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INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL EM P&D: ENTREVISTA COM LUIZ AUGUSTO SILVA, PRESIDENTE DA NOTCO BRASIL

A velha questão “seres humanos serão substituídos por robôs?” ganha um novo combatente, e agora na área de P&D de alimentos: a empresa chilena NotCo. Fundada em 2015, a empresa emprega inteligência artificial em uma das etapas de desenvolvimento de produtos e dominou a mídia brasileira de negócio em 2019. Você já tinha ouvido falar deles aqui no site em 2018.

Outros exemplos do uso da inteligência artificial – ou de alguma forma de automação de processos – que já apareceram aqui incluem a Flavorwiki e a Foodparing. No Horizonte 19 Food este ano, discutimos também a Nuritas, que auxiliou a Basf no desenvolvimento de peptídeos bioativos.

No caso da NotCo, esta inteligência ganhou até nome: ao melhor estilo Homem de Ferro, chama-se Giuseppe (em homenagem ao pintor renascentista Giuseppe Arcimboldo).

Verão, Giuseppe Arcimboldo

Para entender melhor a relação da NotCo com o uso inteligência artificial, eu entrevistei Luiz Augusto Silva, presidente da NotCo no Brasil.

 

Poderia explicar o que faz o Giuseppe? Como funciona?

O Giuseppe é uma tecnologia própria da NotCo, um algoritmo criado por dois de nossos fundadores que formula as nossas receitas. Ele entende a estrutura molecular de alimentos de origem animal e busca em sua extensa base de dados qual a combinação de vegetais que irá gerar um alimento com mesmo sabor, textura, aroma e aparência daquele alimento que queremos recriar. O algoritmo nos dá a receita e nossos chefs e cientistas testam essa receita na nossa cozinha laboratório. Depois, se necessário, retroalimentam o Giuseppe com seus feedbacks, para que se chegue na receita ideal. Com o Giuseppe mudamos a forma de produzir os alimentos, mas sem mudar a experiência que os consumidores têm com os alimentos que amam comer.

(Veja a ferramenta em uso no vídeo abaixo)

 

Usar a Inteligência Artificial no desenvolvimento de novos produtos é uma forma de garantir ou predizer mais sucesso no mercado? Que vantagens uma companhia pode ter no uso desta tecnologia?

Usar Inteligência Artificial nos permite otimizar e acelerar o processo de pesquisa e desenvolvimento das nossas receitas. Com o Giuseppe otimizamos tempo e recursos em relação ao que o ser humano precisaria para buscar as infinitas combinações possíveis de vegetais. Além disso, nos permite explorar uma base muito maior de plantas do que a indústria tradicional usa.

(Vale reforçar que o impacto da inovação é uma função do tempo em formato de U invertido – ou seja, há um pico ótimo para o lançamento de produtos, algo que já discutimos aqui.)

 

Poderia nos contar alguns casos de desenvolvimento e como os produtos se comportaram no mercado?

A base de dados do Giuseppe é tão extensa que nos permite recriar qualquer alimento à base de ovos, leite ou carne. E, com isso, podemos adaptar nossos lançamentos de acordo com o mercado em que estamos. Estamos estudando o paladar do brasileiro e o que ele gostaria de ver no mercado. Isso significa que, mais para frente, podemos lançar por exemplo um leite condensado à base de plantas.

Nossos produtos têm uma receptividade boa no mercado. No Chile, a NotMayo se tornou a terceira marca mais vendida em apenas um ano. E desde que começamos as vendas por lá, em março de 2017, já aumentamos três vezes a nossa produção.

 

Que partes do desenvolvimento de um produto o Giuseppe é capaz de substituir? A etapa inicial de ideação e a análise sensorial para decisão da melhor formulação são substituíveis?

O Giuseppe otimiza a parte de pesquisa e desenvolvimento dos produtos, mas não a substitui completamente, ela ainda existe. A análise sensorial é feita por nossos chefs, cientistas e consumidores.

O Giuseppe é capaz de encontrar os ingredientes vegetais que deveríamos combinar, e como combinar, de tal forma que imite quase à perfeição um produto de base animal. Seu trabalho consiste em delimitar o espaço de busca de combinações – que são muitas -, baseadas em ingredientes vegetais e suas proporções. Além disso, existem módulos, que tentam predizer os aspectos sensoriais das fórmulas geradas (por exemplo: cor, sabor) e também uma possível preparação sugerida para os chefs.

 

O software está ou estará disponível para serviços para outras empresas interessadas? Há aplicações fora do mercado de alimentos?

Os fundadores da NotCo: Karin Pichara, Matías Muchnick e Pablo Zamora

Não, o software foi desenvolvido por dois de nossos fundadores – Pablo Zamora, doutor em biotecnologia vegetal, especialista em bioquímica e genética de plantas, e Karim Pichara, doutor em ciência da computação, especialista em machine learning e ciência de dados – para ser usado no processo de pesquisa e desenvolvimento de alimentos da NotCo.

 

Como vocês vêm o futuro das áreas de P&D nas empresas? Haverá um momento em que não teremos mais testes com pesquisadores para encontrar a formulação ideal?

A tecnologia será cada vez mais usada para facilitar e acelerar processos, mas não vai substituir o conhecimento de anos de estudos e pesquisas nem o trabalho do cientista.

 

Para finalizar: como vêem o futuro da NotCo? Que coisas mais a companhia fará em 5 anos?

Em cinco anos vemos que a Notco será uma empresa reconhecida mundialmente. Estaremos presente em mais países e teremos mais produtos de diferentes categorias no mercado.

 

Luiz Augusto Silva é presidente da The Not Company (NotCo) no Brasil, startup chilena de food tech que cria produtos alimentícios inovadores e disruptivos a partir da combinação de inteligência artificial e ciência molecular aplicada. Antes de se juntar à NotCo, Silva trabalhou por 13 anos no grupo Danone e era presidente de uma das empresas do grupo na Argentina. O executivo também foi diretor da unidade de bebidas vegetais e leite longa vida da Danone no Brasil. Engenheiro mecânico pelo Instituto Mauá de Tecnologia, tem MBAs pelas Fundações Getúlio Vargas e Dom Cabral.

 

 

 


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Sobre Cristina Leonhardt

Mãe, viajante, escritora e apaixonada por inovação. Fundadora do site Sra Inovadeira e co-fundadora da Tacta Food School, onde atua como Diretora de Inovação para projetos de Gestão Estratégica de P&D e Desenvolvimento de Produtos. Mentora da Terra Accelerator. Eu quero que você alcance todo o potencial de inovação que existe dentro da sua empresa de alimentos. Se conseguirmos criar um produto diferenciado, não teremos mais consumidores. Teremos uma legião de fãs. Quer me conhecer melhor: pode me adicionar no Linkedin
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