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ALIMENTOS VEGANOS NA FANCY FOOD SHOW 2018

Nos dias 30 de junho, 1 e 2 de julho aconteceu em Nova York a Fancy Food Show, edição de verão da maior feira de alimentos especiais da América do Norte. A feira é um misto de tudo o que está acontecendo no setor alimentício americano: desde as grandes empresas tradicionais deste mercado até os pequenos novos entrantes, vindos de todas as partes do mundo.

Durante três dias, se encontram no Javit Center mais de 34 mil visitantes, com mais de 2400 expositores, em busca dos novos – e antigos – alimentos que podem estourar nas gôndolas nos meses seguintes.

Nesta série de posts, vamos buscar agrupar os alimentos mais interessantes que apareceram na feira – neste post, vamos falar de alimentos veganos.

 

ALIMENTOS VEGANOS NA FANCY FOOD SHOW

O interesse por novas proteínas vegetais acentua-se a cada ano – ela aparece tanto na lista das 129 tendências de alimentos de 2017, quanto nas 160 tendências de 2018, e não vemos alternativa que não se intensificar ainda mais. Nas economias mais desenvolvidas, cujo consumo de proteínas de origem animal já está estabelecido, este interesse está atrelado a uma mudança de valores da sociedade que vem se moldando há anos: estamos falando aqui de uma nova posição do homem e mulher frente ao restante do planeta.

Podemos apontar duas mudanças fundamentais (pelo menos), que respaldam este interesse:

  1. O ser humano vem deixando de se ver como o ápice da criação, e adotando uma atitude mais pragmática e menos romântica em relação à sua posição no ecossistema (mudança que acontece bem lentamente, aos poucos, e nas margens da sociedade);
  2. Os pets passaram a dormir na cama das pessoas (mudança mais rápida, mais abrangente e que acontece em todos os estratos sociais).

Para ver como a mudança em relação aos animais domésticos aconteceu como num clique, basta pensar que na infância de quem tem cerca de 40 anos hoje eram raros os casos em que animais sequer entravam nas casas. Casas com animais “dentro” tinha fama de ter “cheiro de cachorro” ou “estar coberta de pelos”.

Hoje, animais domésticos que coabitam, estão por todos os espaços, inclusive na cama da sua família (e não de seus donos) são muito mais comuns. Gatos e cachorros passaram a ganhar nomes de pessoas – Claus, Gustavo, Gabriel, Obama. Mães e pais humanos de gatos e cachorros reivindicam o direito de seus filhos estarem consigo onde eles estiverem.

Ora, se meu cachorro ou gato (ou passarinho, hamster, coelho, porco, ovelha) é meu filho, eu não o como. Daí para eu repensar o meu consumo de todos os demais animais, é um salto: apesar de não ser a única explicação para o salto que o veganismo deu nos últimos anos, é uma das mais relevantes para explicar a velocidade com que ele se deu.

Do ponto de vista de inovação, é claro que o recente interesse por alimentos de origem vegetal fez surgir toda uma gama de novos alimentos e categorias – ao passo que o consumo de derivados de origem animal já existe há séculos, muitos dos vegetais passaram a ser consumidos apenas recentemente (pelo menos, em maior escala). Podemos pensar nas PANCs (plantas alimentícias não convencionais), termo popularizado no Brasil pelo livro de Valdely Kinupp e Harri Lorenzi, que estimulam a curiosidade sobre o consumo de vegetais e criam uma gamificação dele (“quantas PANCs você come?”).

Acompanhando esta forte corrente – que talvez esteja criando um novo oceano de consumo – na Fancy Food Show o número de lançamentos de produtos veganos foi notadamente maior do que os de origem animal. A feira, que no passado foi conhecida como um dos maiores encontros da indústria da carne e do queijo, em 2018 viu uma profusão de alimentos veganos em seus stands.

Um dos lançamentos mais marcantes nesta categoria se une a outra forte vertente dos últimos anos – os alimentos fermentados. Em tempos de kombuchas e kefirs, várias marcas veganas lançaram suas versões de leites vegetais fermentados: coco, amêndoas e nuts em geral.

 

Veja as entrevistas realizadas com representantes da Kuli Kuli, Ocean Hugger, No Evil, Algama, Pan’s Mushroom Jerky e 3Pm Bites durante a feira, onde explicam o seu produto e sua história.

 

Alguns dos lançamentos que chamaram a atenção na feira, categorizados de acordo com a substituição que pretendem fazer.

 

SUBSTITUTOS DE CARNE

No Evil Foods: substitutos de carne e embutidos. A empresa concorreu na Front Burner Pitch Competition e ficou com a escolha do público, pela sua defesa acalorada da “galinha vegana que veste uma bandana”.

Ocean Hugger Foods: substitutos de peixes usados em sushi, a empresa apresentou na feira um tomate desidratado que imita a textura e cor do atum. Há planos de trazer ao mercado outros produtos como “salmão” de cenoura e “enguias” de beringela.

Pan: jerky, essa categoria que não existe muito por aqui, são carnes desidratadas para serem comidas como snacks (não confundir com jerked beef, que é o abrasileiramento da coisa, e tem uma proposta bem diferente do que se vê nos States). A Pan faz jerky de cogumelos.

SUBSTITUTOS DE LEITE

Califia Farms: queridinha dos leites veganos, a Califia levantou 50 milhões de dólares na rodada de investimento deste ano, atraindo investidores-celebridade como Leonardo di Caprio. Na Fancy Food, a empresa estava lançando sua linha de iogurtes veganos para beber. Muito bacana também a linha de cafés com leite de amêndoas, com opções full shot, cold brew, caramelo salgado, mocha, triple shot e XX expresso.

Harmless Harvest: a start-up que aposta no fair trade de coco (e investe pesado em publicidade para justificar seus preços mais altos do que o mercado), também trouxe fermentados probióticos à base de leite vegetal, neste caso de coco. O site da empresa indica que a porção tem mais de 5g de MCT.


The Coconut Collaborative: focada em indulgência, a empresa inglesa faz sobremesas veganas como os iogurtes de coco bicamadas.

Nature’s Charm: a empresa traz uma linha extensa de produtos de coco, incluindo bebidas, leite condensado, matcha, caramelo e creme para bater chantilly.

SUBSTITUTOS DE OVO

Eggless: a empresa chilena trouxe à Fancy Food Show suas maioneses veganas à base de proteína de soja e de ervilhas.

The Good Spoon: uma das spin-offs da Almana, empresa que faz alimentos à base de microalgas – neste caso, maioneses veganas.

PRODUTOS VEGANOS

Nem só de substituições vive o veganismo – até porque quem não está em transição nem se interessa muito pelo assunto. Produtos criados para atender às fatias mais maduras deste mercado incluem:

Kuli Kuli Foods: a empresa foi pioneira em produtos à base de moringa no mercado americano, e lançou na feira seus shots e pó para preparo de smoothie, além de expor os demais produtos já desenvolvidos.

Kitchen & Love: refeições rápidas à base de farro, couve-flor e quinoa. Todos os produtos são shelf-table (a empresa também esteve na APAS 2018).

Roland Foods: a empresa que é especializada na importação de alimentos para o mercado americano, inovação trouxe à feira opções de refeições rápidas e pastas à base de quinoa.

Fontaine Santé: pastas de grãos como feijão, edamame, lentilhas e hummus saborizados com azeitonas, berinjela, alho etc. Alguns produtos já são soluções completas com biscoitos salgados.

Pita Pal: na mesma linha, opções de saladas e snacks salgados com pão pita.

Este é o segundo post da cobertura da Fancy Food Show. No primeiro, falamos sobre produtos alimentícios upcycled – quer saber o que é isso? Confira aqui.

Sobre Cristina Leonhardt

Mãe, viajante, escritora e apaixonada por inovação. Fundadora do site Sra Inovadeira e co-fundadora da Tacta Food School, onde atua como Diretora de Inovação para projetos de Gestão Estratégica de P&D e Desenvolvimento de Produtos. Mentora da Terra Accelerator. Eu quero que você alcance todo o potencial de inovação que existe dentro da sua empresa de alimentos. Se conseguirmos criar um produto diferenciado, não teremos mais consumidores. Teremos uma legião de fãs. Quer me conhecer melhor: pode me adicionar no Linkedin
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