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QUEM TEM MEDO DA INOVAÇÃO, INOVAÇÃO, INOVAÇÃO?

Postado em 31/01/2024 por Cristina Leonhardt
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Há alguns meses, durante um Diagnóstico de Gestão de P&D, um caso me chamou a atenção. A líder de P&D relatava que a empresa lançava muito pouco. Que até existiam projetos de desenvolvimento de novos produtos, com início, meio e fim, mas bem poucos chegavam a ser lançados. A maior parte era descontinuada, logo antes dos projetos serem finalizados.

O motivo: medo.

De uma forma bem simples e sincera, ela me relatou que a liderança se empolgava com certas ideias, mas perdia a confiança conforme o projeto era desenvolvido. Contrastando com o entusiasmo que havia gerado a ideia do projeto, o seu final era cercado de dúvidas, descrédito e medo da performance do produto no mercado.

Eu ainda não havia refletido sobre o medo como um fator que leva ao conservadorismo na inovação de alimentos, mas fez todo o sentido para mim. Afinal, somos humanos, nossas decisões são racionais apenas até certo ponto, e temos milhares de incentivos contrários à mudança. Eu ainda não havia dado a isso o nome de medo.

Medo também foi a palavra que, algumas semanas mais tarde, um grupo de executivos e executivas trouxe enquanto falávamos sobre a comunicação da sua empresa. “Para mim, não tem que usar ninguém”, grita do alto um dos executivos, contrariando a ideia de que a comunicação deveria falar com todos os usuários, de todas as etnias, orientações sexuais, religiões. Ao medo de ofender os valores de alguém por mostrar famílias diversas, o executivo sugeria simplesmente não usar nenhuma pessoa nas peças de comunicação.

(Uma sugestão anacrônica, a gente sabe: foto do produto sozinho em uma montanha de conteúdo pouco engaja.)

Medo. E parece todo mundo adulto, tomando decisões sérias e racionais de milhões de reais, surfando nas ondas das tecnologias.

A gente esquece que é guiado por emoções básicas. Como o medo, a raiva, a alegria, a tristeza, a felicidade. Que nossa avaliação de tudo no mundo é sempre subjetiva, atravessada pelas nossas experiências e vieses, longe de qualquer racionalidade absoluta.

As decisões de uma Diretoria podem muito bem ser pautadas por fatos e dados, inúmeras análises e planilhas, mas no final das contas, sempre serão tomadas por pessoas, imersas em um contexto cultural. A subjetividade está sempre presente.

Quando eu falo com meus clientes de Inovação Estratégia que o nosso olhar para a inovação é cultural, é por compreender que aspectos culturais serão muito mais relevantes para os resultados de inovação do que qualquer bom processo que implementemos na empresa. Apesar de que Peter Drucker nunca disse que a cultura come a estratégia de café da manhã, este “mantra de negócios” que coloca as duas dimensões da organização como antagônicas, é bastante conhecido. Trazendo para o nosso contexto: um bom processo de inovação não dá conta de uma liderança que tem medo da incerteza.

A gente tem que primeiro olhar para este medo, entender de onde ele vem, construir as bases que podem se transformar em confiança e então montar bons processos de inovação.

Só que tem uma pegadinha.

Há mais de um tipo de medo da inovação

O medo é uma emoção negativa, causada pela percepção de possíveis ameaças e consequências adversas de não atingir os objetivos.

Foca na questão da percepção. A forma como percebemos o futuro, o projeto, a inovação, e como avaliamos as possíveis consequências negativas moldam nossas reações e suas intensidades ao medo de falhar.

Então, está tudo ligado à nossa percepção sobre o futuro e sobre nossas competências para lidar com o desafio à frente. Se consideramos que temos competências suficientes, o medo pode até ser um motivador. Caso nos avaliemos como incapazes, o medo é um inibidor.

Poderíamos pensar rapidamente que o medo da falha é a causa única do medo da inovação. O que vai acontecer conosco, comigo, com a empresa, se este projeto não der certo? Melhor nem tentar.

Mas veja que interessante a complexidade humana: um segundo medo coexiste com o medo da falha. É o medo do sucesso – o medo de todos os custos que o sucesso pode trazer: perda de amizades, isolamento, alienação.

É um paradoxo. Por um lado temos medo de que fracassemos. Por outro, podemos também ter medo de ser bem-sucedidos.

No final das contas, parece que a gente não curte mesmo a mudança.

(Adivinha?

O medo do sucesso é um preditor da síndrome do impostor, que restringe especialmente o sucesso de mulheres. Se você é mulher, sabe bem do que estou falando – o que irá acontecer com a sua vida social e familiar caso ganhe aquela promoção que lhe fará viajar mais? Quantas vezes você já escutou das suas amigas que preferem não ter um cargo de liderança, pelo fardo que ele carrega consigo?

Tudo medo do sucesso.)

Como superar o medo da inovação

Quando a gente compara a realidade das empresas com o futuro que elas almejam, a distância muitas vezes é imensa. Tenho clientes que querem quadruplicar o faturamento em 10 anos. Apoio empresas que precisam deixar de vender commodities e nem têm P&D ainda.

O tanto de trabalho entre a realidade e o desejo é imenso, assusta, e pode parecer intransponível.

Nestas horas, é bom lembrar que a inovação é uma escadinha. A gente constrói nossas competências de inovação um degrau por vez. E um degrau por vez está dentro do território do possível, do aceitável, do confortável – dificilmente gera medo.

Cada projeto de inovação carrega consigo gatilhos de mudança – as contradições entre aquilo que a empresa já faz e o que precisa ser feito para que a inovação seja implementada. Isso quer dizer que cada inovação causa alterações na própria cultura da empresa.

Uma visão de mudança organizacional bottom-up a partir de projetos

Algumas destas alterações são pequenas, e passam quase imperceptíveis – produtos muito incrementais, quase iguais aos que já se vende, pouco precisam de mudança. Agora, projetos mais inovadores, que mudam a tecnologia, a forma de atender, os territórios de atuação, tensionam mais fortemente esta cultura e vão aos poucos causando uma transformação.

Uma forma de superar o medo da inovação é expandir as competências de inovação aos poucos, para expandir os possíveis adjacentes da empresa – aumentando as condições que a empresa tem para que a inovação seja cada vez mais possível.

Expandir os possíveis adjacentes pode ser desenvolver novos produtos cada vez menos incrementais, ampliar o time de Vendas, treinar o time, trazer pessoas de TI para os projetos de Inovação, contratar pesquisas de mercado antes de lançar novos produtos. Uma avaliação das competências da empresa para a inovação pode identificar quais são deficitárias e estão minando a confiança da Alta Gestão.

O papel do exemplo

Se todo mundo ao nosso redor tem medo da inovação, será que a gente consegue ser inovador?

Pessoas inovadoras nos ensinam pelo exemplo, pela comparação social, pela observação, pela imitação (ou prevenção) de certos comportamentos. Outro fator relevante para superar o medo da inovação é repensar o seu círculo social e buscar fazer conexões com outros profissionais em contextos de maior risco. Isso pode significar participar de eventos de tecnologia, buscar mentorias de inovação,

Os líderes com inclinação à inovação no círculo social também aparecem na Difusão da Inovação: os early-adopters são os líderes de opinião que fazem com que a inovação se difunda pelo grupo social. A sua recomendação faz com que a inovação se espalhe – tanto na adoção de novos produtos, quanto na de novas práticas.

Isso serve para nos lembrar que, além de sermos seres com racionalidade limitada, somos também seres sociais. Tomamos decisões em bando. Sentimos medo em bando – e podemos superar este medo em bando. O conforto e a confiança nos processos de inovação da sua empresa vêm tanto das suas características pessoais, quanto do grupo social ao seu redor.

É natural que a inovação cause medo – e muita gente se perde ao tentar esconder que ele existe. Melhor é encarar o medo, ir com medo mesmo, e exercitar as suas competências de inovação aos poucos, seja subindo aos poucos a escadinha da inovação ou buscando modelos de comportamento inovador.

Um olhar cultural para a Inovação

Por entender que aspectos culturais e psicológicos não podem ser deixados de lado em uma Boa Gestão de Inovação, a Manbu – a empresa de consultoria da Sra Inovadeira – se reposicionou este ano.

Somos agora uma Consultoria em Inovação Estratégica, Food Design e Pesquisa de Consumo Alimentar, com um time que reúne as abordagens do Design, Engenharia de Alimentos e Antropologia.

Porque a gente não precisa esconder nossos medos. A inovação tampouco precisa ser o lobo mau da nossa jornada profissional. O que a gente precisa é compreender que somos humanos e usar toda a potência da nossa criatividade para inovar.

Quer saber mais sobre as estratégias de inovação que podemos oferecer para a sua empresa? Clique no botão abaixo e fale com o nosso Gestor de Contas.

Nem todo mundo concorda que a Cultura come a Estratégia no café da manhã. Vale a pena ler esta perspectiva que nos recorda que uma boa Estratégia deve ser também capaz de mudar a Cultura. Ao invés de enxergar estas dimensões como forças opostas, pode fazer mais sentido considerá-las aspectos complementares da Gestão.

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