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DE QUEM É O PROJETO QUE VOCÊ DESENVOLVEU?

Há algumas semanas, em um dos cursos de Prototipagem de Alimentos da Tacta, enquanto discutíamos sobre como interpretar o briefing e rascunhar as primeiras formulações, uma aluna compartilhou uma história. Ela havia recém-chegado a uma empresa quando lhe deram seu primeiro projeto ali – uma derivação de um projeto anterior, que havia sido liderado por uma colega.

Rascunho dos testes a ser feito, a aluna buscou a colega como fonte inicial de informações. Afinal, ela já havia conduzido um projeto semelhante que, com certeza, guardava com o seu muitas similaridades. Um processo pelo qual, acredito eu, na minha ingenuidade, todos os visionários de alimentos já passaram: buscar ajuda para começar. Em qualquer projeto.

Para sua surpresa (e minha), a colega se negou a compartilhar informações. Nem uma mísera primeira fórmula, nem comentários sobre resultados, nem fotos dos testes, nem observações, nem dicas, nem atalhos, nem erros de projeto, nem nada. Nada. Nothing. Rien. Nichts. 没什么. Ничего. .لا شيء

Insatisfeita (como não?), a aluna foi buscar a Gerente da área. Para sua nova surpresa (e minha), a Gerente fez pouco caso, desconsiderou o problema e a instruiu a realizar seus próprios testes. A colega, aparentemente, era um daqueles seres intocáveis, que valem o seu peso em ouro e não podem ser contrariadas. Um rubi da engenharia de alimento. A própria fada sensata da pesquisa e desenvolvimento.

“meu” projeto

A Gerente preferiu não mexer no vespeiro e, ao invés de estimular a troca entre colegas, procurou a solução mais fácil de lidar: realizar todos os testes novamente, desde o princípio, sem histórico algum.

Você se reconhece nesta história?

 

Por incrível que pareça, e para meu desespero, ela é muito mais comum do que imaginamos. Este cenário de desconexão e falta de interdependência é, em maior ou menor grau, o mal de todas as equipes de P&D.

Pode até acontecer de forma involuntária, em equipes cujos membros são bons colegas e não possuem conflitos aparentes. Mesmo assim, o problema é real: a falta de compartilhamento de projetos afeta a todas as equipes de P&D.

Alguns fatores contribuem para este cenário:

No caso compartilhado pela aluna, a falta de gestão de P&D é notória. Pela minha experiência, ela se deriva principalmente de Gestores de P&D que caem de paraquedas no cargo de liderança, tendo crescido dentro da área técnica e não se preparado para vê-la de forma mais estratégia. Boa parte dos líderes de P&D se comportam como analistas sênior – tocando projetos mais complexos e fazendo nada, ou quase nada, da gestão da área.

O conhecimento gerado por projetos já realizados pela empresa é uma das principais entradas de P&D. Uma organização que é capaz de reter e compartilhar entre seus membros os principais aprendizados obtidos nos projetos que conduz reduz o risco de perder tempo e esforço resolvendo problemas que já encontraram solução no passado.

Vale sempre lembrar algo que a Gestora deveria ter recordado “graciosamente” à colega da história: quem trabalha em P&D é pago para gerar conhecimento para a empresa. Apesar de que o que está armazenado na cachola será para sempre seu, os projetos e as informações deles derivadas são propriedade intelectual da empresa. Uma gestão eficiente de P&D se importa com o registro, a guarda e o compartilhamento deste conhecimento. Uma boa prática é a reunião semanal entre os membros da equipe, que estimula a troca de experiências, dificuldades e insights.

Compartilhar conhecimento intra-equipe é fácil quando falamos das condições normais de temperatura e pressão. Quando falamos de um comportamento humano plausível, em que todos têm uma visão compartilhada dos objetivos que devem ser alcançados pela equipe. Contudo, seres humanos podem ser tudo, menos previsíveis.

Somos seres complexos, ambíguos, cheios de singularidades, incertezas e particularidades.

 

Somos capazes de grandes feitos: encaramos uma plateia lotada, lideramos grandes projetos, desafiamos o status quo.

Ao mesmo tempo, um olhar atravessado alimenta nossos temores de sermos rejeitados. Uma mensagem não respondida domina nosso pensamento por dias. Somos ao mesmo tempo a grande líder que inspira toda a equipe e o ser amedrontado que pensa poder ser demitido amanhã. Não precisamos nem falar no medo de baratas, não é?

Considerando a complexidade humana, pensar que iremos compartilhar de bom grado nossos aprendizados de projetos, naturalmente, como um processo exotérmico, com aumento de entropia, é quase que ingênuo. Uma das principais tarefas na Gestão de P&D é justamente navegar por esta turbulência, criando condições para que a equipe colabore, se ajude, tenha objetivos compartilhados, apesar das nossas singularidades.

Mesmo quando temos um bom alinhamento em direção a um propósito, o compartilhamento de conhecimento intra-equipe sempre será menor do que o conhecimento obtido pelo pesquisador durante projeto. Isso acontece porque a maior parte do conhecimento gerado durante um projeto de P&D é tácito – ou seja, o conhecimento de “saber-fazer”, que é um dos mais difíceis de serem compartilhados.

Quem já passou pela situação de ver um colega deixar a empresa e de uma hora para outra parecer que a equipe perdeu o jeito, mesmo com uma infinidade de relatórios escritos, sabe do que estou falando. Conhecimento tácito é o mais associado à inovação e o que está mais ligado ao indivíduo.

 

Cultura da Inovação

 

É por isso que enquanto as revistas de negócio falam de foodtechs, big data, inteligência artificial, drones e outras tecnologias disruptivas para alimentos, eu continuo batendo na tecla da cultura para inovação. De nada adianta tais tecnologias, se nossa cultura é avessa à colaboração. Não haverá open innovation e aproximação com startups caso sejamos incapazes de colaborar com nossos próprios colegas. Como esperar um repertório amplo e variado para inovação, caso nem estejamos a par dos projetos que os nossos pares estão conduzindo em outras categorias?

Enquanto a discussão não abranger os aspectos humanos, demasiadamente humanos, da inovação, seremos fadados a repetir o ciclo. Ou você não reparou que está lotado de startups de alimentos “inventando” exatamente o que a indústria de alimentos cansa de fazer?

É através da cultura da inovação – que trata de valores como transparência, colaboração, experimentação e resiliência – que faremos a revolução acontecer, tanto no nível pessoal, alcançando novos patamares nas nossas próprias carreiras, quanto no nível organizacional. Enquanto profissionais de outras áreas podem estar na empresa para a manutenção do status quo, visionários que trabalham com P&D e Inovação lutam pela mudança. E ela não irá acontecer sem colaboração.

Ah, e respondendo à pergunta: o projeto que você desenvolveu na empresa é da empresa. O conhecimento dele será sempre seu, mas você foi pago para gerá-lo. O mínimo dos mínimos é compartilhar com os colegas da equipe.


Compartilhar faz bem para quem compartilha – você, chegando aqui neste blog pela primeira vez, pode olhar ao redor e perceber que tudo o que eu faço aqui é compartilhar as minhas experiências, vagas que recebo, visões sobre o mundo de alimentos. Compartilhar também faz bem para quem é de P&D.

Aprenda a compartilhar mais. Seja mais colaborativo e colaborativa. O mundo precisa de mais generosidade.

 

Uma fonte de que você pode gostar é o QAspire, que faz sketchs inspiradores sobre o universo da inovação, trabalho, empreendedorismo e transformação.

Sobre Cristina Leonhardt

Mãe, viajante, escritora e apaixonada por inovação. Fundadora do site Sra Inovadeira e co-fundadora da Tacta Food School, onde atua como Diretora de Inovação para projetos de Gestão Estratégica de P&D e Desenvolvimento de Produtos. Mentora da Terra Accelerator. Eu quero que você alcance todo o potencial de inovação que existe dentro da sua empresa de alimentos. Se conseguirmos criar um produto diferenciado, não teremos mais consumidores. Teremos uma legião de fãs. Quer me conhecer melhor: pode me adicionar no Linkedin
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