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TECNOLOGIAS DISRUPTIVAS PARA A CADEIA DE ALIMENTOS (E QUE NÃO SÃO “DE ALIMENTOS”)

Enquanto o colega aí se pergunta quando vai conseguir implementar HACCP na sua empresa – uma ferramenta criada nos anos 60 – o mundo dos alimentos não para de girar. Quem está no mercado nos últimos 20 anos – eu – viu micro-ondas fazendo o seu debut industrial, pasteurização por alta pressão, ultrassom e microfiltração saindo dos laboratórios de engenharia, irradiação começando a perder estigma. Todas tecnologias de alimentos.

Contudo: será que a cadeia de alimentos não é impactada diretamente por tecnologias desenvolvidas em outros setores?

Tecnologias disruptivas tendem a ficar em status de projeto por muito tempo quando falamos da indústria de alimentos. Sobre comida, somos na maioria pragmáticos, conservadores e desconfiados: e isso faz com que a indústria seja parecida – a indústria de alimentos é uma das que mais demora a incorporar novas tecnologias.

Além disso, há a barreira cultural: quando falamos de tecnologia – qualquer uma – a imagem que o consumidor normalmente tem é

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Eu lhe pergunto: isso é culpa do consumidor? É fácil bater na tecla de que o consumidor não sabe do que está falando, e dissemina informações não verdadeiras via mídias sociais. Sim, é verdade – porém não é a causa.

A causa de tamanha aversão é a falta de transparência – e, por que não dizer, responsabilidade – com que novas tecnologias são introduzidas na cadeia alimentar. Acaso temos as associações de indústria, ou indústrias isoladamente, explicando ao consumidor o que é pasteurização por alta pressão? Não vejo nenhum caso no Brasil.

O teste é simples: pergunte o que é isso à sua mãe e ao seu pai, e avalie. Já temos indústrias usando esta tecnologia aqui e agora – mas ninguém toma para sai a responsabilidade de educar o consumidor. Não tem como reclamar depois: pegue o caso da irradiação e você verá o estrago que foi feito.

Vamos então aqui fazer um exercício. Vamos desconsiderar essa barreira – afinal, há sim muita coisa que a indústria de alimentos pode fazer para mostrar que a tecnologia não é algo necessariamente nocivo ao consumidor. Que, aliás, pode ser algo extremamente benéfico, como, por exemplo, o uso de métodos mais brandos para evitar perdas de nutrientes durante o processamento.

Vamos desconsiderar esta barreira porque você encontra 8 ideias de como transpô-la no ebook “Abra essa Caixa Preta”, que está disponível gratuitamente aqui no site.

E vamos às tecnologias disruptivas que afetarão a cadeia de alimentos – e que não são “de alimentos”.

 

TECNOLOGIAS DISRUPTIVAS QUE JÁ ESTÃO DISPONÍVEIS

INTERNET DAS COISAS

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O refrigerador que fala com o supermercado e faz pedido de comida habita nosso imaginário desde sempre – e já está se tornando uma realidade.

A internet das coisas (IoT) – a conexão de objetos do mundo físico entre si através da internet – já revoluciona as casas, e pode chegar na indústria de alimentos também. Na verdade, não é mais uma questão de se. É uma questão de quando.

Entre os principais planos que são afetados pela IoT (até onde a nossa visão alcança no momento), destacam-se:

  1. Rastreabilidade e Segurança de alimentos: dois grandes calcanhares de Aquiles, que dependem não apenas das condições do produto nos pontos A e B, mas de todas as condições encontradas por ele para chegar de A a B. Além disso, com a possibilidade de localizar cada unidade produzida, redução considerável do tempo para recalls.
  2. Redução do desperdício: através da comunicação imediata de quando um lote está fora das condições de armazenamento corretos.
  3. Controle de processo integrado: através do uso de sensores informando em tempo real todas as condições pelas quais o produto está passando. Pense em equipamentos avisando da necessidade de manutenção preventiva, por exemplo.
  4. Transparência no consumido: colocando na mão do consumidor o controle final sobre a ingestão de alergênicos e outros possíveis perigos.

Uma análise bem interessante a respeito, com o impacto da IoT na TI, foi publicada na Food Manufacturing. Uma revisão a respeito pode ser lida aqui. O Nima – primeiro medidor portátil de glúten – é um exemplo de utilização da IoT para  conectar informações de testes entre indivíduos sensíveis à proteína.

 

FAZENDAS URBANAS VERTICAIS

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Hortas urbanas já foram plataforma de governo do candidato do PV aqui no Brasil em 1989 – e, como outras propostas do mesmo partido, estavam demais à frente da cultura local para serem consideradas plausíveis.

Pois em quase 30 anos o problema fome não foi resolvido, a urbanização só fez crescer, o nível de escolaridade também – o que levou à maior consciência a respeito do que se come, e de como se produz o que se come. Ao mesmo tempo, convivemos ainda com níveis absurdos de desperdício durante o transporte de alimentos, em plena era da informação.

A descentralização da produção de vegetais – e, em alguns casos, animais – é muitas vezes realizada por motivos econômicos (pessoas de baixa renda ainda são os maiores agricultores urbanos), mas outras razões são também listadas pela FAO:

  • Segurança alimentar urbana – acesso a alimentos nutritivos e seguros ao longo e todo o ano, em cidades. Estima-se que, em 2030, cerca de 60% da população resida em cidades.
  • Construção de cidades mais resilientes – que se adaptem às mudanças climáticas.

Do outro lado da questão está a tecnologia. O MIT mantém o laboratório Open Agriculture com o pesquisador Caleb Harper: uma fazenda vertical acoplada à um software open source, que possibilita a qualquer interessado testar as melhores condições de umidade, nutrientes e iluminação para as variedades de alimento sendo produzidas. O projeto está criando computadores de comida, que vão da escala pessoal até a produção industrial.

Uma amostra do projeto você pode ver na palestra de Harper no TED:

Comercialmente, já podemos ver supermercados instalando micro-fazendas para substituir as gôndolas. A Holanda inaugura no início de 2017 uma fazenda flutuante – com vacas e tudo. E que mudanças isso ainda trará para nossos restaurantes e indústrias?

Ainda há mais por vir, mas há o grupo de pessoas que faz com as próprias mãos seu alimento não para de crescer.

Uma visão abrangente dos tipos de fazendas urbanas – de fazendas móveis, passando intervenções no espaço público, à fazendas escritório – você pode ver neste artigo da National Geographic. A FAO reconhece a importância deste movimento e faz questão de apoiá-lo – veja o ebook a respeito.

 

IMPRESSÃO 3D

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Créditos: 3D Systems

A impressão 3D já está invadindo o mundo dos alimentos. Em 2016, a Barilla apresentou ao mundo a sua impressora 3D – fruto de um concurso lançado pela empresa em 2014 (inovação aberta, lembra?).

No mundo dos doces, a Katjes lançou lojas conceito (Magic Candy Factory) com impressão 3D de goma de fruta e a 3D Systems lançou uma impressora de bancada – caseira? – para produzir confeitos de açúcar.

Caso você não tenha percebido, a impressão 3D carrega consigo a possibilidade de acabar com os parques industriais como os conhecemos hoje e talvez, para a indústria de alimentos, seja a tecnologia mais disruptiva já disponível.

Por quê?

Quando a impressão 3D tiver alcançado o seu estágio de maturidade, ao invés de parques industriais gigantescos e especializados, teremos pequenas unidades de impressão espalhadas ao redor do mundo, com impressão customizada, de acordo com o desejo do consumidor. É – por enquanto – o auge que se pode pedir da personalização da produção em massa.

Achou que colocar o seu nome na latinha da cola era personalização? Pense em produzir o refrigerante exatamente com a formulação que você deseja beber naquele dia. E, no dia seguinte, com outra.

 

DRONES

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Se você não viu, a Chipotle e a Alphabet (mãe do Google) fizeram em 2016 sua primeira entrega usando drones. Apesar de que a entrega de comida por drones não é novidade desde 2011, não é casual que duas gigantes – de alimentos e de tecnologia – se alinhem em um novo projeto.

Logo na sequência, a Domino’s entrou na brincadeira – é a primeira operação comercial de que se tem notícia. Quer ver um vídeo que mostra como a coisa funciona?

Pode parecer apenas uma novidade – e não uma inovação – se você não considerar que o negócio de alimentos é basicamente LOGÍSTICA.

Atualmente, se o consumidor quer comida entregue, precisa de um endereço e alguém que receba o pacote. Além disso, fazer a entrega ponto-a-ponto é um dos principais pesadelos de uma operação de tele-entrega, o que afasta muitos restaurantes – e a quase totalidade da indústria – dela.

Pense agora no momento em que os drones alcançarem a maturidade. Adeus, Correios? Adeus, motoboys? Adeus, Fedex?

Combine a tecnologia dos drones com a da impressão 3D – e o consumidor terá o alimento mais personalizado possível, com entrega em qualquer lugar onde esteja, rapidamente?

 

TECNOLOGIAS DISRUPTIVAS QUE VEM POR AÍ

EDIÇÃO PRECISA DE GENES EM PLANTAS

A sigla em inglês é CRISPR para uma tecnologia que é o avanço da modificação genética – a planta resultante contém 0% de material genético externo, e desta forma não é considerada um OGM para boa parte da legislação mundial. Estará disponível em 5 a 10 anos. Entrou na lista do MIT em 2016.

FOTOSÍNTESE C4

Cientistas de 12 laboratórios em 8 países anunciaram em dezembro de 2015 o desenvolvimento de uma tecnologia capaz de aumentar a produtividade de arroz – e potencialmente trigo – em cerca de 50%, através da fotossíntese C4. Lembrando que estas são as culturas responsáveis pela base da dieta da maioria da população mundial, estamos falando aqui de um desenvolvimento de alto impacto para a erradicação da fome, redução do preço dos alimentos e do impacto da produção sobre o meio ambiente. Estará disponível em 10 a 15 anos. Entrou na lista do MIT em 2015.

GRAFENO

Um material 2D, com espessura de apenas uma camada de átomos – é o grafeno. Recentemente, ele começou a ser explorado para fabricação de biosensores extremamente sensíveis, que serão capazes de reduzir os limites de detecção para a escala de ng/mL ou menos.

Pense nas decisões que você toma hoje no escuro, pois não consegue ter certeza de se o alimento está ou não contaminado por aflatoxina, corantes artificiais, acrilamida e alergênicos (ovo, amendoim, leite, etc).

 

Novas tecnologias disruptivas e excitantes vêm por aí e podem nos ajudar a resolver os problemas mais urgentes da nossa produção. Elas, contudo, não estão sendo criadas nos laboratórios de engenharia ou tecnologia dos alimentos – como perceberam os visionários, grande parte delas vem de laboratórios de design, engenharia mecânica e nanotecnologia. E por isso, podem ter ficado fora do seu currículo na gradução – e continuarão fora, enquanto compartimentalizarmos a educação.

Há uma máxima em inovação.

A Idade da Pedra não acabou por falta de pedras.

 

Os negócios não acabam pela competição – e sim por se tornarem obsoletos. Empresas conservadoras, como as de alimentos, podem ser simplesmente varridas por outras mais modernas, que resolvam os problemas dos consumidores de forma mais econômica, rápida, customizada.

E o que isso quer dizer para o setor de alimentos no Brasil? Somos um dos principais produtores mundiais de alimentos – mas ocupamos uma posição tímida no Índex Global de Inovação. Produzimos em volume, sim. Mas com baixíssima inovação e valor agregado.

Estamos à mercê destes novos ventos. Se quisermos.

Faça sua parte. Analise o impacto das novas tecnologias no seu setor e crie produtos e serviços que revolucionem o mercado em que atua. Você, no final das contas, trabalha em P&D – uma das suas funções é justamente ser o radar do mercado para sua empresa.

A minha questão aqui para os leitores é: seremos visionários ou continuaremos seguidores?


Quer aprofundar a discussão?

O projeto ZeroHunger da Aceleradora de Inovação do Programa de Alimentação Mundial criou um visualizador das 128 tecnologias que impactarão o futuro dos alimentos. A ferramenta é superbacana, pode ser filtrada por nome, impacto e disponibilidade e também traz as conexões entre as tecnologias.

O ZeroHunger também identificou 7 cenários que estão mudando a paisagem dos alimentos ao redor do mundo, e os ligou a tecnologias específicas. Os cenários são:

  • Comida transparente (quer ideias de como fazer isso?)
  • Fazendeiros robô
  • Urbano-rural
  • Terra Quantificada
  • Cuidado hiperpersonalizado
  • Comida interligada
  • Hacking Gaia

A Wired lista o consumo de insetos, fazendas urbanas e o uso de algas como biofertilizantes como oportunidades de disruptção em alimentos.

O Eat Innovation traz as 5 tendências em tecnologia que apareceram no Web Summit em Lisboa este ano.

Para uma revisão sobre o impacto de novas tecnologias sobre a falência de empresas – e como prever a falência com base nos investimentos em patentes, leia o white paper da Escola de Negócios da Universidade de Connecticut.

 

Sobre Cristina Leonhardt

Eu quero que você alcance todo o potencial de inovação que existe dentro da sua empresa de alimentos. Se conseguirmos criar um produto diferenciado, não teremos mais consumidores. Teremos uma legião de fãs. Quer me conhecer melhor - pode me adicionar no Linkedin: www.linkedin.com/in/cristina-leonhardt/
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3 Comments

  1. Educar. Essa é a parte mais difícil.
    Não é apenas educar o consumidor.
    Educar funcionários, operadores, a população como um todo.
    Trabalho de formiguinha, mas vamos em frente….

  2. Pingback:As empresas de alimentos mais inovadoras do mundo, segundo a Fast Company – Fispal Tecnologia

  3. “palavras de Motivação”

    Tente uma, duas, três vezes e se possível tente a quarta, a quinta e quantas vezes for necessário. Só não desista nas primeiras tentativas, a persistência é amiga da conquista. Se você quer chegar aonde a maioria não chega, faça o que a maioria não faz.

    Lembre-se que é enfrentando dificuldades que você fica forte. É superando seus limites que você cresce. Se você não venceu ontem, não se preocupe. Vencerá hoje.

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