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SRA INOVADEIRA RESPONDE: O CONSUMIDOR SABE O QUE QUER?

Estamos iniciando uma coluna nova, às sextas-feiras, onde eu irei responder às perguntas que me forem feitas durante a semana anterior. Tem alguma pergunta sobre inovação, pesquisa e desenvolvimento de alimentos? Manda para mim no contato@srainovadeira.com.br que eu seleciono as melhores perguntas e publico nesta coluna.

 

PERGUNTA

A primeira pergunta vem de Campinas, de uma querida amiga que me manda a seguinte citação do Steve Jobs:

steve jobs, ouvir o consumidor, design thiking, inovação

Ela me pergunta: você fala tanta de ouvir o consumidor, mas será que o consumidor sabe o que ele quer?

 

SRA INOVADEIRA RESPONDE

Querida amiga, que prazer iniciar esta coluna com você! E que pergunta que veio bem a calhar com o que escrevo por aqui.

Realmente, reza a lenda que se você perguntasse para uma pessoa nos anos 50 o que ela gostaria em um telefone, provavelmente ela não chegaria ao conceito do celular. Não estava no horizonte do consumidor médio que um telefone portátil um dia estaria à sua disposição.

Telefones portáteis existiam, mas eram destinados a exércitos e outras grandes corporações. Imaginar que aquele trambolho que os soldados carregavam no campo de batalha poderia caber na palma de uma mão era sonhar alto demais.

telefone, móvel, guerra, inovação

Bem, então, quem lançou o telefone portátil lá na década de 70, e revolucionou a comunicação como a entendíamos até então, deu um tiro no escuro? Lançou algo para “ver se pega”, como um tamagoshi ou um hoverboard?

Eu penso que não. E explico por quê.

Se o consumidor não sabe dizer o que quer – se ele não vislumbra as possibilidades que a tecnologia está apontando para os próximos 5 ou 10 anos – que vantagem Maria leva ao escutar o consumidor?

(Usar a expressão “que vantagem Maria leva” é uma denúncia da minha idade. Eu sei. Continuemos.)

Quando proponho aos colegas e às colegas que escutem ao consumidor, em momento algum imagino o colega e a colega saindo da conversa com a brilhante ideia:

consumidor, design thinking, empatia, inovação, alimentos, escutar o consumidor

Não é assim que as coisas acontecem. Sinto muito.

O colega e a colega sairão da sessão de “escutar o consumidor” com uma coisa BEM DIFERENTE do que o conceito do produto em detalhes. Consumidor nenhum seria capaz de prever o celular, ou o iogurte grego em camadas, ou a pizza de micro-ondas.

Ele, contudo, poderia ter falado sim de que estava “ficando mais tempo fora de casa do que em casa”. E que “achava o iogurte brasileiro muito aguado”. Ou que “estava morando sozinho e não sabia cozinhar”.

Saber traduzir o que o consumir fala em um conceito de produto é o seu trabalho, cara pálida de P&D (e marketing também, mas vamos imaginar que essas bobeiras de separação entre P&D e Marketing são coisas do passado, assim como os tênis com salto e as calças saruel).

Sabe traduzir o que o consumidor fala em um conceito é também chamado de ter empatia (que o colega e a colega, sem dúvida, já estão exercitando após o nosso evento sobre as 8 Competências Pessoais para Inovação de Alimentos).

De uma sessão de “escutar o consumidor”, o colega e a colega de P&D extraem (com curiosidade e empatia) o que em design se chama: CRITÉRIOS DE DESIGN.

E o que é um Critério de Design, Sra Inovadeira? (parafraseando, dentro das possibilidades, a Jout Jout.)

Explico em uma figura extremamente elucidativa.

design thinking, inovação, alimentos, P&D, pesquisa e desenvolvimento, critérios de design

O consumidor não irá lhe dizer que produto desenvolver. Ele nem sabe o que é iogurte grego para dizer que quer um – apesar de que, como falamos no evento sobre Inovação de Alimentos no Brasil, este lançamento foi um retumbante sucesso por terras brazucas.

Chame-o para uma conversa empática sobre o tema de seu interesse e o consumidor lhe trará informações riquíssimas sobre os contornos do que ele deseja ou necessita.

Estes contornos são os critérios de design: o objetivo, as percepções, os atributos e as restrições daquele design.

A partir dos critérios de design, o colega e a colega irá desenvolver o seu briefing, com informações ainda mais detalhadas sobre a formulação, embalagem, processo, etc etc etc etc. O colega e a colega irão trabalhar arduamente e criativamente em laboratório e planta-piloto para gerar protótipos. O colega e a colega irão sempre retornar aos critérios de design para confirmar se estes estão sendo atendidos.

Quando chegarem a um protótipo que lhes pareça bom o suficiente, o colega e a colega de P&D irão confirmar este atendimento dos critérios de design com o próprio consumidor.

Olha que ideia genial!

O colega e a colega podem propor um lançamento beta, ou lançamento de aprendizado, para perceber a recepção do mercado, descobrir as falhas do projeto, e alterar rapidamente o produto (se precisar de ajustes).

Isto, contudo, já é tema para outro Sra Inovadeira responde. Por enquanto, ficamos por aqui, colega de P&D: você vai escutar o consumidor. Ele não irá lhe dizer que produto desenvolver, mas sim, quais critérios de design devem ser atendidos pelo produto que a sua mente criativa irá criar.

Mãos à massa!

 

Ps.: Mais uma coisa – cuidado com os gurus! Steve Jobs realmente pensava assim, e falou o que está na foto, mas isso não quer dizer que ele estava certo! Quer ver outras 5 lições perigosas do guru da Inovação Tecnológica, segundo a Forbes? Clica aqui.

Sobre Cristina Leonhardt

Eu quero que você alcance todo o potencial de inovação que existe dentro da sua empresa de alimentos. Se conseguirmos criar um produto diferenciado, não teremos mais consumidores. Teremos uma legião de fãs. Quer me conhecer melhor - pode me adicionar no Linkedin: www.linkedin.com/in/cristina-leonhardt/
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