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DIRETO DA P&D – P&D TRABALHA COM INOVAÇÃO?

P&D, alimentos, R&D, food, engenharia, ciência, tecnologia, carreira, trabalho, pesquisa, desenvolvimento, oportunidade, sra inovadeira, inovação, direto da P&DHoje temos um novo post da coluna Direto de P&D. Uma coluna para retratar os questionamentos, aprendizados e conselhos de quem está com as duas mãos na massa – VOCÊ! Tem um ponto de vista sobre os assuntos que rodeiam essa área apaixonante de criação de alimentos e gostaria de publicar aqui? Manda seu texto para mim – você pode publicar como um convidado ou até virar nosso colunista 😉

O texto de hoje é da nossa parceira de viagens, visionária e antenadíssima amiga Luciana Rosa Monteiro, que me acompanhou em Amsterdam durante o Food Innovate Summit. Como não poderia deixar de ser com um evento desta magnitude, Luciana voltou ao Brasil cheia de inquietudes. Uma delas, ela compartilha conosco hoje.


Trabalho há 10 anos para a indústria de alimentos e a maior parte desse tempo foi dedicado à área de P&D. Quando estava na época do vestibular, e tive que escolher a faculdade que definiria a minha carreira profissional, me lembro bem que o que me encantou na engenharia de alimentos foi a possibilidade de trabalhar desenvolvendo novos alimentos e criando produtos novos para o mercado. E com isso em mente, durante a minha graduação, me esforcei para atender os requisitos necessários para entrar na área de P&D, porque era ali que eu tinha certeza que seria possível criar novos alimentos, e encher a prateleira de novidades.

Um dos meus objetivos era trabalhar em grandes empresas, pois entendia que fazendo parte de uma equipe grande, de excelentes profissionais, poderíamos fazer lançamentos realmente novos, daqueles empolgantes que todo mundo quer comprar quando enxerga na prateleira…

Porém isso nunca aconteceu!

Por muitas vezes pensei não ter me empenhado muito, ou talvez que eu não estivesse no lugar certo, mas a verdade é que durante todo esse tempo de carreira na indústria de alimentos, não trabalhei com inovação. Passei por médias e grandes empresas, até os dias de hoje, não criei nenhum novo produto, não participei de nenhum projeto que trouxe uma cara nova, diferente daquilo que já vemos hoje.

Temos tantas pessoas conectadas e trocamos conhecimento e informações com outros países, temos ferramentas de inovação, relatórios de tendências, e o que eu continuo fazendo são os projetos de troca de aroma, mudança de fornecedor, uma extensão de linha aqui, um ajuste de fórmula ali e por aí vai. Muitos dos projetos com os quais trabalhei foram de novo sabor, um novo produto para a empresa, mas que para o mercado não tinha nadinha de novo. Ou, como muitos dos meus colegas, também trabalhei arduamente nas reduções de custo.

Não vou dizer que sou frustrada com a minha profissão, pois estaria mentindo. Adoro a minha rotina de trabalho, fazer os ajustes na bancada e depois expandir para a escala industrial, acompanhar shelf-life, análises sensoriais para saber a aceitação do “novo produto”. Mas o que quero dizer é que faço aquilo que todo mundo faz, exatamente como os demais, e ainda, muitas vezes, tenho como target o produto do meu concorrente.

Há uns dias atrás estive, com a Sra Inovadeira, no Food Innovate Summit na Holanda (porque ainda continuo querendo trabalhar com inovação, rsrs…). Na programação, havia uma palestra como o tema “Grandes inovações pelas grandes empresas – Sério?” e, entre outras muito interessantes, essa era a que eu não poderia perder.

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A palestra foi feita por um VP da Conagra Brands, o Barry Calpino. Nela, Barry contou que ao longo de sua carreira sempre se sentiu remando contra a maré quando falava de inovação nas grandes empresas por que passou. Disse também que viu inúmeros colegas saindo de grandes corporações, para fazer parte de start-ups ou pequenas empresas, pois a vontade dessas pessoas era trabalhar com inovação e naquele cenário a inovação não acontecia.

Foi fantástico poder estar ali escutando o Barry falar. É  isso que sinto quando estou trabalhando: os desenvolvimentos dos quais participo não são inovações relevantes e, quando falo sobre trabalhar em alguma coisa realmente nova, também me sinto na contramão.

Barry também falou sobre um projeto que participou dentro da Mondelez, para fazer o lançamento de uma nova marca global. Para trabalhar nesse projeto, a empresa montou um pequeno time, com o approach de start-up dentro da própria empresa (pois o sangue da inovação também não corre naquelas veias).

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Segundo ele, o projeto foi muito bem-sucedido e em 20 meses eles lançaram uma marca global. E, ao que me parece, realmente é uma inovação bacana.

Foi muito inspirador ouvi-lo falando, e me trouxe muito conforto por saber que essa vontade de trabalhar com inovação versus a frustração de não trabalhar, não esta só em mim. Tem muita gente ao redor do mundo que se sente tal e qual…

E com isso volto para mim mesma e me pergunto, será que um dia vou conseguir fazer parte de um projeto bacana de inovação na empresa para qual eu trabalho? Ou será que a solução é fazer como os colegas do Barry, que buscaram novos caminhos, para enfim fazer inovação?


 

Eu quero saber dos visionários de P&D: quem aí se sente trabalhando com inovação?

 


Uma das tentativas de mudar este cenário é este site. Vocês sabem que tudo aqui começou quando eu tive um insight durante o sabático, na cidade de Xi’an na China. Não adiantava mais reclamar de que os produtos lançados eram sempre iguais, eu tinha que fazer algo a respeito. Decidi então criar o Sra Inovadeira para estimular a inovação de alimentos no Brasil – e desde então, o site virou uma plataforma que reúne os profissionais que se interessam pelo assunto e procuram mais ferramentas para fazer a diferença.

Mas o site apenas era pouco. O impacto tinha que ser mais profundo.

E este impacto vem – para mim – através da educação. Em 2016, em sociedade com meu parceiro Dafné, fundamos a Tacta Food School.

Você pode dizer que a Tacta é uma escola de alimentos. Sim, ela é.

A Tacta, contudo, é uma escola com propósito.

A Tacta é a minha forma de colocar esta roda de inovação de alimentos para rodar. É por isso que a gente fala de Criatividade, Liderança, Gestão e Organização em P&D por lá.

Porque a gente acredita que o conhecimento pode mudar vidas. E também pode tirar o Brasil da 69ª posição no Ranking Global de Inovação (novamente em 2017).

Sobre Luciana Monteiro

"Acredito que podemos fazer melhor do que fazemos, quando colocamos as pessoas no foco de nosso desenvolvimento." Luciana é Engenheira de alimentos e Mestre em Tecnologia de Alimentos (com ênfase em Óleos e Gorduras), e tem mais de 10 anos de experiência na área aplicações e desenvolvimento de novos produtos. Já trabalhou nas categorias de gorduras, emulsificantes, aromas, confectionery, chocolates e recheios e passou (a trabalho ou estudo) por países como México, Estados Unidos, Itália, França, Alemanha e Índia.
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2 Comments

  1. Mauricio Esteller

    Lançamento de produtos diretamente ao consumidor é uma empreitada complicada.De risco mesmo. Envolve, além dos custos, a imagem corporativa.
    Se for uma empresa onde o acesso ao dono(a) do negócio é facilitado, se for arrojado(a) tudo pode caminhar mais fácil.
    Sempre lancei novos produtos. Nesse aspecto, no entanto, a frustração não é menor.
    Estamos á frente do mercado e do consumidor 10 ou 20 anos, como desenvolvedores.
    Isso em alimentos. Imagine mercados competitivos como na eletrônica.
    Para nós são tantos os ensaios. Como é atribuído a Tomas Edison “já sabemos tudo em como NÃO fabricar uma lâmpada”. Quando o produto está na gôndola é bom sim. Mas jà estamos em busca de um novo desafio.
    Empresas grandes é um trauma. Melhor ser a cabeça da mosca do que o rabo do elefante. Relatórios de 600 páginas, discussões e reuniões. Estudo de matérias-primas, fornecedores, processos e ao final o “vamos esperar”. Principalmente em Economias trepidantes como a nossa.
    Por outro lado sempre gostei do conceito de “lojinha” ou showroom se preferir.
    Ao lado da fábrica colocar suas “novidades” para “sentir” se o produto vai “decolar”.
    Dá mais segurança claro.
    De qualquer forma acho que menos de 1% do que fazemos vai ao mercado.
    Normal também para a indústria farmacêtica. Custos monstros. Mas quando acerta…tudo de bom.
    Muitas histórias. Mas fico por aquí hoje.
    Abraços!

  2. Rossana Golin

    Me identifiquei totalmente com o texto. Trabalhei em multinacional e hoje atuo em empresa familiar onde o próprio dono é o diretor industrial e o medo da inovação em si ainda é muito presente. vemos empresas pequenas lançando produtos e tendenciando o mercado enquanto temos maiores recursos e maiores perspectivas em indústrias grandes mas ainda assim ficamos só na extensão de portfólio, redução de custo e seguindo o concorrente.

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