A NÃO DE QUEIJO QUER MUDAR A RELAÇÃO COM O ALIMENTO INDUSTRIALIZADO

Postado em 21/03/2018 por Luciana Monteiro
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Sonhar grande dá o mesmo trabalho que sonhar pequeno, não é?
E por que não sonhar com um melhor relacionamento da indústria de alimentos com seu consumidor, sendo transparente e trazendo segurança e confiabilidade? Esse é um dos sonhos da Não de Queijo.
E o sonho não precisa ser só um, eles também querem fazer com que as dietas de restrição deixem de ser um motivo de exclusão na vida das pessoas.
E para isso, antes de qualquer coisa, eles foram entender os consumidores de seus produtos e viveram na pele, o que ter uma alimentação diferente. A Edinere e o Paulo nos surpreendem nessa jornada de empreendedorismo, com suas descobertas, aprendizados e paixão pelo negócio.
 


 

NÃO DE QUEIJO

Entrevista com a co-fundadora, Edineri Smaniotto
não de queijo
 

Conte-nos um pouco sobre a história pessoal dos fundadores: quem são vocês e como chegaram aqui?

Eu sou farmacêutica e o Paulo é engenheiro mecânico. No final de 2014, devido à situação econômica do país e a um acidente que afastou o Paulo por um período longo, ele foi desligado da empresa em que trabalhava. Nosso casamento estava marcado para fevereiro de 2015 e nossa proposta era fazer todos os doces da festa.
Nós dois tínhamos afinidades com a culinária, o Paulo já tinha feito curso de Chef em 2003 e durante o ano de 2014 tínhamos feitos vários cursos juntos na área. A experiência de trabalharmos juntos fazendo algo que gostávamos foi muito produtiva e sentimos que surgia aí uma oportunidade.
Depois do casamento começamos a trabalhar com pratos italianos congelados de maneira informal, mas não era exatamente o que queríamos. Então começamos a buscar alternativas, com pratos congelados e sem glúten, foi aí que nasceu o Não de Queijo.
 

Quando e como a empresa nasceu?

A ideia do Não de Queijo surgiu entre maio e junho de 2015, quando buscávamos algo mais alinhado com nossos ideais. Queríamos um produto que atendesse à uma necessidade do consumidor com restrições alimentares, e que pudéssemos torná-lo disponível e acessível. E ainda, gostaríamos de estar envolvido em uma mudança no relacionamento do consumidor com a indústria de alimentos, para trazer maior confiabilidade e segurança ao segmento em que pretendíamos atuar.
Eu passei dois meses desenvolvendo a receita e consegui uma qualidade sensorial muito boa. Nós também aderimos à dieta de restrição para perceber a real dificuldade dos indivíduos com condição de saúde que não podem consumir glúten.
O próximo passo já era mais complicado, o desenvolvimento do plano de negócios, o planejamento de instalação de planta produtiva, previsão e controle dos riscos, as análises de mercado e efetivamente chegar às perguntas corretas que seriam respondidas pelo produto. O fato de termos optado pela fabricação de um produto livre de glúten e diversos outros alergênicos também trazia em si algumas dificuldades. Foi preciso começar direto em um prédio próprio para esse processo, com equipamentos e materiais novos, toda a adaptação aos requisitos sanitários e aos diversos controles de rastreabilidade, que já havíamos definido que queríamos.
Nossa ideia era ter um processo o mais próximo possível de atender a ISO 9001, desde o começo.
 

Qual o grande sonho e propósito da empresa?

Temos 2 grandes sonhos.
Um é mudar de alguma forma a maneira que com nos relacionamos com os alimentos industrializados. E quando digo industrializados, quero dizer qualquer alimento que passe por um processo de beneficiamento antes de seu consumo. Ter mais informações disponíveis a respeito não só dos ingredientes, mas também dos processos. Nos ingredientes e rótulos já são sensíveis as mobilizações e evoluções conseguidas nesse campo nos últimos anos, mas ainda há muito a melhorar. Mas sobre o processo hoje é quase inexistente qualquer informação a respeito, e é muito comum que não saibamos o que acontece com os alimentos que compramos. Estamos trabalhando para oferecer a maior transparência possível para nossos clientes e consumidores sobre absolutamente tudo que acontece na nossa cadeia produtiva.
O outro é levar opções de alimentos seguros para pessoas que tenham algum tipo de restrição alimentar, patológica ou ideológica. Que estes alimentos sejam acessíveis a todos os paladares, para haver o compartilhamento de alimentos durante uma refeição, deixando de lado a segregação que as restrições alimentares podem gerar no momento da refeição.
 

Como é trabalhar com projetos inovadores disruptivos na prática? Que desafios e surpresas vocês encontraram no caminho?

É muito legal, porém desafiador. Ser empreendedor não é uma tarefa fácil. Grande parte das obrigações legais, às vezes, são obscuras e de difícil acesso. Porém, empreender também permite criar produtos e tocar o negócio alinhado com seus valores, e isso não tem preço. Ter a oportunidade de comercializar algo que você acredita e realmente compraria, quando visse numa gôndola, é muito gratificante.
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Os maiores desafios são os fornecedores. Encontrar empresas que estejam comprometidas com os alergênicos, e que tenham condições comerciais viáveis para nossa estrutura, é o maior desafio para conseguir trazer os projetos da bancada para a linha de produção.
 

Por que vocês consideram que a sua solução é única no mercado em que atuam? O que fez vocês acreditarem nela e colocarem a empresa em prática?

Hoje existe uma lacuna muito grande no mercado de restrições alimentares. A sensação que dá ao ver a grande maioria dos produtos nas gôndolas é que as empresas precisam desesperadamente desenvolver um produto para este segmento.
Porque existe demanda, porém o que vemos hoje, tem um sabor muito ruim.
Grande parte das pessoas com dieta de restrição conhecem os produtos tracionais, e veem a grande diferença entre eles. Conseguimos desenvolver um produto muito similar, e isso remete às memórias afetivas das pessoas.
Muitos clientes nos relatam que seus familiares que não tem restrição alimentares já aderiam ao nosso produto também, e hoje preferem ele ao tradicional. Isso resgata os laços familiares que, muitas vezes, durante o compartilhamento de uma refeição, podem ser perdidos, quando alguém da família possui restrições. É muito emocionante ouvir dos nossos consumidores que eles retomaram esse momento de compartilhamento na vida deles.
 

Qual é o conhecimento importante para o negócio que você não tinha antes de fundar a empresa? Como conseguiu trazer esta expertise para o negócio?

Começamos do zero, quando iniciamos não sabíamos nem como criar um plano de negócio. Precisamos estudar um pouco para entender melhor as questões comerciais de uma empresa e o financeiro. Porém o Paulo já tinha experiência com Lean Manufacturing, ISO e várias outras ferramentas de gestão de indústria. Isso nos ajudou muito a estabelecer todos os processos dentro da empresa.
 

O capital para iniciar a startup foi próprio ou de investidores? 

O capital inicial foi próprio, vendemos o carro, começamos a tirar a ideia do papel e fomos até onde conseguimos. Os primeiros anos do negócio são bem duros e alguns passos necessitam de investimento. Em diversos pontos fomos atrás de investidores para conseguir ir em frente.
 

De que forma vocês incluem o consumidor nos desenvolvimentos de novos produtos? Vocês trabalham com co-criação? Tem exemplos para citar de projetos em que o consumidor esteve envolvido?

Hoje nosso processo de P&D começa na empresa, identificamos vazios no mercado e trabalhamos nos projetos de desenvolvimento. Quando temos um produto que atende às características básicas que queremos, rodamos um lote piloto e distribuímos para alguns consumidores e clientes. Os ajustes são feitos de acordo com as observações resultantes deste processo.
No próprio Não de Queijo, ainda fazemos ajustes de acordo com a voz do consumidor, para nós a melhoria continua é muito importante.
não de queijo
 

Inovar é um risco, empreender é um risco, o que fez você ter coragem em ir para o mercado com a sua solução?

Quando chegamos à fórmula final do Não de Queijo, não havia dúvidas de que deveríamos colocar o produto no mercado, estávamos muito confiantes. Os riscos são inerentes à operação e vão sempre existir, são ótimos balizadores do negócio.
Acreditamos que a única maneira de mudar as coisas é fazer diferente e vemos diversos empreendedores fazendo diferente também, essa foi uma pista de que estávamos no caminho certo e deveríamos ir em frente.
 

Quais são os seus principais aprendizados até agora?

A cada melhoria tínhamos a expectativa de facilitar as coisas, podemos mudar tal processo para levar menos tempo, podemos trocar de máquina para dar menos trabalho… cada uma dessas mudanças trouxe consigo oportunidades.
A cada passo desses, o negócio cresceu e o trabalho veio junto. A lição que fica é seguir em frente, o mercado não para, temos que estar o tempo todo atentos, atualizados e prontos para ir a diante.
Não fica mais fácil, nunca!
 
 
 
Você pode entrar em contato com a Não de Queijo através do Instagram ou Facebook.


sra inovadeira
 
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