“Frutos da terra” de Genésio Tocantins, homenagem à região do Cerrado brasileiro.
O Brasil, que detém cerca de 15 a 20% da diversidade biológica mundial, é considerado o país da biodiversidade do planeta, apresentando um vasto potencial de iguarias para alimentação. No entanto, apenas uma pequena porcentagem dessa riqueza é efetivamente aproveitada, refletindo uma dieta baixa na diversificação dos alimentos consumidos pela população.
Em um estudo sobre o consumo de alimentos biodiversos no Brasil, realizado por pesquisadores de seis instituições brasileiras, foi possível constatar que o consumo de plantas alimentícias não convencionais (PANCs), cogumelos comestíveis e carnes silvestres (como alimentos biodiversos) é a realidade de apenas 1,3% da população. Esse dado está diretamente relacionado a fatores socioeconômicos e à limitada presença desses alimentos no cotidiano.
Muitas vezes, a ausência da flora nativa em supermercados restringe o acesso e favorece a preferência por produtos importados, reflexo do desconhecimento ou da falta de alternativas disponíveis no mercado local. Um exemplo claro ocorreu com a Cristina (Sra Inovadeira) em Lajeado – RS, em que se deparou com uma pilha de maçãs vindas da França, mesmo estando em uma região que é uma das maiores produtoras de maçãs do Brasil.
Trabalhar com espécies nativas vai além de valorizar o sabor desses alimentos: é também uma forma de oferecer importantes serviços ambientais, como a dispersão de sementes e a regeneração de ecossistemas.
Nos últimos anos, o uso de ingredientes regionais tem conquistado espaço em restaurantes e na gastronomia. Entretanto, no âmbito industrial, ainda há poucas empresas que trabalham com ingredientes nativos e que levem a biodiversidade para o dia a dia das pessoas.
É justamente nesse ponto que algumas empresas brasileiras vêm se destacando: combinando propósito, inovação e compromisso com o território. Selecionamos 10 empresas – espalhadas por diferentes regiões do país – que estão resgatando sabores culturais e colocando a biodiversidade nacional no centro do negócio. Eu conversei com os negócios para entender o papel que a biodiversidade tem nos processos de inspiração da empresa.
O que fabrica: manteiga Vegetal de palmito pupunha e castanha de caju
Número de funcionários: 11-50 funcionários. (LinkedIn)
Você já provou manteiga vegana?
Essa é uma das inovações da Vateli, uma empresa que nasceu em Novo Horizonte, interior de São Paulo. A empresa desenvolveu o produto Planteiga, uma alternativa à manteiga tradicional elaborada com palmito pupunha e castanha de caju, oferecendo uma opção 100% vegetal.
Após 2 anos de desenvolvimento, a empresa chegou em um produto leve e com aspectos mais saudáveis comparado às manteigas tradicionais, com 52% menos gordura e 45% menos calorias.Eu já experimentei o produto e achei o sensorial muito agradável, com uma sensação de cremosidade na boca e apresenta uma ótima espalhabilidade e derretibilidade quando aplicado em pães ou torradas.
E falando na biodiversidade, a pupunha, além de ser nativa da região amazônica, apresenta uma alternativa mais sustentável para o cultivo de palmito. Entre seus benefícios, estão o crescimento rápido, manejo mais simples que outras culturas e o fato de não exigir o uso de fertilizantes ou defensivos, já que não atrai pragas.
O palmito, que muitas vezes associamos apenas às conservas, tem mostrado sua versatilidade em produtos inovadores, como o espaguete de palmito e, agora, uma manteiga vegana. Quais outras possibilidades poderíamos explorar com esse ingrediente nacional?
O que fabrica: geleias, xaropes, chutneys, polpas, fruto congelado, sumo e picolés.
Número de funcionários: 5 funcionários.
Região: Sudeste.
Fundada em: 2016.
Regiões atendidas no Brasil: São Paulo capital, Campinas e região, ABC e Vale do Paraíba e litoral norte.
Exportação: Não.
Representando frutas nativas do bioma da Mata Atlântica, a empresa Asmussen, de Natividade da Serra – SP (recentemente declarada como “Capital Estadual do Cambuci” disposta na LEI N° 18.158/25), surgiu por meio da causa do Cambuci e da tradição culinária familiar. Em parceria com pequenos produtores locais, são produzidas geleias, xaropes, chutneys, polpas, fruto congelado, sumo e picolés das frutas cambuci, jabuticaba, juçara e uvaia, além de limão cravo e cambuci desidratados. Todos os produtos possuem certificação Orgânico BR, garantindo qualidade e proporcionando uma cadeia mais sustentável, além da utilização de energia solar para conservar os frutos congelados durante o ano.
Em conversa com a proprietária da empresa, Camilla Asmussen, ficou claro que trabalhar com a biodiversidade é, acima de tudo, uma oportunidade de educar o público sobre os frutos da Mata Atlântica. Um dos produtos desenvolvidos para alcançar esse objetivo foram os picolés, que não apenas conquistam pelo sabor, mas também se destacam pelo uso de embalagens compostáveis, reforçando o compromisso com a sustentabilidade. Na região de Natividade, a empresa já conta com 15 freezers com seus produtos.
Além da comercialização para o consumidor final, a Asmussen também fornece matéria-prima para diversas empresas do setor de alimentos e bebidas, como a Baldo, que utiliza seus xaropes para saborizar erva-mate destinada ao mercado externo, e a cervejaria Colorado, que produz a cerveja Orgânica com polpa de cambuci. Além disso, colabora com a destilaria Yvy, em Minas Gerais, fornecendo frutas como uvaia e cambuci, e mantém parcerias com bares e restaurantes renomados em São Paulo e Paraty, no Rio de Janeiro.
Camila compartilhou também sobre a Cadeia Produtiva Local (CPL) que, com o apoio da Prefeitura de Natividade da Serra, abrirá em maio de 2026 um edital com foco em frutas nativas. Segundo ela, esse edital permitirá que, conforme a maturidade da cadeia produtiva da empresa, seja possível obter apoio para aquisição de equipamentos, veículos e ações de divulgação e distribuição dos produtos. Camila destaca que estão em busca de parceiros estratégicos, como laboratórios que possam avaliar o valor nutricional dos alimentos, além de outras empresas que também atuem com produtos nativos.
Regiões atendidas no Brasil: Nordeste, Sudeste, Centro-Oeste e Sul.
Exportação: Sim, exportação para Reino Unido e Portugal.
Situada no bioma da Caatinga, que representa cerca de 70% da área total da Região Nordeste (Embrapa, 2025), a Cooperativa Agropecuária Familiar de Canudos, Uauá e Curaçá (COOPERCUC) nasceu da união de agricultores familiares que desejavam organizar sua produção e comercialização. A agroindustrialização de fruteiras nativas do bioma, como umbu, maracujá da caatinga ou maracujá do mato seguiu na elaboração de diversos produtos, como cerveja de umbu, polpa de maracujá da caatinga e dentre outros.
Segundo a representante da cooperativa, Priscilla Souza, “a preservação ambiental é um dos pilares fundamentais da cooperativa. A biodiversidade local inspira a criação de produtos únicos, misturando sabores, saberes e tradições, que refletem a cultura e a identidade dos cooperados”. Para a Coopercuc, trabalhar com a biodiversidade envolve equilibrar aspectos sociais, ambientais e econômicos, permitindo o desenvolvimento de práticas inovadoras e sustentáveis em parceria com os agricultores. “A biodiversidade serve como fonte de inspiração contínua para novos produtos e práticas, garantindo a inovação. O slogan ‘mais do que sabor, histórias’ reflete o compromisso da Coopercuc em preservar a essência da biodiversidade local”, completa.
A cooperativa tem conquistado reconhecimento tanto no Brasil quanto no exterior, por sua atuação em diversos mercados com produtos do bioma da Caatinga, contribuindo para melhorar as condições de vida no semiárido baiano. Além disso, por meio de projetos e parcerias, a cooperativa tem promovido atividades voltadas ao desenvolvimento das comunidades e das famílias da região de CUC (Canudos Uauá e Curaçá – BA), com iniciativas que priorizam a conscientização e preservação do bioma e meio ambiente, a capacitação em empreendedorismo e o oferecimento de acompanhamento técnico especializado.
O mercado plant-based tem apresentado um crescimento expressivo nos últimos anos. Dentro desse cenário, uma das categorias que mais se destaca é a de bebidas vegetais, especialmente aquelas que buscam trazer alternativas aos leites de origem animal. Essa tendência pode ser observada no aumento do volume de buscas por diferentes termos relacionados, conforme mostra o gráfico abaixo.
Nesse segmento, a empresa cearense A Tal da Castanha reformulou o mercado brasileiro de bebidas vegetais com uma linha de produtos orgânicos, veganos e clean label. O portfólio apresenta também produtos como pastas de castanha-de-caju, cremeria e suplementos.
A marca, que pertence ao grupo brasileiro Positive Company, valoriza a biodiversidade trabalhando com produção nacional dos seus ingredientes e através de uma relação sustentável com os produtores. As castanhas-de-caju orgânicas são fornecidas por pequenos produtores familiares certificados dos estados da Bahia, Ceará, Maranhão e Piauí, por meio da Amêndoas do Brasil. Segundo uma entrevista concedida em 2021 pelos responsáveis da empresa à DRAFT, as ações para uma cadeia mais sustentável seguiu com o uso reduzido de água e terras cultivadas, baixa emissão de gases de efeito estufa, não exploração animal e embalagens 100% compensadas por cooperativas de reciclagem.
Eu sou uma grande consumidora de bebidas vegetais, mesmo não sendo vegana ou vegetariana. Minha preferência por esse tipo de produto vem principalmente do sensorial (sabor, aroma e textura) que, pessoalmente, acho mais agradável do que os do leite de origem animal. Para mim, a A Tal da Castanha se destaca justamente por suas formulações limpas e simples, em contraste com outras marcas que ainda trazem listas extensas de ingredientes em suas bebidas. No entanto, apesar do avanço desse mercado e dos atributos sustentáveis associados aos produtos plant-based, um dos principais desafios que vejo do setor é torná-los mais acessíveis financeiramente. Hoje, esses produtos (não apenas da marca aqui em questão) podem custar até três ou cinco vezes mais do que o leite convencional, o que pode limitar o acesso da da população. Embora essa questão envolva fatores complexos, acredito que democratizar o acesso a alimentos mais saudáveis e sustentáveis deve ser uma prioridade para o futuro do setor.
Número de funcionários: 10 funcionários (4 mulheres na linha de produção e 6 funcionários no serviço de hotelaria e agroecologia).
Região: Centro-Oeste.
Fundada em: 2015.
Regiões atendidas no Brasil: todas.
Exportação: Atualmente, estão em expansão com propostas para exportação.
O Sítio Boca do Mato, fundado pelo casal Iasminy Berquó e Sandro Borges, está situado em uma área privilegiada do Cerrado goiano e tem como missão preservar esse bioma e divulgar seus sabores únicos. A ideia surgiu de uma necessidade pessoal de desenvolver um produto à base de pequi pronto para consumo, algo inexistente no mercado na época. Inicialmente fabricado para a família, o produto conquistou amigos e familiares, levando à comercialização das primeiras unidades em 2014. Atualmente, a empresa oferece uma linha diversificada de produtos, como pastas, molhos e itens secos, produzidos de forma artesanal e sustentável, com respeito à biodiversidade e ao ciclo do Cerrado. Além disso, o Sítio Boca do Mato compreende um ecossistema de hospedagem e produção agroecológica.
Segundo Iasminy, trabalhar com a biodiversidade é valorizar toda cadeia ecológica que temos no bioma do Cerrado, “para nós, é manter o cerrado em pé, o cerrado vivo, é um princípio que nos guia” e que guia toda a produção do Sítio Boca do Mato.
Além da produção, o Sítio também recebe visitantes por meio do roteiro turístico “Um pé + que pequi”, que inclui uma trilha de 2 km pela biodiversidade local, visita à agroindústria e degustação de produtos, uma forma muito interessante de mostrar à comunidade os sabores regionais.
A empresa atua por meio do seu site e possui presença mais consolidada no Distrito Federal, Goiás, São Paulo, Minas Gerais e Mato Grosso. Também realiza envios internacionais e já participou de feiras no exterior. Esta expansão da marca é um verdadeiro reflexo da valorização e da riqueza dos sabores brasileiros. Temos um grande potencial em nosso território e precisamos transformá-los em produtos com propósito e com a cara do Brasil para alcançar novos mercados e fortalecer nossa cultura alimentar.
Exportação: Pequenas exportações para os Estados Unidos e Europa
Sabemos que o chocolate é um dos produtos mais amados pelas pessoas. E um conceito que surgiu como sinônimo de alta qualidade desse produto é o “bean to bar”, que se refere a produção do chocolate partindo da amêndoa integral do cacau seco até a barra de chocolate (Associação Bean to Bar Brasil).
Nesse mundo de chocolates, a empresa florianopolitana INVENTO compromete-se com uma produção mais sustentável e de qualidade, desde a seleção criteriosa de parceiros até o design das embalagens. A produção utiliza cacau fino de pequenos produtores do Brasil, promovendo uma prática de produção mais consciente.
A Invento Chocolates nasceu dentro da Mu Gelato, uma gelateria artesanal fundada pelos amigos de infância Guilherme Bortoli e Filipe Carniel, em Caxias do Sul (RS). O interesse por produzir chocolates vinha de longa data, e o método Bean to Bar foi adotado naturalmente. Filipe, que se formou como chocolate maker na Itália, lidera a criação dos produtos, enquanto Guilherme cuida da gestão do negócio. A trajetória teve início com a construção de máquinas próprias, desenvolvidas em parceria com um amigo torneiro mecânico, inicialmente voltadas à produção de pastas de castanhas usadas nos gelatos. Em 2020, o projeto evoluiu para a fabricação dos primeiros chocolates da marca.
Segundo Rúbia Soter, representante da Invento Chocolates, “a atenção à biodiversidade é uma parte genuína de quem somos”. A empresa proporciona um protagonismo aos seus parceiros ao incorporar suas histórias em seus produtos, garantindo que seus clientes conheçam as narrativas por trás de cada barra de chocolate. Além disso, trabalham com o comércio justo, pagando preços justos pelas amêndoas de alta qualidade e apoiam aqueles que trabalham para manter a floresta de pé, através do replantio de florestas e cacau em sistemas agroflorestais e do trabalho de regeneração de áreas degradadas pelo gado.
A criação de alguns chocolates incluem frutos e oleaginosas da nossa biodiversidade como o Butiá, Cupuaçu, Castanha-do-Pará, Castanha de Caju, além de outras inclusões como o Café, Laranjinha Kinkan e Pólen Apícola, criando combinações que enaltecem o sabor do cacau e carregam a brasilidade.
E quem segue a Sra Inovadeira sabe que ela é uma butiá lover, e teve uma grata surpresa ao conhecer essa empresa e descobrir como essa fruta, tão típica da região Sul, está sendo usada para impulsionar a inovação no mercado. Apesar disso, ainda não encontramos outros exemplos de butiá sendo explorados em chocolates, o que abre excelentes oportunidades.
Mombora
Fonte: Mombora.
Fonte: Mombora.
Fonte: Mombora.
O que fabrica: pastas e carboidrato em gel e pó.
Número de funcionários: 20 funcionários
Região: Sudeste
Fundada em: 2021
Regiões atendidas no Brasil: Todo o Brasil através do e-commerce
Exportação: “Por enquanto não exportamos, mas entendemos o potencial do mercado externo quando falamos de produtos da biodiversidade brasileira.”
Mombora é uma empresa que produz géis de carboidrato de alto valor energético, utilizando apenas ingredientes naturais com sabores nativos dos biomas brasileiros. Em 2023, a marca participou da nossa Caixa da Inovação e, em uma entrevista das Inovisões, os fundadores Kazumi e João Pedro compartilharam detalhes sobre a criação de uma marca inovadora, movida por propósito e tecnologia.
Com uma visão ousada, a dupla decidiu ocupar um espaço pouco explorado: o território dos carboidratos (proteína, não foi dessa vez). A Mombora enfrenta o desafio de fazer isso exclusivamente com ingredientes naturais, valorizando a rica biodiversidade brasileira. Entre os principais ingredientes estão frutas incríveis como cacau, cambuci, açaí-juçara, castanha de caju, cajá, baunilha do cerrado e muito mais. O resultado? Uma linha diversificada de géis de carboidrato, pastas e carboidratos em pó, desenvolvida especialmente para quem busca uma dose extra de energia para potencializar as atividades físicas.
Segundo Kazumi, a biodiversidade para a empresa é considerada um pilar essencial, tanto no processo de inspiração quanto na missão de criar produtos naturais e sustentáveis. “A escolha de trabalhar com frutas nativas da biodiversidade brasileira, como jabuticaba, cambuci, cajá, cupuaçu e açaí-juçara, não é apenas uma questão de oferecer produtos atrativos e saborosos, mas também de valorizar e preservar os ecossistemas naturais que produzem essas frutas. Ao utilizar essas frutas, buscamos não apenas oferecer alternativas alimentícias inovadoras e saudáveis, mas também ajudar a preservar a floresta e outros biomas, pois o cultivo sustentável dessas frutas promove a manutenção das áreas de vegetação nativa e evita o desmatamento.”
A Mombora é um excelente exemplo de como transformar o potencial da nossa terra em alimentos com identidade, escapando do óbvio e das combinações genéricas de sempre – como frutas vermelhas, baunilha e morango.
O que fabrica: geleias e polpas de frutas, açúcar mascavo, óleos e bebidas.
Região: Sudeste
Fundada em: 2003
A Cooperativa dos Agricultores Familiares e Agroextrativistas Grande Sertão (Cooperativa Grande Sertão), constituída em 2003 na região norte do estado de Minas Gerais, é um empreendimento econômico solidário, que busca produzir e vender uma variedade de produtos do Cerrado e da Caatinga, elaborados com base em práticas agroecológicas. A Cooperativa Grande é formado por agricultores familiares, agroextrativistas, quilombolas e indígenas, trabalhando com produtos da sociobiodiversidade, gerando renda e conservando o meio ambiente e respeitando a sabedoria das tradições nativas.
Seu portfólio de produtos abrange cadeia de frutas e polpas, do pequi, de óleos e da cana de açúcar. A produção trabalha com diversos frutos da nossa biodiversidade: Cajá-Manga, Caju, Coquinho Azedo, Cagaita, Goiaba, Jabuticaba, Maracujá, Maracujá Nativo, Mangaba, Panã (Araticum), Umbu.
É inspirador ver cooperativas como a Grande Sertão valorizando a biodiversidade e os sabores regionais do Brasil. Mas deixo aqui uma reflexão: moro em Mogi das Cruzes (SP), uma cidade com mais de 500 mil habitantes, e vejo produtos de cooperativas ou pequenos empreendedores da minha região nos mercados locais. Alô, supermercadistas! Que tal abrir mais espaço para quem trabalha com nosso território?
O que fabrica: PANCs, vegetais in natura, sucos, polpas, bebidas, flores comestíveis, temperos, molhos, doces
Número de funcionários: 4 funcionários
Região: Sul
Fundada em: 1990
Regiões atendidas no Brasil: enviam para todo o Brasil, mas com foco Sul e Sudeste
Exportação: Não
A Bellé Agroindústria Familiar, tem início em uma loja de produtos naturais na cidade de Antônio Prato – RS, onde o casal Nelio Bellé e Aldaci Bellé começaram a processar os alimentos que sobravam da loja em sucos, doces, molhos e dentre outros. Então para crescer essa produção, em 1996 eles montaram a agroindústria.
A vontade de trabalhar com alimentos da biodiversidade partiu das origens do senhor Nelio, que vindo uma família de baixa renda, tinha como base da sua alimentação as frutas nativas, plantas alimentícias e hortaliças presentes em suas hortas da época. Assim, conhecendo a importância desses alimentos, não só como alimentos de fácil cultivo, de baixo custo, mas também a importância ambiental e nutricional desses alimentos, por volta de 1999 a 2000, eles começaram a trabalhar com as frutas nativas. Atualmente a empresa tem focado nas frutas guabiroba, butiá, araçá e cereja-do-rio-grande. Porém, uma das dificuldades relatadas pela filha do casal, Franciele Bellé (representante que entrevistamos para esta matéria), trata-se do acesso à essas frutas devido às crises climáticas e encontrar fornecedores com certificação orgânica.
A empresa compõe a produção primária e processamento dos alimentos, comercializando seus produtos em todo o Brasil, mas principalmente na feira dos agricultores ecologistas em Porto Alegre. Com a publicação do livro “Plantas Alimentícias Não Convencionais (PANC) No Brasil”, dos autores Vadely Kinupp e Harri Lorenzi, a Agroindústria Bellé começa trabalhar com essas plantas na produção primária e em 2016 as flores comestíveis também ganham foco.
Agroindústria Família Pressi
Fonte: Agroindústria Família Pressi. Barra de cereal sabor jabuticaba.
Fonte: Agroindústria Família Pressi. Barra de cereal sabor araça.
Fonte: Agroindústria Família Pressi. Barra de cereal sabor uvaia.
O que fabrica: barras de cereais
Número de funcionários: 2 funcionários (+ família)
Região: Sul
Fundada em: 2008
Regiões atendidas no Brasil: Atendem a todo Brasil através de envios por correio, porém por serem produtos naturais e sem conservantes possuem um prazo mais curto de validade (60 dias).
Exportação: Não
A Agroindústria Família Pressi vem de uma origem familiar com suas atividades iniciadas em 2008, quando o fundador Jair Pressi teve a ideia da produção de barras de cereais para comercialização em feiras semanais que ele participava em Passo Fundo (RS). Nos primeiros anos, eram apenas quatro sabores de barras (cacau, laranja, nozes e uva). Posteriormente, em 2015, Jair construiu o prédio onde a agroindústria se encontra hoje e constituiu a empresa legalmente. Infelizmente no ano seguinte, o fundador veio a falecer, e para dar continuidade à empresa, o sobrinho William Pressi assumiu a gerência em 2017 e como parte do time, sua companheira também começou a participar de todos os processos em 2024.
Atualmente a agroindústria trabalha com uma variedade de 16 sabores de barras de cereais orgânicas: nozes, cacau, laranja, uva, amendoim, butiá, araçá, jabuticaba, guabiroba, uvaia, açaí-juçara, bergamota, goiaba, maracujá, café e mirtilo.
Segundo William, “a biodiversidade é de grande importância, pois a abundância e riqueza das frutas nativas nos dá a possibilidade de criar um produto diferenciado. Além disso, resgata sabores muitas vezes esquecidos na infância, despertando memórias através do paladar. Ainda, apresentar as frutas do nosso território aos mais jovens, onde os vemos surpresos ao experimentá-las pela primeira vez através do nosso produto.”
Além da venda direta ao consumidor através das feiras promovidas por instituições assistencialistas como, a Secretaria de Desenvolvimento Rural, a Federação dos Trabalhadores na Agricultura (Fetag-RS) e a EMATER, seu principal mercado é o institucional, onde atendem a escolas e instituições públicas por meio de licitações.
A escolha por utilizar frutas nativas em um formato prático, como barrinhas proteicas, faz todo o sentido. Esse tipo de produto torna o contato com os sabores do nosso território mais acessível no cotidiano, além de permitir explorar uma diversidade de frutas e combinações.
Como a sua empresa expressa a sua Brasiliência?
Estas foram algumas referências que podem servir de inspiração para o seu desenvolvimento de produtos ou na formulação de estratégias, fortalecendo a biodiversidade como um dos pilares centrais da sua empresa.
E aqui vai outra recomendação para estimular a sua criatividade na elaboração de cardápios e receitas: o Ministério do Meio Ambiente lançou em 2018 o livro “Biodiversidade Brasileira: sabores e aromas”, com 335 ideias para preparações de entrada, prato principal, guarnição, sobremesa, bebida e lanche utilizando ingredientes de todas as regiões do nosso lindo país tropical. Você encontrará: brigadeiro de muruci e cacau, muffin com recheio de jenipapo, pão de queijo de pequi, bolinho de tilápia com molho de cajá e muito mais!
Temos muita inspiração para estudar num país de 6 biomas (Amazônia, Mata Atlântica, Cerrado, Caatinga, Pampa e Pantanal), com riquezas e belezas particulares de cada região. Somos a terra do cambuci, seriguela, butiá, mandioca, pequi e jambu, e ainda assim, seguimos vendo mais um biscoito de morango recheado sendo lançado no mercado.
Mas temos algo importante para te contar…
Vem aí a Caixa da Inovação 2025 com a temática da sociobiodiversidade brasileira
A edição desse ano apresentará uma curadoria de lançamentos do mercado que trabalham com frutas, castanhas, leguminosas da nossa biodiversidade, possibilitando o seu contato com ingredientes nacionais, experimentação de novos sabores, aprendizados das empresas sobre seus produtos e muito mais. Não perca a oportunidade de explorar nosso território com a gente.
Dia 01/09/25 abriremos as inscrições para quem quiser participar deste movimento. Hoje você pode garantir um acesso exclusivo por 24h com um desconto lindo se inscrevendo na lista de espera (clique na imagem abaixo):
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