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PEQUENO DICIONÁRIO DA INOVAÇÃO DE ALIMENTOS

A

Aceleradora de empresas: Organização que seleciona, investe e mentora start-ups em estágios diversos de maturidade, com olhos para a validação do negócio e crescimento. No passado, um modelo similar eram as incubadoras tecnológicas. Quando são selecionadas por uma aceleradora, as start-ups passam por um programa de treinamento e mentoria, que as auxilia a definir melhor o seu negócio, alterá-lo, e a buscar mercado. Uma aceleradora pode cobrar pelos seus serviços em mensalidades, em participação societária (equity) ou ser financiada por programas estatais ou institucionais de apoio à inovação (como é o caso do Inovativa Brasil e do Edital de Inovação Sesi/Senai). A Sra Inovadeira é mentora da Terra Accelerator, uma das maiores aceleradoras de alimentos do mundo 😉

Alergênicos: Alergênicos são substâncias capazes de causar uma resposta imune em pessoas sensíveis. Do ponto de vista de substâncias ingeridas como alimentos, apesar da RDC 26/15 da ANVISA citar 8 grupos, são conhecidos mais de 170 alimentos diferentes que podem causar reações alérgicas. Portanto, use um pouco mais de empatia alimentar e não ria do seu colega que diz que é alérgico à banana ou kiwi (dois dos alimentos da lista dos 170).

B

C

Clean label: em português, rótulo limpo. Capacidade de um rótulo de comunicar o conteúdo da embalagem de forma clara, precisa e sem alegações desnecessárias. Como extensão do conceito, o clean label influencia empresas a desenvolverem formulações com menor número de ingredientes e aditivos, e a utilizar matérias-primas de uso culinário, facilmente reconhecidas pelo usuário leigo. É derivado do processo de maior conscientização do usuário, que passa a se interessar pelo que come. Vulgo, caminho sem volta.

D

Desafio de Inovação: Desafio lançado por uma empresa, aceleradora ou organização interessada, com conteúdo definido, a ser resolvido por pesquisadores, start-ups ou empresas já estabelecidas, normalmente externos à empresa desafiadora. O desafio pode ter data limite pré-determinado (o mais comum) ou ficar aberto para receber propostas. A premiação pode envolver prêmios em dinheiro, investimento de capital no ganhador, oportunidades de negócio com a organização desafiadora, exposição na mídia, entre outros. É uma forma de estimular o ecossistema de inovação, mapear e reconhecer iniciativas que pode agregar valor ao negócio.

Design Thinking: Aplicação das ferramentas da área de design ao desenvolvimento de produtos e serviços de modo geral. Caracteriza-se por centrar a tomada de decisão nas necessidades do usuário e usar de empatia, colaboração e prototipagem em ciclos contínuos. O termo Design Thinking foi popularizado pela IDEO, consultoria de design americana, nos anos 90, e se espalhou pelo mundo dos negócios como uma forma de trazer uma visão mais abrangente, criativa e humana. Mais informações aqui.

E

Ecossistema de Inovação: O conjunto de todos os atores que atuam em prol da inovação numa determinada região ou mercado. Inclue-se aí: startups, organismos estatais e privados de fomento à inovação, aceleradoras de empresas, cozinhas comerciais, profissionais técnicos, empresas de apoio tecnológico (como a Tacta), investidores individuais, empresas investidoras, pesquisadores acadêmicos. Sendo a inovação um empreendimento intrinsecamente associado ao risco, a formação de um ecossistema de inovação pretende possibilitar o desenvolvimento econômico enquanto de certa forma distribui o risco entre os diferentes atores que colaboram entre si.

F

Flexitariano: Pessoa que adota uma dieta predominantemente à base de vegetais, porém ainda consome produtos de origem animal. Normalmente começa aderindo à segunda sem carne após o churras do domingo, mas acaba expandindo para outros dias da semana quando descobre que vegetais têm uma amplitude de sabor até então desconhecida. 😉 Mais conhecido como um dos primeiros passos para o veganismo.

G

Gluten-free, GMO-free ou qualquer outra coisa-free: Claim (alegação) de que determinado alimento é livre de algo, esta forma não tendo sido produzido, ou compartilhar a produção, com tal ingrediente. Processos em que o ingrediente é retirado não devem utilizar o termo, pois não são 100% livres dele (exemplo cerveja sem álcool, que é diferente de livre de álcool).

No Brasil, não há previsão para o seu uso fora dos nutrientes previstos na RDC 54/12 (açúcar, gordura, colesterol, sódio, sal). No momento, então, todos os rótulos que trazem qualquer outra coisa-free são ilegais e podem receber sanções fiscalizatórias. Mais informações aqui.

dicionário inovação de alimentos

H

I

Inovação aberta: processo de inovação que depende não apenas dos esforços internos da companhia, mas que é propositadamente desenhado para permitir fluxos de entrada e saída de conhecimento. É uma das maiores promessas da inovação, sendo que alguns estudos indicam que a inovação aberta seria capaz de reduzir o tempo para a primeira entrega de um projeto em até 60%. Mais informações aqui.

Inovação incremental: processo de inovação que resulta em pouca variação em relação aos produtos/serviços existentes na empresa e/ou no mercado de atuação. É o caso de variações de cor e sabor, reduções de custo e cópias, tão comuns no mercado de alimentos. Apresenta menor incerteza em sua execução, e desta forma menor risco. Mais informações aqui.

Inovação radical: processo de inovação que resulta em variação significativa em relação aos produtos/serviços existentes na empresa e/ou no mercado de atuação. Apresenta maior incerteza em sua execução, e desta forma em maior risco. Mais informações aqui.

J

K

L

M

MPV: Mínimo Produto Viável. Produto ou serviço mais simples que uma empresa possa oferecer no mercado desejado de atuação, para colher o mais rapidamente informações reais sobre a sua atratividade para o usuário-alvo. É um termo derivado da metodologia Lean Startup, que entende que estimativas feitas antes do lançamento do produto são pouco ou quase nada válidas. Mais efetivo é lançar o mais rápido possível (com responsabilidade) e colher os resultados diretamente no solo – para então fazer os ajustes necessários – do que gastar meses (ou anos em fase de testes, investindo alto nível de recursos, para então descobrir que várias assunções iniciais do projeto são inválidas no mercado.

N

O

Orgânicos: Alimentos orgânicos são produzidos de acordo com as técnicas orgânicas de agricultura, que preveem o não-uso de agrotóxicos e fertilizantes sintéticos, e organismos geneticamente modificados. Caracteriza-se também pelo estímulo à biodiversidade, o respeito aos ciclos naturais e às espécies mais adaptadas ao ecossistema regional. No Brasil, para vender um alimento como orgânico, o produtor deve buscar uma certificação ou realizar cadastro junto ao MAPA (mais aqui). Apesar de que os críticos aos orgânicos procuram provar que eles não fazem mais bem à saúde do que alimentos produzidos pela agricultura convencional, o fato é que o consumidor de orgânico busca não apenas saúde do corpo quando compra.

P

P&D: Pesquisa e Desenvolvimento. Área existente em algumas empresas, dedicada à pesquisa de novas tecnologias e desenvolvimento de produtos com base nela. Também conhecida como a melhor área para trabalhar em alimentos. Ou como aquela com menor orçamento na empresa. Mais informações aqui.

Prototipagem: Etapa do desenvolvimento de um produto no qual o conceito ( = ideia intangível) é transformado em um protótipo ( = produto tangível), possibilitando sua avaliação pela equipe de P&D, usuário, cliente e demais partes interessadas. É etapa fundamental do processo de design thinking, e deve ser realizado através de testes de bancada ou piloto (mais idealmente). A Tacta ministra curso de Prototipagem de Alimentos no qual discutimos estratégias de mapeamento de testes para produtos mais inovadores.

Q

R

dicionário inovação de alimentos

S

Start-up: ah, que dilema – o que é uma startup? Será que é qualquer empresa recém-criada? Hoje em dia, ninguém é empresário iniciante, todos são “startupeiros”. Na falta de uma definição universalmente reconhecida, algumas características que são comuns à maioria delas incluem:

  1. São empresas jovens, com normalmente até 5 anos de vida
  2. Que buscam resolver problemas do mercado em que atuam com soluções inovadoras, usualmente empregando tecnologias recentemente desenvolvidas
  3. E que têm escalabilidade – ou seja, atuam num modelo de negócio que pode ser replicado mais ou menos facilmente em maior escala.

A segunda acepção do termo está na engenharia: o start-up de uma linha é o seu comissionamento, o momento em que ela começa a produzir em escala industrial.

Scale-up: Há duas acepções para o termo:

  1. Em engenharia, scale-up é o processo de escalonamento, que traz os produtos que estão sendo desenvolvidos em bancada ou planta-piloto para o nível industrial.
  2. Em negócios, uma scale-up é uma companhia com MVP validado, com clientes e negócios correntes, e que está pronta para um salto de crescimento.

T

Teste de bancada: teste de pequena escala, para validação inicial da formulação do alimento. O processo utilizado é bastante próximo do culinário, e ainda muito distante do industrial. Mais informações aqui.

Teste industrial: teste de escala real, realizado em equipamento industrial, que visa validar formulação, processo, embalagem e demais etapas de desenvolvimento do produto. Mais informações aqui.

Teste piloto: teste de escala um pouco maior, que visa reproduzir as condições industriais. São utilizados para validação mais completa da formulação e definição do processo. Mais informações aqui.

Transparência: Não confundir com clean label. Transparência é a capacidade de uma empresa em comunicar-se sinceramente com o seu usuário, respondendo suas dúvidas e expondo erros e acertos de forma clara e construtiva. A transparência é um conceito que abrange a rotulagem, o SAC, as declarações de executivos e profissionais da empresa para a mídia em geral, a visita à fábrica, as relações com o governo e o escrutínio de partes interessadas, como órgãos fiscalizadores, clientes e consumidores, influenciadores de alimentos, entre outros. É uma das principais bandeiras deste site, junto ao desenvolvimento centrado em humanos. Mais informações, aqui.

U

V

Validação: Processo no qual um novo protótipo ou novo negócio passa por testes que confirmam a sua capacidade de gerar receitas futuras para a empresa. Validações comuns são: testes industriais (para validar a estabilidade da formulação e a sua capacidade de processamento em nível industrial), focus group, validação junto ao usuário, lançamento de teste. No período de validação, considera-se que o produto/serviço ainda pode sofrer alterações, com os feedbacks colhidos nos testes. Desta forma, enquanto os produtos/serviços da empresa não estão solidificados, os primeiros meses de uma start-up podem ser considerados também como testes de validação.

Vegano: Pessoa que, por posições éticas em relação à exploração dos animais, não consome alimentos de origem animal, tampouco produtos de origem animal (como couro) ou testados em animais (como medicamentos). Um dos grupos de consumidores mais politizados e organizados, o veganismo é mais do que apenas uma dieta – é uma forma de ver o mundo.
Alimentos veganos procuram atender a este grupo, excluindo todo ingrediente de origem animal, incluindo contaminação cruzada, e trazendo transparência sobre as práticas da empresa em relação ao tratamento de animais. É um dos mercados em mais franco crescimento, apesar da carência de opções convenientes no Brasil. Mais sobre alimentos veganos, veja aqui.

Visionários de alimentos: Profissionais que preparam o futuro da alimentação. De formação variada, os visionários de alimentos podem ser engenheiros, tecnólogos e cientistas de alimentos, veterinário, nutricionistas, químicos, biólogos, bioquímicos, administradores de empresa, profissionais do marketing e da publicidade. Empreendedores e ideadores de alimentos, pensadores, influenciadores e todos aqueles que questionam o status quo do nosso sistema alimentar atual.

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