor valor do que o produto da cadeia que o gerou (pense numa reciclagem de plásticos, que gera sacos de lixo), no upcycling a ideia é gerar produtos com maior valor do que o resíduo ou que a cadeira geradora.

Criar valor a partir de resíduos que seriam descartados é, claramente, um dos grandes trunfos da indústria de alimentos, que ao longo dos anos encontrou muitos ingredientes de valor no que seria lixo ou efluente – basta pensar nas diferentes frações de soro de leite ou nos diversos produtos extraídos de ossos, sangue e vísceras de animais abatidos. De modo geral, o objetivo destes empreendimentos era duplo: reduzir o custo com o tratamento de resíduos e encontrar novas fontes de renda para a empresa.

O termo volta à baila hoje repaginado: o objetivo principal (pelo menos, o alardeado nas campanhas de marketing) é encontrar novos usos para alimentos de baixo valor ou resíduos destes, de forma a combater a fome e desnutrição, através da redução do descarte de alimentos. Coisa que, convenhamos, é um absurdo: a FAO estima que cerca de 1,3 bilhão de toneladas de alimentos são perdidas todos os anos no mundo. As perdas maiores são em frutas, vegetais, raízes e tubérculos – 45% do que é produzido se perde na cadeia. Você pode ver um infográfico aqui.

É claro que ao fazer upcycling as empresas também têm objetivos de negócio: capturar clientes, crescer, ter lucro. No final das contas, é um posicionamento estratégico de marketing, alinhado a estes tempos atuais em que as empresas precisam ter um propósito ao qual todos possam se alinhar – colaboradores, clientes e fornecedores.

 

 

UPCYCLING NA FANCY FOOD SHOW

Este ainda é um posicionamento razoavelmente novo no universo de alimentos, pois o entendimento, por parte do consumidor, de que não está comendo resíduo (ou de que é, na verdade, importante comê-lo) também é novo.

(Um parênteses: lembro-me de minhas áureas épocas de Supervisora do Serviço de Alimentação no norte de Santa Catarina, onde um dia tivemos a brilhante ideia de servir milho cozido em espiga em todos os restaurantes da cidade. Completa rejeição: milho quem come é porco, assim como abóbora. Nem tente servir abóbora, me disseram.)

Voltando à feira, a maior parte das empresas que estavam propondo upcycling estava na área da Seeds & Chips – justamente porque é um posicionamento alinhado com os desafios mais modernos do mercado de alimentos.

São elas:

Planetarians: proteína de girassol com mais de 80% de teor proteico, com potencial para ser aplicada em diferentes produtos.

 

Rise: farinha de grãos usados no processo de fabricação de cerveja, com alto teor de proteína e fibras. A empresa trouxe à feira a farinha aplicada em mix para brownie.

Coffee Flour: farinha rica em fibras derivada do fruto do café, um subproduto da indústria da café.

 

Nos demais pavilhões, encontrei mais dois exemplos:

Williwaw: snacks de pele de salmão, shelf-stable, um subproduto da indústria pesqueira chilena.

 

Barnana: a empresa, que já produz chips de banana, trouxe ao mercado os brittles da fruta – uma forma de aproveitar os resíduos do próprio processo e os rejeitos de banana desta cadeia. Uma empresa que atua num mercado similar é a Feitosa Gourmet, cujo fundador nos concedeu uma entrevista.

 

Veja as entrevistas realizadas com representantes da Planetarians, Coffee Flour e Williwaw durante a feira, onde explicam o seu produto e sua história.

Sobre Cristina Leonhardt

Mãe, viajante, escritora e apaixonada por inovação. Fundadora do site Sra Inovadeira e co-fundadora da Tacta Food School, onde atua como Diretora de Inovação para projetos de Gestão Estratégica de P&D e Desenvolvimento de Produtos. Mentora da Terra Accelerator. Eu quero que você alcance todo o potencial de inovação que existe dentro da sua empresa de alimentos. Se conseguirmos criar um produto diferenciado, não teremos mais consumidores. Teremos uma legião de fãs. Quer me conhecer melhor: pode me adicionar no Linkedin
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3 Comments

  1. Oi Cris, acho que teve um pequeno erro de digitação no artigo. o correto nao seria UPCYCLING? (tirando o L do após primeiro C).

    Abraços

  2. Ola Chris,

    Sou o Joao da Primor de Tijucas.. Concordo com o que responde pela rejeição e a ideia de comida para porcos.
    Justamente a Primor esta exportando com grande sucesso Pure de Abóbora Asseptico Reduzido.
    Isso mesmo. Alimento gourmet, com teor de umidade controlado por redução e sem vacuo, para nao extrair os oleos essenciais mais finos, como fazem os Chefs.
    Então sou mais um dos que acreditam na inovação e porque nao no UPCYCLING !

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