VOCÊ CONHECE O FOOD PORN?

Postado em 07/08/2020 por Raquel Logato
Compartilhe

Vejo, logo como.

Primeiro com o cérebro.

Depois com os olhos.

Depois com a boca.

O processo de digestão começa na mente. Ao ver ou lembrar de um alimento saboroso nosso cérebro envia mensagens para outras partes do corpo. As pupilas se dilatam, as glândulas salivares começam a produzir uma quantidade maior de saliva (daí a origem da expressão água na boca), as papilas gustativas ficam mais excitadas e aguçadas para sentir melhor o sabor, o estômago começa a produzir mais suco gástrico e a “roncar”, os hormônios responsáveis pela fome e desejo começam a agir mais intensamente e nos flagramos com fome ou com a cabeça pensando num alimento e cheia de vontade de sentir o sabor daquela comida que não sai da nossa cabeça.

Nossos olhos são pornográficos por natureza, sempre estão em busca do diferente, do que apetece, traz saciedade e prazer. O processo de digestão começa por eles. Quem nunca viu uma imagem apetitosa de um produto no Instagram ou Pinterest e ficou com vontade de comer a tela do celular? Quem me conhece há um bom tempo sabe que eu sempre digo uma coisa quando vejo um prato bem elaborado: “- que comida sexy!” Comidas sexys vendem, fotografias bem tiradas também. Isso se chama food porn, traduzindo para o português, comida pornográfica ou pornô alimentar. Quando pensamos nisso, vem logo à nossa mente a imagem de um hamburguer artesanal recheado de queijo derretido e gratinado, com dois andares de carne e escorrendo molho, um bolo bem chocolatudo ou uma pizza com queijo bem derretido.

Mas não se resume a isso.

Por definição food porn é:

“(…)é um tipo de fotografia no qual o objeto comestível é mostrado de forma provocante, capaz de abrir o apetite de quem está vendo a foto. Além de comidas, o conceito pode ser informalmente estendido para incluir também belas composições fotográficas de bebidas e pessoas comendo e bebendo.” (definição retirada do site da Canon)

Essa imagem transmite um sentimento de saciedade e prazer tão intensos por conta da postural corporal, forma de segurar o talher, cores dos alimentos e composição do ambiente que dá até vontade de entrar nela, roubar o sorvete e a tortinha e sair correndo.

Essa imagem transmite um sentimento de saciedade e prazer tão intensos por conta da postural corporal, forma de segurar o talher, cores dos alimentos e composição do ambiente que dá até vontade de entrar nela, roubar o sorvete e a tortinha e sair correndo.

Partindo dessa premissa, devemos parar para reformular alguns conceitos já enraizados em nossa mente (visionários não podem ter a mente cauterizada, lembre-se disso!). Não são apenas alimentos hipercalóricos, ultraprocessados, cheios de recheio, esparramando calda e fast food que são food porn. Esse é um conceito ultrapassado e antigo. A terra redonda gira, a terra plana capota e os conceitos vão passando por transições ao longo dos tempos e épocas. Atualmente as comidas saudáveis, industrializadas, plant-based, gluten free, lac free ou qualquer outro tipo que salta aos olhos do consumidor e desperta o tato, paladar, olfato, visão e audição também levam essa dominação. Uma foto bem feita e um produto atraente podem gerar muitos efeitos positivos.

Te convido a sair do lugar comum e pensar no food porn sob a perspectiva dos sentidos do corpo.  O erotismo funciona de uma forma muito peculiar para cada indivíduo. Algo que desperta prazer em uma pessoa pode não fazer a mínima diferença para outra, e é sobre essas coisas que precisamos trabalhar durante o processo de desenvolvimento de produtos alimentícios. Os estímulos sensoriais precisam permear todo o alimento, de forma a não deixar nenhuma forma de prazer de fora.

Tato

A textura dos alimentos é altamente estimulante. Sentir a maciez, crocância, textura, viscosidade, temperatura e outros atributos táteis de um alimento é um dos grandes fatores de decisão para o consumo de um produto.

A leitura em braile e o alto relevo em embalagens também são importantes para os deficientes visuais. O food porn deles vem pelo tato e pela audição, fazendo-se necessário pensar nesse público na hora de desenvolver rótulos, colocar informações nutricionais nas embalagens e fazer propagandas onde o estímulo ao som e toque sejam marcantes. Alimento gostoso também é inclusivo e capaz de se comunicar com todos os públicos.

Olfato

“O que mais cheira no supermercado? O nariz!”

Essa antiga – e sem graça – anedota nos mostra o quanto o aroma é parte indispensável no processo de desenvolvimento de alimentos. Sabe as propagandas publicitárias que têm a fumacinha subindo? A gente não sente o cheiro da fumaça, mas só em observar aquilo nosso cérebro ativa a memória afetiva e somos capazes de imaginar o cheiro e sentir o sabor por alguns segundos.

Alimentos com sabor muito artificial ou com notas aromáticas muito doces não são capazes de gerar bons sentimentos na maioria dos consumidores e profissionais de saúde. O alimento fica logo conhecido como “cheio de química” ou “veneno”.

Quer ver algo magnético?

O cheirinho de bolo assando. Isso faz o mais resistente dos mortais ficar salivando e querer consumir um bolinho fresco com uma xícara de café. Não é à toa que franquias de loja de bolo caseiro se multiplicam a cada dia pelo país e sempre têm clientes. O aroma de bolo que inunda o quarteirão conduz os consumidores até lá, assim como o Pica Pau vai flutuando até o cheirinho de comida gostosa.

Visão

A visão é um sentido PODEROSO.

Os olhos são a janela da alma e nela estão manifestos desejos e vontades íntimos. Na sociedade do espetáculo, glamourização da vida cotidiana e instagramização de atos corriqueiros como se fossem grandes eventos, a visão é um dos principais sentidos a serem conquistados. A nossa preguiça e senso de imediatismo provocado pelas mídias sociais fazem com que a cada dia a gente leia mais figuras do que textos; e são nelas que precisamos focar para despertar no consumidor o desejo de ler a legenda e buscar informações sobre o alimento.

Eu sou erotizada por comida. Fotos bem tiradas, deliciosas, fartas, que saltam os olhos, vídeos de garfinho cortando um bolo e esparramando cobertura e recheio por todos os lados… huuuum, que delícia!!! Um pornô alimentar bem feito é bom e a gente gosta! Mas nem só disso vivemos. Quando estamos numa dieta saímos do hard porn (pizza, fast food, bebidas altamente calóricas) e migramos para um soft porn alimentar, onde estão os alimentos com baixo teor calórico, com apelo mais saudável e mais verde.

Há alguns anos atrás comprei uma barrinha de chocolate de marca famosa internacionalmente numa bomboniere bem simpática que tem perto da casa em que eu morava. Ao abrir o pacote notei uma “colinha” que não era da embalagem. Instintivamente parti um pedaço da barrinha e estava cheia de larvas brancas. Fico arrepiada só de lembrar delas andando dentro do recheio de caramelo e amendoim. Liguei para o SAC e a atendente informou que era normal, pois o amendoim era um alimento susceptível a presença de larvas; que era só eu não comer, guardar a embalagem para enviar para eles e dar meu endereço para receber outra barrinha de Sni… deixa pra lá!  

Pela visão eles perderam uma cliente durante meses! Como eu conseguiria comer esse chocolate novamente sem imaginar as larvas ou sem pensar que estava contaminado? Hoje, quando compro essa marca, parto em diversos pedacinhos e analiso tudo antes de colocar na boca. A segurança dos alimentos e garantia da qualidade do que vai chegar na mão do cliente final também são indispensáveis para provocar a atração.

Paladar

Ah, o paladar!

Sabe por que muitas pessoas que fazem uso de edulcorantes artificiais aumentam a dose de uso ao longo do tempo? Porque suas papilas gustativas ficam hiper excitadas por conta do sabor doce artificial e acabam falhando. Elas precisam de um estímulo maior para sentir o sabor. Por isso diabéticos e pessoas que fazem uso a longo prazo de adoçantes têm dificuldade para sentir o sabor doce. Além disso há também a busca por “açúcares reais”. O cérebro, após ser enganado diversas vezes, liberando insulina para captar açúcar para o interior da célula, fica irritado e gera sinalização química para o corpo de que quer comer algo doce. E tem gente que não pode devido a restrições alimentares e tem gente que não quer comer.

Estou falando de açúcar para chegar no seguinte ponto: excite as papilas gustativas e as glândulas salivares. Faça elas salivarem de vontade de comer a salada, o brownie gluten free, o hamburguer plant-based, a água de coco e outros alimentos que você comercializa.

Fique atento também à temperatura. Imagino que 99,9% dos brasileiros que consomem cerveja gostam dela bem gelada. Imagine esse copo de cerveja quente ou em temperatura ambiente? O paladar ia rejeitar na hora e provavelmente você iria associar a um produto de má qualidade. Ajustar temperatura, acidez, amargor, doçura, diluição e outros atributos do alimento são indispensáveis para fazê-lo cair no gosto do consumidor.

Audição

Quem tem boca vai a Roma. Quem se comunica e tem boa reputação conquista o consumidor. Faça o alimento falar por você, coloque nele sua voz, a sua identidade, os valores que sua empresa possui.

O som de “crec” da batata palha bem crocante, o som do líquido caindo no copo, o borbulhar de uma sopa, o som da faca atravessando o pão crocante e o som seco de uma barra de chocolate sendo partida provocam sensação de prazer. Eu vejo a imagem desses bombons de chocolate e já imagino o barulho dos meus dentes mordendo um pedaço e sentindo a explosão de recheio na minha boca. E é esse mesmo sentimento que todos os consumidores precisam ter, é a experiência sensorial aguardada de um produto como esse.

Para finalizar vamos sintetizar tudo o que escrevi com essas regrinhas básicas:

  1. Mexa com os sentidos do consumidor.
  2. Envolva-o pelos cinco sentidos.
  3. Faça uma pornografia alimentar bem feita.
  4. Seja soft ou hardcore, o food porn precisa atingir o público alvo.
  5. Tem espaço para pornô barato, caro, luxuoso, meia boca, bem feito ou mal feito. Sempre terá um consumidor ávido para consumir o produto. O que vai diferenciar o seu sucesso será a entrega do produto igual ao da foto ou do vídeo do Instagram e a presença de atributos sensoriais que fazem jus ao que os olhos comeram antes da boca.
  6. Tudo isso no verbo imperativo mesmo, porque você possui a meta de conquistar, envolver e fidelizar através da sua arte alimentar.

P.S.: até a data de redação desse texto havia a menção da hashtag #foodporn no Instagram em torno de 235 milhões de vezes.

futuro da área de P&D passa pelo DaaS – Desenvolvimento de alimentos as Service. Você vai trabalhar como um autônomo ou consultoria, prestando serviços para clientes variados.

Que tal se preparar, ampliando as suas competências de negócio? No curso de Marketing para Consultores, você terá acesso a conceitos importantes de Marketing, gestão de marca e comunicação, com foco em estratégia, negócios, conhecimento dos clientes, além de se aprofundar nas mídias sociais, em conteúdo e promoção de serviços, visando diferenciação e proposta de valor para a missão de empreendedorismo.

Aproveite: as inscrições vão apenas até 23/08! Conheça mais no botão abaixo.

Ah, e tem cupom de desconto sim! Use SRAINOVADEIRA para garantir 15% off 😉

Compartilhe esse artigo. Vamos revolucionar o mercado de alimentos!

Juntos podemos causar um grande impacto através de pequenas ações: compartilhe e espalhe a mensagem.

Receba a planilha exclusiva e gratuita para Gestão de Projetos de P&D!

E mais: participe da comunidade privada de +4000 visionários de alimentos que recebe dicas e insights exclusivos.

Sem spam. Só inovação.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Receba a planilha exclusiva e gratuita para Gestão de Projetos de P&D!