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PREPARE-SE: 5 ÁREAS QUE IRÃO BOMBAR EM P&D EM 2022

Postado em 11/01/2022 por Cristina Leonhardt
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O que vem por aí para P&D neste ano? O ano começando vai ter áreas bem para quem trabalha em Pesquisa e Desenvolvimento – nada melhor do que mapear a jornada à frente e fazer um bom plano de ataque. Neste artigo, vamos falar sobre 5 áreas que irão bombar no P&D de alimentos em 2022: temas para os quais visionários e visionárias de alimentos deverão estar preparados e que irão permear a maior parte das indústrias de alimentos.

1) Reformulação e redução de custos

A pandemia e a “excelente” gestão econômica do atual governo deixaram milhões de brasileiros mais empobrecidos. O poder aquisitivo da população só cai – e não tem previsão para se restabelecer. É claro que esse dinheiro não desaparece – o que estou falando aqui é de mais concentração de renda e desigualdade. Ou seja, quem é rico, mais rico ainda. E a grande maioria da população, mais pobre (inclusive você, mesmo que ganhe R$25 mil por mês).

O que isso quer dizer?

As marcas vão sofrer pressões para manter ou até reduzir preços em um cenário de inflação e descontinuidade de fornecimento de matérias-primas e embalagens (cenário que você com certeza já está vivendo na pele). Onde a corda vai estourar? Na formulação: se prepare para ainda mais reduções de custo em 2022.

Uma saída inteligente neste cenário é já fazer este trabalho proativamente, elencando os SKUs de menor margem da empresa no momento e buscando gorduras existentes. Aqui no site eu já abordei 4 alternativas para redução de custo que vão além da formulação, e você pode conferir.

Adicionalmente, eu diria que é hora de ampliar seu leque de fornecedores – já resolvendo o ponto 4 abaixo. Um bom lugar para conhecer novos fornecedores é o Horizonte 22 Food, onde teremos uma bela exposição de fornecedores de ingredientes.

Por outro lado, mais gente rica também é oportunidade para marcas realmente luxuosas. Mas isso requer estratégia, posicionamento, canais corretos de distribuição e formulações adequadas aos valores deste público. Com certeza não tem nada a ver com escrever premium ou gourmet no rótulo, o que além de proibido não é capaz de atingir ao público desejado.

Para compreender este cenário complexo que é o Brasil de 200 milhões de habitantes, a gente precisa ir além do relatório de tendência. Precisamos estar tudo-junto-e-misturado com o nosso próprio público: está na hora de P&D aprender a ver o contexto e construir sentido a partir dele.

2) Construção de sentido a partir do contexto

A divisão entre quem “sente o mercado” e “transforma insights em conceitos de produto” (Marketing) e quem “transforma conceito em produto” (Pesquisa e Desenvolvimento) é uma classificação ultrapassada. Há muito desencontro, método errado, falhas de comunicação nesse telefone sem fio – e muita sobreposição de trabalho também.

Parafraseando Zurlo e aplicando o conceito de ver/prever/fazer ver no P&D

Quem desenvolve produtos precisa ter conhecimento de primeira mão sobre as movimentações da sociedade para fazer ligações entre os insights, tecnologias existentes e possibilidades de produtos e dar velocidade aos projetos. Isso vai muito além do design centrado no usuário – o design thinking – pois o objetivo do desenvolvimento de alimentos não pode se restringir aos desejos do usuário.

(Aliás, é por tentar satisfazer o usuário a qualquer custo que o mundo está onde está. Precisamos balancear os desejos dos sujeitos com as necessidades da sociedade – por exemplo, criando produtos um pouco menos indulgentes, mas mais saudáveis, que irão reduzir a epidemia de obesidade que atravessamos.)

P&D precisa trazer respostas de viabilidade para a mesa, mas muito mais do que isso. P&D também vai precisar aprender a ler o contexto e construir sentido a partir desta leitura: métodos do Design, da Antropologia e da Sociologia, combinados com a formação mais técnica dos profissionais da área, serão grandes aliados deste processo de mudança. As áreas de inovação de grandes empresas já trabalham assim, como você pode ler neste perfil que fiz da área de inovação da Nestlé.

Saber ler o contexto e tirar insights a partir dele é o que faremos no curso de Sensemaking – Como ter boas ideias?, que acontece semana que vem. Já garantiu a sua vaga?

3) Sustentabilidade desde o berço

A pandemia jogou uma pá de urgência no fogo da sustentabilidade e a indústria de alimentos está bem no centro da fogueira. Enquanto temos um montão de questões a serem resolvidas, os novos produtos precisarão já sair das bancadas de P&D com seus quesitos de sustentabilidade bem trabalhados. Não é luxo para o futuro – é garantir o futuro.

Para quem está pensando que “usou uma embalagem reciclável, tá resolvido”, eu trago verdades: sustentabilidade não se restringe ao produto, tampouco a questões técnicas. Basta pensar que não adianta nada o vidro ser reciclável, se ele não é reciclado – portanto, as soluções precisam ir além do nível produto, para compreender o sistema e a sociedade (incorporando, no exemplo, logística reversa e estações de reciclagem de vidro).

Além disso, sustentabilidade tem a ver com a natureza, e dela fazemos parte. Então sustentabilidade também tem a ver com o ser humano, com a redução da desigualdade, com o acesso a condições básicas de vida e com a erradicação da fome, por exemplo. Que sentido tem um canudo de papel se ao lado da fábrica há uma comunidade passando fome? De que adianta um hub de inovação, criando redes entre empresas de todo o estado, se a comunidade do entorno do mesmo bairro é despejada alguns dias antes do Natal?

Uma estrutura progressiva de sustentabilidade que pode contribuir com os projetos de P&D de alimentos foi apresentada pelos pesquisadores Fabrizio Ceschin e Idil Gaziulusoy, representada esquematicamente abaixo.

Para qualificar os projetos de desenvolvimento de alimentos, vale conferir a minha palestra no Horizonte 22 Food agora em fevereiro, em que vou tratar deste tema.

4) Homologação de novos fornecedores

Se a redução de custos e reformulação não lhe convenceu, deixa eu lhe dizer: vai faltar ainda mais coisa no seu estoque. O Sistema Alimentar que entrega 500kg de proteína do soro de leite por mês na sua empresa é complexo e está se recuperando ainda da pandemia. Decisões tomadas lá em março – como redução de produção – o aumento do dólar e a perda de alguns mercados de exportação trouxeram um stress para este sistema, que está chegando ao seu limite de resiliência. Entre os problemas está a crise de containers: com o Brasil exportando até o que não tem, porém importando menos, ele passa a competir por navios e containers com mercados bem mais atrativos na Europa e na Ásia.

Tudo isso é para dizer: vai faltar cada vez mais itens, até que se normalize o abastecimento – e isso normalmente começa com itens importados. Então agora é hora de entender a sua cadeia de fornecimento (mesmo que não seja você mesmo importando diretamente) e montar a estratégia para homologação de novos fornecedores. Eu sei que este processo muitas vezes leva muito tempo, pois existem análises e testes de aplicação a serem realizados, então quanto antes você começar, melhor.

Você pode empregar uma matriz de risco para mapear os fornecedores atuais e classificá-los de acordo com o impacto para o negócio e o índice de risco. Um exemplo desta classificação coloquei abaixo.

O nível de risco do fornecedor pode ser avaliado usando uma série de técnicas, e eu deixo este material da Roche como referência – mas você pode usar o que fizer mais sentido no seu caso. Outra técnica bastante presente em alimentos é o Índice de Qualificação do Fornecedor (que não necessariamente mede o risco, mas que pode ser adaptada para tal) – o famoso IQF. Dica para homologar fornecedores estrangeiros eu coloco aqui e você também pode se interessar pelas bases legais para a homologação de fornecedores.

5) Rotulagem Nutricional Frontal vem aí

Por fim, mas deixando a cerejinha para o final, vem aí a rotulagem nutricional frontal – com o primeiro prazo de atendimento acontecendo agora em outubro, para as empresas fornecedoras de ingredientes e aditivos.

Se você não trabalha neste mercado, pode sentar e descansar na praia? Na na ni na não!

Não deixe para a última hora os ajustes de formulação que poderão tirar a lupa dos seus rótulos – e muito menos o ajuste de rótulo caso isso não seja possível. Eu sei que tá lotadinho de gente aí torcendo para que a lupa não faça efeito nenhum (como já se alardeou que aconteceu no Chile, mas #not), mas isso ainda resta ser provado no Brasil, um povo para lá de preocupado com a beleza física, campeão mundial de cirurgias plásticas.

Espero eu que a lupa venha para ajudar a população a fazer melhores escolhas na sua alimentação, afinal o meu propósito como engenheira de alimentos é produzir alimentos saudáveis. Eu fico aqui ponderando que gente é essa que fica torcendo para que a lupa flopequerem que os brasileiros sigam engordando e aumentando a incidência de diabetes e doenças coronárias? Se as escolhas alimentares não são sozinhas responsáveis por este quadro – o sedentarismo também o influencia – elas ainda assim são uma das principais contribuintes, e devem sim ser o máximo possível influenciadas no sentido de escolhas mais saudáveis ao longo prazo.

(Aliás, a lupa vai ser um grande caso de Design para mudança de comportamento, e os meus colegas do Food Design terão um prato cheio em alguns anos para entender as consequências desta intervenção.)

Para se preparar, você pode fazer o curso de Rotulagem Geral de Alimentos da Tacta que está com inscrições abertas e ler o artigo sobre o tema na Alimentus Consultoria.

(Ah, tá cheio de ciência observando o que aconteceu no Chile desde 2016. Basta procurar.)

Força e estratégia para todos nós que estamos começando mais um ano.: que 2022 seja feito de oportunidades, de garra e de muito planejamento. Que a gente possa trilhar esse caminho juntos, Visionárias e Visionários de alimentos.

E um recadinho, caso você esteja sentindo ondas de ansiedade por aí. 2022 já começa com 2021 feelings: a incerteza em relação a novos fechamentos (no Brasil, estamos longe de ter lockdowns), os casos de Covid-19 aumentando, tudo contribui para um sentimento de abatimento. Mas não nos esqueçamos: aprendemos muito (o que talvez não gostaríamos de ter aprendido) neste período. Estamos cansados, mas sabemos muito já sobre o vírus, sobre os mecanismos de disseminação, sobre os fluxos da sociedade em meio a uma pandemia. Isso tudo indica que estamos caminhando para o final e, citando Churchill:

Agora isto não é o fim. Não é nem mesmo o começo do fim. Mas é, talvez, o fim do começo. Winston Churchill

Eu vejo uma luz no final do túnel, que não via lá em 2020 quando tudo isso começou. Essa luz se chama Ciência.

Quero aproveitar este primeiro texto do ano para agradecer a todos os visionários de alimentos que atuaram nas linhas de frente do enfrentamento ao Covid-19, em laboratórios, hospitais, postos de saúde – eu sei que são muitos. Sem vocês, a gente não estaria aqui escrevendo sobre perspectivas para 2022. Muito obrigada.

A melhor forma de se preparar para o que 2022 reserva para o mercado de alimentos é participar do Horizonte 22 Food, o fórum de abertura do ano da Tacta Food School. Este ano, em versão híbrida, vamos falar sobre temas quentes deste contexto: a perspectiva da rotulagem nutricional frontal no Mercosul, sustentabilidade, transformação digital e o varejo online, entre outros.

Aproveite o primeiro lote que vai apenas até o dia 18/01 e garanta a sua vaga!

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